Falta política rural consistente

Edson Neme Ruiz
  Muitos produtores rurais estão vivenciando momentos de incerteza ante o plantio da safra 2005/2006. Se não bastassem as adversidades enfrentadas no primeiro semestre deste ano, com a desvalorização cambial e a estiagem que atingiu os Estados das regiões sul e sudeste, o homem do campo luta para sobreviver com a falta de uma política agrícola consistente e as constantes ameaças de invasões de terras.
  Para agravar a situação, artigo assinado pelo ex-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Chico Graziano, aponta que esse órgão, que deveria se ater às suas atividades de praxe e ser apaziguador, está sendo causador de mais insegurança no campo, pela denúncia de que manipulou laudos oficiais. Com dificuldade para desapropriar as grandes propriedades, que se tornaram produtivas, técnicos do Incra taxam fazendas exemplares como improdutivas. Por esse meio, estão provocando pânico no setor.
  Outro obstáculo para o produtor rural é a obtenção de recursos de financiamento agrícola perante as instituições financeiras oficiais. Para conseguir aval da agência bancária o agricultor está sendo obrigado a dar outras garantias, além do imóvel rural. Ou seja, as exigências extrapolam aquilo que deveria ser praticado e se estendem aos bens móveis. Enquanto isso, instituições como o Partido do Trabalhadores conseguem recursos para a aquisição de equipamentos eletrônicos sem serem obrigadas a passar por situações semelhantes.
  Em nenhum momento defendemos privilégios para este ou aquele requerente. Mas é inadmissível que seja tratada dessa forma uma classe que há anos mantém o superávit da balança comercial, é responsável por 38% dos empregos no País e, principalmente, a que coloca o alimento à mesa dos brasileiros.
  Por isso conclamos os associados da Sociedade Rural do Paraná e os agropecuaristas em geral a, juntos, debatermos ações de cobrança das autoridades, nesse sentido. Uma oportunidade para esse encontro poderá ser a 3ª Eurozebu, feira técnica promovida pela entidade e que se inicia hoje, no Parque Ney Braga.
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná e do Conselho das Sociedades Rurais do Paraná


‘Alegrai-vos sempre no Senhor!’

Dom Albano Cavallin e
dom José Lanza Neto
  Nós bispos do Paraná - Regional Sul II -, juntamente com os padres e os representantes de toda a Igreja, estivemos reunidos em Curitiba, nos dias 24 e 25 de setembro, durante a 26ª Assembléia do Povo de Deus, por ocasião da celebração dos 40 anos de fundação e implantação da CNBB, Regional Sul II. A Igreja que está no Paraná vive momentos de alegria e profunda gratidão por tudo o que Deus realizou através dos bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, missionários e missionárias, e milhares de cristãos leigos e leigas, que a seu tempo e a seu modo foram instrumentos para que a história do amor redentor acontecesse na peregrinação da Igreja no Paraná.
  Durante a Assembléia os participantes puderam prestigiar o lançamento do livro ‘‘CNBB no Paraná e a história da evangelização’’. Esta obra procura discernir e agradecer a ação de Deus presente na história da Igreja no Paraná, desde o início, a partir da fundação do Regional Sul II, no dia 30 de setembro de 1964. Um olhar crítico e sério sobre a história nos faz reconhecer que além dos motivos de louvor é necessário pedir perdão. A mística que perpassou o período de fundação e implantação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e em particular do Regional Sul II, coincidiu com uma nova realidade mundial e brasileira onde novos desafios apareceram resultantes de governos de exceção no Brasil e América Latina. Pedimos humildemente perdão a Deus porque, embora a Igreja tenha sido a voz forte nos tempos difíceis da ditadura, nem sempre respondemos a tais desafios com sabedoria e profetismo.
  Acreditamos que no futuro, a Igreja do Paraná dará continuidade ao papel de estimular tanto o respeito pela variedade de carismas quanto a presença de um laicato organizado, atuando na transformação das estruturas do mundo moderno e nos Meios de Comunicação Social - numa profunda comunhão com Deus e com todos. Cremos numa Igreja: profundamente missionária, seja dentro da própria diocese, como também sensível aos apelos da Amazônia e além-fronteiras; samaritana, intensamente envolvida com os pobres e os excluídos; comprometida na defesa da dignidade da vida, desde a sua concepção até sua morte natural; empenhada na defesa do meio ambiente e na construção de uma cultura de paz, sem violência e suas variadas causas.
  Cabe-nos dizer uma palavra de encorajamento a todos, diante da conjuntura social e política que ora vivemos. Não podemos ser indiferentes à impunidade e à corrupção generalizadas a que estamos assistindo, ou nos deixarmos levar pelo desânimo e apatia. Ao contrário, sejamos vigilantes da justiça e promotores de uma reforma política. Recordamos que o mandato eletivo pertence ao povo paranaense e brasileiro e, por isso, não deve ser traído, sob pena de perdermos a própria soberania. Irmãos e Irmãs, permaneçamos unidos tendo o mesmo sentir e querer, renovados em nosso ardor missionário para que, também na história que a Igreja do Paraná escreverá nas próximas décadas, possamos anunciar e testemunhar que: ‘‘Jesus é Caminho, Verdade e Vida’’ (Jo 14,6) para a nossa vida pessoal, comunitária e social.
DOM ALBANO CAVALLIN é arcebispo de Londrina e DOM JOSÉ LANZA NETO é bispo auxiliar


- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup