ESPAÇO ABERTO
O benefício da dúvida
Antonio Celso Costa
Tirar do cidadão comum o benefício da dúvida e não lhe dar a proteção a que tem direito é um crime e uma irresponsabilidade muito grande com conseqüências inimagináveis.
A proibição de fabricação, comercialização e o porte de armas de fogo de defesa pessoal tirarão do cidadão o benefício da dúvida perante os marginais que de forma alguma deixarão de usar armas de fogo, seja para se defender dos outros bandidos, porque a lei deles é a bala, seja para enfrentar os policiais quando surpreendidos em suas ações criminosas ou para praticar assaltos.
A eles pouco importa se o país não fabrica ou comercializa, continuarão trazendo armas de defesa e de grosso calibre de outros países através de nossa enorme fronteira e da corrupção reinante. O número de assaltos já é grande da forma que estamos vivendo, imaginem quando os assaltantes não tiverem mais o receio de que poderão ser recebidos à bala? Farão os assaltos a qualquer hora do dia ou da noite, em residências, no trabalho ou na rua e apenas darão a voz de comando: Isto é um assalto, vai passando tudo. Já imaginaram o cidadão que mora na zona rural sem uma espingarda? Como irá se defender, não só dos assaltantes, mas também dos animais ferozes. Qual é a forma que eles defenderão os seus familiares e seus equipamentos de trabalho? O governo dará proteção?
Tudo seria razoável se o nosso governo tivesse quantidade de policiais treinados, armamentos, meios de transporte, infra-estrutura eletrônica e outras, suficientes para dar aos cidadãos a segurança que eles merecem e precisam para ter uma vida tranqüila e produtiva, mas não têm, podem perguntar. Quem terá coragem de sair à noite e andar tranqüilo no Calçadão, no centro de Londrina? E em São Paulo? No Rio, nem pensar.
Constantemente ouvimos de autoridades que a sociedade precisa dar a sua contribuição para diminuir o número de drogados, menores de rua, que o governo sozinho não pode fazer tudo, não é verdade? Agora imaginem cuidar dos bandidos armados até os dentes, se não conseguem nem com os meninos de rua? Pensem nisso.
O benefício da dúvida, saber se o cidadão que vai ser assaltado está ou não amado, inibe o cometimento do crime, porque os marginais sempre procuram facilidades e distrações, nunca dificuldades e atenções. Mais de noventa por cento da população não tem armas, mas tem o benefício da dúvida. Não tirem isso da população ordeira.
ANTONIO CELSO COSTA é advogado em Londrina
Política, sinônimo de vergonha?
Reinhold Stephanes Junior
A política que se pratica no Planalto Central tem surpreendido a todos os brasileiros. Nem bem estávamos nos recuperando dos escândalos do mensalão e do mensalinho, fomos surpreendidos agora pelo processo que levou Aldo Rebelo (PC do B-SP) à presidência da Câmara Federal. Uma grande manobra patrocinada pela liberação, em troca de apoio ao candidato do governo, de quase R$ 1 bilhão em emendas para deputados. Numa aliança que envolveu dinheiro para emendas eleitoreiras, mais o compromisso em transformar a denúncia contra 16 deputados envolvidos com o mensalão em pizza marca, infelizmente, mais uma página triste e negra da política brasileira.
Quem acompanhou a votação para a escolha da presidência pela TV Câmara não pôde deixar de observar que o anúncio do resultado foi acompanhado, na primeira fila, com imensos sorrisos, pelos deputados que foram denunciados ao Conselho de Ética para cassação. Quem estava eufórico era o comandante do mensalão, Zé Dirceu, que acabara de eleger sua principal testemunha de defesa no processo de cassação para a presidência da Câmara, dotado de plenos poderes para transformar o caso numa grande pizza. Por um voto a menos do número de deputados denunciados, o governo venceu a eleição. Com absoluta certeza, como declarou alguns dias José Janene (PP-PR), com o apoio dos parlamentares sob suspeita.
Rebelo também foi o candidato de Severino Cavalcanti (PP-PE), que não escondeu sua preferência: Eu não quero dizer que fui decisivo, mas mandei votar nele. Fiz um trabalho insano, telefonando para todos os deputados. Tenho certeza de que a Câmara continuará sendo uma casa para todos os deputados, disse após a eleição. E foi com o dinheiro público, mais uma vez, de emendas, que o governo venceu a disputa contra a oposição e elegeu o ex-ministro para presidir o Legislativo. A mesma prática que tanto o PT condenou no passado, pôs em prática agora, não bastasse estar sua imagem de partido ético completamente destruída perante a Nação.
O que nos deixa ainda mais perplexos é o grau de envolvimento de políticos paranaenses no processo que desmoraliza a política brasileira. O principal operador do mensalão era um deputado federal de Londrina. O secretário particular do presidente, Gilberto Carvalho, que está envolvido com denúncias acerca da morte do prefeito Celso Daniel, também é de nosso Estado. Foi acusado pelos irmãos do prefeito morto de sair com uma sacola com R$ 1,2 milhão para entregar para Zé Dirceu. Dinheiro do transporte coletivo.
O que mais poderemos esperar da política do Planalto agora? A absolvição de todos os denunciados, conforme se especula? O perdão ao publicitário mineiro e a Delúbio Soares? O fim das CPIs sem apontar culpados? A continuidade do processo promíscuo de se desviar dinheiro público em benefício de uma prática política de uma república das bananas? Esperamos que a maioria dessas questões sejam respondidas de forma negativa. O país e seu povo não merecem mais esse tipo de política. Vivemos num novo século, onde política não pode mais ser uma palavra suja, corrompida, sinônimo de malandragem. O eleitor saberá, com certeza, dar a resposta nas eleições do ano que vem a tantos absurdos que, por ironia, quase sempre são praticados em seu nome.
REINHOLD STEPHANES JUNIOR é vereador PMDB em Curitiba
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