ESPAÇO ABERTO
Moacir Costa
Você conhece algum clube de viúvos? Provavelmente não, pelo fato dos homens não estarem habituados à intensa convivência social como ocorre com as mulheres. Por outro lado, além do natural isolamento dos viúvos, eles são em menor número, pelo fato de morrerem 7 a 8 anos mais cedo que as mulheres.
Nas festas ou comemorações, em entidades freqüentadas por pessoas que passaram dos 65/70 anos, tem sempre um excesso de mulheres, elas dançam entre si, mesmo na falta ou ausência de parceiros e demonstram sua habitual facilidade de participação social e afetiva. O que leva o homem a morrer bem mais cedo que a mulher? A excessiva dependência ao trabalho impede que eles manifestem maior disposição para o convívio social e para o lazer. Os homens não gostam de se expor socialmente e nem sempre gostam de dançar, quando tentam é por solicitação ou insistência da mulher .
É importante assinalar que este retraimento social, as tímidas manifestações de afeto e carinho colaboram para que muitos homens tendem a guardar, para dentro de si, as tensões e preocupações do dia-a-dia. A maior incidência de enfarte do miocárdio e derrame cerebral em homens provavelmente sofra a influência do seu estado de preocupação e humor. É sabido que adoece mais facilmente, quem esconde suas emoções.
Os médicos afirmam que as mulheres demonstram maior tendência em desenvolver estados depressivos, o que não ocorre com os homens que parecem apresentar maior capacidade de enfrentar e suportar o estresse. É possível que as manifestações de tristeza e depressão das mulheres, sirvam para que elas aliviem a sua carga de tensão excessiva em decorrência das suas preocupações profissionais e familiares .
Os homens tendem a se mostrar fortes, não reclamam e dificilmente externam qualquer emoção ou sentimento, e raramente reconhecem suas limitações e fragilidades. É possível que um dos fatores que contribui para a morte mais prematura dos homens esteja ligada a sua incapacidade de mostrar sentimentos, inclusive na vida amorosa. É importante lembrar, que as boas parcerias na vida a dois, facilitam bons aprendizados e estimulam o prazer.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro Mulher: a conquista da liberdade e do prazer (Ed. Prestígio/Ediouro)
n Caro leitor caso tenha dúvidas sobre sexo, ligue grátis para 0800-770-6543, de 2ªà 6ª, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br
Referendo do desarmamento
Ágide Meneguette
Quando todas as armas forem propriedade do governo e dos bandidos, estes decidirão de quem serão as outras propriedades. Benjamin Franklin (1706/1790)
No próximo dia 23, a nação será chamada a dar sua posição a respeito do referendo do desarmamento. Será decidido se o cidadão terá ou não direito de comprar livremente sua arma. Preocupada com a grave crise de segurança em nosso Estado e no país em geral, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná fez uma consulta à diretoria plena, aos sindicatos rurais e aos empreendedores rurais para obter uma posição de seus representados.
A quase unanimidade dos pronunciamentos foi pelo Não ao desarmamento. Apenas algumas manifestações em favor do Sim mas com a ressalva de que é necessário haver segurança pública, mais policiais nas ruas e no meio rural.
A posição da Faep passa a ser, portanto, favorável ao Não porque não pode aceitar que os produtores rurais, que moram isolados, sujeitos à ação de delinqüentes, sejam proibidos de usar armas para se defenderem. A forma radical como formulado o referendo não dá ao produtor rural e mesmo ao cidadão urbano indefeso outra alternativa.
A questão é a liberdade de escolha do cidadão. Defender o desarmamento dos cidadãos é um ato de extrema irresponsabilidade. Enquanto que praticamente nada é feito em termos de uma efetiva reforma da segurança pública tanto nacional como estadual, cria-se uma grande farsa, como se discursos e demagogia fossem capazes de assegurar a integridade de cada um.
Sem segurança pública não se pode negar ao cidadão o direito de se defender armado contra o crescente índice de criminalidade. Diariamente se lêem nos jornais, se escuta no rádio, se assiste nas televisões casos escabrosos de violência perpetrado por criminosos e até por policiais que deveriam defender a sociedade.
Ora, a função do Estado é de assegurar aos seus membros a paz pública, sem a qual a vida, a integridade física e do patrimônio estão ameaçadas. O que percebemos em nosso país é o desenvolvimento da segurança privada, que só está ao alcance das pessoas com recursos.
Não há pessoa que não tenha enfrentado uma situação de perigo ou não tenha um familiar seu assaltado, agredido, ameaçado na sua integridade. A violência no campo é uma constante. Produtores rurais são assaltados, roubados, seqüestrados sem que seus algozes sejam identificados e punidos. Tirar a arma do cidadão, mormente daquele que vive no campo, no ermo, sem socorro, é facilitar a vida de bandidos porque esses não precisam do comércio legal para terem acesso ao que há de melhor em armamentos.
Portanto, o cidadão deve ter o direito de escolher se quer ou não comprar sua arma. Por tudo isso, a Faep recomenda a seus filiados um voto
Não no plebiscito do Desarmamento.
ÁGIDE MENEGUETTE é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep)
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