ESPAÇO ABERTO
A abordagem sexual do idoso
Moacir Costa
A atividade sexual, durante muito tempo foi aceita como a marca registrada e atributo exclusivo das pessoas jovens. Apesar do crescente aumento da população acima de 60 anos, poucos estudos tem sido realizados pela comunidade médica e psicológica.
A queixa sexual do homem ou da mulher idosa, se apresenta de forma tímida e muitas vezes medrosa, devido a carga de preconceitos e frustrações acumuladas durante a vida. As pesquisas realizadas nos paises desenvolvidos e no Brasil revela números preocupantes: quase 50 % da população de homens entre 40 e 70 anos apresenta algum grau de disfunção erétil, conhecida popularmente por impotência; quase o mesmo percentual (53%) apresenta baixa de desejo e dificuldades da mulher em atingir o prazer. O médico necessita fazer uma abordagem delicada, mas objetiva, para conseguir informações que o ajude a formular um diagnóstico preciso sem causar desconforto ou maior bloqueio na pessoa idosa.
O profissional deve ter sensibilidade e interesse em abordar esse assunto até então proibido; isto deve estar associado ao seu conhecimento para ajudar na quebra de mitos e preconceitos sexuais.
Como assinalei em outras oportunidades, as mulheres envelhecem com maior capacidade de entender e superar suas frustrações ou desejos sexuais. Não que elas sejam menos sexualizadas: o que ocorre é que os valores e a cultura feminina prioriza os sentimentos, a amizade, e isso tem ajudado a superação das suas angústias na vida afetiva e sexual.
Os problemas sexuais da 3ªidade não estão somente relacionados com os 70/80 anos, mas com o sentimento de incapacidade e de envelhecimento que muitas pessoas apresentam mesmo que ainda não passaram dos 50 anos.
A abordagem psicológica das pessoas que envelhecem, o uso cuidadoso de anti-depressivos, a reposição hormonal nas mulheres e a recuperação da confiança sexual dos homens que tem problemas sexuais, com o uso dessas drogas mais antigas (Viagra e Levitra) e o Cialis mais recente que possibilita um desfrutar maior da intimidade pela sua ação mais prolongada (36 horas), se constitui em garantia de maior prazer e vontade de viver.
É possível envelhecer com sabedoria, tirando proveito do lado bom da vida, desfrutando do lazer, cultivando amizades, mantendo-se ocupado com ou sem remuneração. O importante é sentir útil e participativo.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro Mulher - A conquista da liberdade e do prazer (Prestigio/Ediouro)
n Caro leitor caso tenha dúvidas sobre sexo ligue grátis para 0800-770-6543, de 2ªà 6ª, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br
A moral não deve sufocar a democracia
José Mario Angeli
A abertura democrática trouxe à luz os obscuros expedientes da corrupção. É verdade que ela corrói o sistema político e por isso é necessário colocar um freio para evitar a sua expansão. Uma reforma política como pretende alguns não resolve esse problema espinhoso. É necessário ir além da reforma política e pensar numa reforma de Estado.
Assiste-se a uma infundada convicção defendida por alguns políticos da defesa da moral, como restabelecimento da ordem e do rigor da lei, tem-se tornado uma verdadeira obsessão, pelo combate à corrupção.
Os políticos deveriam estar discutindo a reforma de Estado: redefinição do pacto federativo, rompimento da superposição de competências, redistribuição da receita tributária, reordenamento do Estado, adequação de estrutura e instrumentos legais para distribuir carga tributária entre os setores da economia e aliviar a carga sobre o trabalhador: seja no consumo e seja no salário.
Esta é a melhor maneira da classe política devolver credibilidade às instituições democráticas, superando a consciência difusa entre a população de que todos os recursos subtraídos através dos tributos acabam alimentando uma burocracia inepta e uma classe política submetida aos interesses da acumulação, quando esta não tenha apenas como horizonte sua própria sobrevivência nos palácios.
A batalha contra a corrupção tende a monopolizada o debate público. Os representantes do povo deveriam estar atentos com o dano colateral provocado pela obsessão. Isto cria uma instabilidade política, podendo vir a se generalizar no país, e, ao mesmo tempo o excesso de moralismo, sufocar a democracia.
Os eleitores têm muitos motivos para estar descontentes com seus líderes, pois maldiçoar a corrupção anima as expectativas irrealistas dos cidadãos com respeito às medidas necessárias para melhorar a sua qualidade de vida e para colocar o país no caminho da prosperidade (o próprio presidente Lula já afirmou que ela é a causa da pobreza, ledo engano). A impaciência do povo exacerba a convicção de que todos os políticos detentores de poder estão enchendo a sua carteira e assim abreviando o tempo que os governantes têm para a obtenção de resultados sociais efetivos para a população.
Uma reforma tributária justa poderá trazer uma grande contribuição pública e não simplesmente um desnecessário repasse de dinheiro público para os partidos. É preciso ir aos problemas reais, capazes de alavancar a economia que se encontra estagnada há anos e acionar o Ministério Público como garantia da aplicabilidade da Lei.
Por isso, precisa-se ter magistrados honestos e independentes e um sistema de instrução pública eficiente e não por mera prescrição de leis.
JOSÉ MARIO ANGELI é professor de Filosofia na Universidade Estadual de Londrina
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





