ESPAÇO ABERTO
Onde está o inimigo?
Marcelo Favarão
Encaramos os outros produtores como inimigos. Torcemos para que eles percam suas safras, sofram com intempéries, furacões, alagamentos, etc. O inimigo do momento é o produtor norte-americano. E também é verdade que eles riem quando perdemos nossas lavouras. Mas a grande verdade é que o chamado inimigo não é somente o produtor estrangeiro. Todos se encaram como adversários. Não se engane. Os paranaenses querem que os mato-grossenses vão para o espaço, assim como os baianos, gaúchos, etc. Todos são inimigos uns dos outros.
Como presidente de sindicato rural vejo isto claramente. É muito difícil reunir os agricultores em prol de uma causa, mesmo que seja a dívida agrícola. Somos muito auto-suficientes. Enquanto nos degladiamos, alguns poucos que manipulam nossas mentes e mercados sempre têm e sempre terão lucros.
Sinceramente não torço para que os americanos ou quem quer que seja perca sua safra. Conheço muitos agricultores de lá e posso dizer que são pessoas como nós, que sofrem com a falta de lucratividade, sofrem com o descaso para com o campo. Achar que eles são felizes porque têm subsídio é um equívoco. A grande maioria tem vergonha de saber que sua atividade é tão ruim que precisa de esmola para sobreviver. Não sou contra subsídio. Seria hipocrisia de minha parte. Como posso ser contra algo que desejo?
Se não mudarmos nossa mentalidade de ver em nosso vizinho um inimigo, estaremos fadados ao sofrimento. Acredito que uma profissão tão honrada como alimentar o mundo, não pode ser rebaixada meramente a aves agourentas.
Se todos aqueles que produzem não podem ter uma lucratividade digna, sem que outros tenham que falir para isto, algo está errado. Será que não existem famintos no mundo? Existe excesso de comida? Olhando para o Brasil podemos ter a resposta.
Nosso presidente deveria ter freqüentado mais a escola, principalmente a aula de matemática. Se todos os brasileiros comerem três vezes ao dia, como é seu sonho, quanto de arroz e feijão precisaríamos produzir? Ou será que seria um fome zero com arroz uruguaio?
Sinto em dizer, mas nosso futuro não é promissor. Hoje a verdadeira batalha é para saber quem será o último a ser morto.
MARCELO FAVARÃO é presidente do Sindicato Rural de Campina da Lagoa (PR)
Manifesto ao povo brasileiro
Laelso Rodrigues e Paulo Maia de Oliveira
A Suprema Congregação Maçônica do Grande Oriente do Brasil, órgão de mais alto nível na condução dos assuntos de interesse da maçonaria, reunida nos dias 1, 2 e 3 de setembro, na Capital Federal, após deliberação interna, aprovou o seguinte manifesto à nação brasileira.
O Grande Oriente do Brasil é a maior Potência Maçônica do mundo latino, representando, no Brasil, a Maçonaria Universal, aqui instalada há 210 anos e responsável pelos grandes feitos históricos relacionados com o nosso país, tais como: a Independência, a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República e que, na época contemporânea, lutou pela sua redemocratização e propôs às autoridades constituídas do Cone Sul a criação do Mercado Comum Sul-Americano (Mercosul).
Hoje, diante da crise política que assola o país, cujo quadro que se constata é um dos piores da história do Brasil em geral e da República em particular, preocupando a sociedade brasileira, que está atônita, face à generalizada corrupção que está campeando no solo pátrio e, considerando, ainda, o sucateamento das Forças Armadas, o caos existente na saúde, educação e segurança pública, bem como o abandono da Amazônia, vem a público manifestar sua indignação e repúdio com o quadro caótico que estamos vivendo, exigindo:
A) rigorosa e imparcial apuração dos ilícitos praticados, com a conseqüente punição - seja administrativa, política ou criminal - dos agentes públicos ou pessoas outras envolvidas e responsáveis, em todas as esferas da administração pública; b) imediata reforma política, com regras claras e sem qualquer casuísmo a serem cumpridas por aqueles que almejam ocupar qualquer cargo eletivo; c) exigência da fidelidade partidária, eleição única em todos os níveis, financiamento público de campanha e implantação do voto distrital; d) respeito à propriedade legitimamente adquirida e à promoção de uma reforma agrária justa e responsável; e) destinação substancial de recursos às Forças Armadas e órgãos de Segurança Pública, visando a proteção da região Amazônica e segurança ao cidadão; f) extinção da prática do nepotismo; e, g) reaparelhamento dos serviços de saúde pública e destinação de recursos adequados para a melhoria do sistema educacional.
Finalizando, manifestamos nossa inteira confiança nas CPMIs instaladas, na certeza de que os ilícitos praticados serão apurados, com a conseqüente punição dos envolvidos e que as exigências acima mencionadas serão efetivamente atendidas, para o bem do povo brasileiro.
LAELSO RODRIGUES é grão-mestre-geral do Grande Oriente do Brasil em Brasília e PAULO MAIA DE OLIVEIRA é grão-mestre do Grande Oriente do Brasil/Paraná em Curitiba
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