Tranqüilizantes: impacto na sexualidade

Moacir Costa
  Nós sabemos que as inseguranças que enfrentamos no dia-a-dia, as constantes ameaças de desemprego, a violência, acabam se refletindo no estado de ânimo, muitas vezes gerando problemas de ordem afetiva e sexual. Vivemos num estado de tensão permanente que levam as pessoas a se exaltar com facilidade; brigam na rua, no trânsito, no supermercado, etc
  A compulsão por comida aumenta, como forma de compensar as frustrações e diminuir as angústias e isso passa a ser constatado pelo crescente número de pessoas obesas. E, o que é pior, as pessoas estão usando de forma abusiva os tranqüilizantes, os remédios para dormir, e até os antidepressivos como forma de resolver suas angústias.
  Com o passar do tempo os tranqüilizantes fazem a pessoa perder um pouco a noção da autoconfiança, passa a ter inexplicáveis reações de medo, e a ficar mais insegura; seus reflexos já não são os mesmos, e sua memória começa a ficar prejudicada, a ponto de esquecer os fatos ocorridos recentemente e não conseguir lembrar o nome de pessoas conhecidas. É importante alertar: se você está usando algum desses medicamentos, procure uma orientação psicológica além do acompanhamento médico que poderá ser feito pelo clínico geral, urologista ou ginecologista.
  O comportamento sexual de muitos casais após os 50 anos, acomodados pelos longos anos de convivência, tende a se tornar mais monótono, frustrante e agravado pelo uso dos tranqüilizantes e soníferos. A apatia sexual anula a vida íntima e já não é possível experimentar vibração e entusiasmo na vida a dois, pela ausência de carinhos e trocas afetivas.
  O processo de envelhecimento se mostra mais drástico e limitante em quase todos os setores da vida.
  É necessário reduzir o uso desses medicamentos com ajuda médica, psicológica e praticar atividade física, valorizar o lazer, retomar a convivência social e atividade ocupacional para se sentir útil e aumentar a disposição e interesse pela vida para não comprometer o bem estar e a qualidade de vida.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro ‘‘Mulher - A conquista da liberdade e do prazer’’ (Prestigio/Ediouro)
n Caro leitor caso tenha dúvidas sobre sexo, ligue grátis para 0800-770-6543-SP, de 2ª à 6ª, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br


O álcool também é droga

Ana Célia Almeida
  O alcoolismo de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) é uma doença biopsicossocial, espiritual, doença crônica e incurável. Ataca a mente, o corpo, o ambiente e o rendimento do indivíduo. As características essenciais são: dependência física, psicológica, tolerância e desejo. A bebida alcóolica faz parte do nosso cotidiano é aceitável socialmente. Não precisamos freqüentar um bar para entrarmos em contato com a bebida, basta observarmos os hábitos a nossa volta. É muito comum encontrarmos bebida em reuniões de negócios, festas sociais (aniversários, casamentos e inaugurações). Os meios de comunicação estimulam o consumo de bebida alcóolica.
  As pesquisas revelam que o alcoolismo tem iniciado cada vez mais cedo, em crianças a partir de 8 anos que convivem com os pais ou familiares alcoólatras. Na adolescência quando começam a freqüentar bares para tomar uma ‘‘cerve-jinha’’. Isto é apenas o começo, a porta de entrada para o consumo de outras drogas.
  Para se tornar alcoólatra, segundo o AA (Alcoólicos Anônimos), basta ingerir o primeiro gole, principalmente se no histórico de vida há predisposição genética hereditária. Todos nós sabemos os malefícios que o álcool traz a médio e longo prazo ao nosso organismo.
  No aspecto social, a pessoa necessita da bebida para relaxar, para perder a timidez e se auto-afirmar socialmente, ser mais aceito pelo grupo de amigos, descontrair-se no ‘‘happy hour’’ ou nos fins de semana. As conseqüências são desastrosas, brigas constantes, separações, perda do emprego, ausências freqüentes no trabalho, prejuízos financeiros, acidentes e toda forma de violência doméstica.
  No aspecto psicológico, o álcool atinge o sistema nervoso central, levando a perda dos reflexos, atenção, memória e raciocínio. Emocionalmente o alcoólatra é um indivíduo fragilizado, inseguro, imaturo, ambivalente (ama e odeia ao mesmo tempo), ciumento e egocêntrico. O alcoolismo pode levar à depressão, ansiedade e outros transtornos de personalidade e até mesmo levar o indivíduo a cometer homicídio, suicídio e outras formas de distúrbios e desvios de conduta.
  No aspecto físico, provoca vários sintomas, desequilíbrio na marcha ao andar, tremores nas mãos pela manhã. O álcool atinge todas as células de nosso corpo, afeta o organismo como um todo. As doenças mais comuns atacam o fígado, o pâncreas, o coração, os pulmões e os rins podendo levar à cronicidade e até a morte. Se o seu problema for com o álcool, procure ajuda o mais rápido possível para mudar de estilo de vida e se libertar do vício. Atualmente há diversos modelos de tratamento, desde AA (Alcoólicos Anônimos) e clínicas particulares especializadas.
ANA CÉLIA ALMEIDA é psicóloga em Londrina


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