ESPAÇO ABERTO
Cultura pela pólis
Idalto José de Almeida
Construir a cultura em favor da cidade - Cultura pela Pólis, tese guia em debate na 3ª Conferência de Cultura de Londrina, realizada no último final de semana, consolida um novo olhar ao pensar cultural em nossa cidade, já iniciado nas conferências anteriores. Finalmente a cultura está começando a sair da camisa-de-força da ortodoxia clássica. Não que esta seja a única visão para a cultura em Londrina, mas à medida que o mundo se torna mais complexo, as visões também se diversificam.
Parece lógico pensar o investimento público em benefício de todos, afinal o que é público é de todos. Porém, quando a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Cultura declaram o propósito de construir e publicizar seu compromisso com o interesse público pelo bem comum, o que está de fato acontecendo é a ruptura definitiva com modelos populistas e clientelistas ainda presentes na cultura política nacional e local. Outro aspecto importante a ser ressaltado é o entender o espaço público como: Aquele onde se dá a invenção do nós comum, em contraponto ao espaço privado, espaço de construção do eu individual, espaço da autonomia interior, da elaboração de si mesmo, segundo Teixeira Coelho, pesquisador, professor da ECA-USP. A cultura como política pública deve ser fonte geradora de melhoria na qualidade de vida do cidadão, com reflexo direto na saúde e no desenvolvimento socioeconômico da cidade.
Fiquei ainda surpreso e muito feliz com o status de Vila Cultural ao espaço Casa da Capoeira de Londrina. A Casa é gestada pela ONG Berimbau da Cidadania, que tem à frente, entre outros, mestre Anande das Areias, criador de uma nova técnica, um novo estilo e uma nova metodologia do processo ensino-aprendizagem da capoeira: a Capoeira Expressiva, uma das mais maravilhosas manifestações contemporânea da arte de capoeira no Brasil, que Londrina tem o privilégio de abrigar. Apesar do esforço do mestre Anande e dos socioeducadores envolvidos no projeto de estar abertos aos outros grupos de capoeira da cidade, penso ser importante a Casa de Capoeira, enquanto Vila Cultural, intensificar novas formas de oportunizar o acesso e atrair os mestres de capoeira que traduzem outras linhagens da arte. Como sugestão, que tal convidar os mestres para realizarem seus batizados de capoeira na Casa?
Por fim, a 3ª Conferência estabelece avanços no processo de produção cultural de Londrina ao ratificar que a cultura política deve ser pensada, gestada, colocada em prática e refletida em instâncias democráticas, de caráter público e não-estatais: a Conferência de Cultura, o Conselho Municipal de Cultura, os Conselhos Regionais e as Câmaras de Segmentos Culturais. Na medida em que as instâncias culturais tomam decisões estratégicas, ganham experiência e constróem rotinas transparentes pelas quais orientam democraticamente os produtores culturais. Londrina é modelo nacional de cultura participativa. Londrina respira cultura. Parabéns Londrina!
IDALTO JOSÉ DE ALMEIDA é bacharel em Administração Pública em Londrina
Elevar o estado de consciência
Walmor Macarini
Tenho escrito isto, e me agrada voltar a dizer, que não devemos ser radicais imaginando que o mundo não tem conserto, porque neste exato momento uma considerável maioria de pessoas está trabalhando ou criando algo novo em benefício da humanidade. Apenas uma minoria caminha pelos desvios e causa seus estragos. Que às vezes são grandes e por isso recebem tanto destaque no noticiário. Fala-se menos das boas notícias, por isso a aparência é de um mundo inteiramente caótico, mas esta não é a verdade. A situação geral não é exatamente a que vemos nos programas noticiosos da televisão e nas manchetes dos jornais.
Entre os seis bilhões e trezentos milhões de seres que habitam a Terra, uma imensa maioria trabalha, constrói coisas boas, pesquisa, descobre, inventa, criando e recriando fórmulas de vida melhor. Muitos são os pessimistas e acomodados, que por isso fazem apenas o rotineiro, mas eles não estão matando nem destruindo. E se há um grande número nessas condições, existem no Planeta homens e mulheres que abondonaram velhos sistemas e alcançaram um pleno estado de harmonia, prosperam nos seus campos de atividade e induzem outras pessoas ao mesmo caminho. São pessoas que não desejam a riqueza só para si mas para todos, e são felizes por isso.
Essas pessoas não abandonaram seus ideais e lutas no sentido de extirpar os males sociais, mas deixaram de maldizer, de competir, e abandonaram pesados fardos que teimavam em carregar. E não o fizeram por exaustão, mas por uma elevação da consciência. Um desses fardos era preocupar-se demais com os comportamentos alheios, avaliando-os e fazendo juízos. Essas pessoas livraram-se de fanatismos religiosos, afastaram idéias de demônios (tão citados por certos pregadores) e libertaram-se suficientemente dos egos. Já não dão ouvidos àqueles que eventualmente as insultam ou difamam, pois aprenderam que, odiando, sofriam muito e se aniquilavam por isso.
Preocuparam-se essas pessoas em crescer não só no sentido intelectual, pelo acúmulo de conhecimentos, mas buscaram acima de tudo a evolução espiritual, e a encontraram dentro de si mesmas. E assim descobriram que há sabedoria em tudo que existe debaixo do sol e além das estrelas. Passaram a estimar-se mais, e como tal perceberam-se mais estimadas pelos que convivem com elas. Deixaram de lamentar por bens perdidos e os doaram como tributo à vida e ao dom de compartilharem da aventura terrena. E assim, pela forma de valores diversos, passaram a receber tudo de volta.
Como já escrevi outras vezes, nunca se soube que alguém tenha se prejudicado por situar-se positivamente; por recusar-se à maledicência, à intriga e ao ódio; por perdoar ou, ao menos, não revidar; por agradecer sempre, a tudo e a todos mesmo, incrivelmente, àqueles que lhe causaram mal e por doar-se sem busca de recompensa ou reconhecimento.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





