ESPAÇO ABERTO
Noventa e seis anos do Cefet-PR
Roberto Bondarik
A Folha de Londrina publicou recentemente notícia referente à aprovação pelo Senado Federal da transformação do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-PR) em Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTF-PR), a primeira do Brasil. A UTFPR será a segunda universidade federal a atuar no Estado, a primeira é a UFPR (Federal de Curitiba). Aguarda-se a sanção do presidente da República.
O Cefet-PR iniciou sua história em 23 de setembro de 1909, tendo sido fundado com o nome de Escola de Aprendizes e Artífices pelo governo federal em Curitiba e em outras 19 capitais. Sua primeira missão foi ensinar ofícios profissionais para órfãos e meninos carentes tirando-os das ruas onde viviam da mendicância e de pequenos furtos. Eram oferecidos cursos de Alfaiataria, Serralheria, Marcenaria, Selaria, Pintura Ornamental e Sapataria. Essas eram as profissões do momento para o mercado naquele início de século XX. Foi o embrião dos cursos profissionalizantes que fizeram o futuro da instituição. Disciplinas de Instrução Elementar e Desenho Básico completavam a grade.
Em 1937 a escola passou a ser chamada de Liceu Industrial e em 1942 recebeu o nome de Escola Técnica de Curitiba e depois Escola Técnica Federal do Paraná em 1959. Em 1978 um decreto do governo federal transformou a Escola Técnica em Centro Federal de Educação Tecnológica, com a sigla Cefet-PR. Passaram então a ser oferecidos cursos superiores, Engenharia Industrial Elétrica e Tecnologia da Construção Civil, hoje são mais de 40 cursos superiores, mestrado e doutorado. O Cefet-PR possui hoje cerca de 13.500 alunos regulares, 1.330 professores e 580 técnicos-administrativos.
Em 1986, no governo de José Sarney, sendo ministro da Educação Jorge Bornhausen, foi criado o Programa de Expansão e Melhoria do Ensino de 2º grau com o objetivo de instalar escolas técnicas federais no interior do país. Assim o Cefet-PR deu início a sua expansão criando suas duas primeiras unidades no interior do Estado, com projetos aprovados ainda em 1986, em Medianeira e em Cornélio Procópio. Seguiram-se outras: Pato Branco, Ponta Grossa e Campo Mourão.
Em Cornélio Procópio, que passará a ser um dos campus da nova Universidade Tecnológica, as atividades de ensino tiveram início em 1993 e continuam até hoje atendendo mais de dois mil alunos da região. Cornélio Procópio e, em especial o Norte do Paraná, sua gente e sua economia ganharão muito com essa nova universidade que desponta na região. Esperamos que ela seja um fator positivo para a construção e o desenvolvimento de potencialidades, que auxilie na construção de novas oportunidades para todos. Que seja um compromisso materializado com o desenvolvimento regional.
ROBERTO BONDARIK é professor licenciado em História e docente do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-PR) em Cornélio Procópio
Brasil quer revolução sem sangue
Carlos Alberto Colli Monteiro
Brasileiros de todas as idades têm os mesmos julgamentos sobre políticos e política: A política é suja e os políticos, com exceções, não valem grande coisa. É unânime dizerem: Jamais participaria da política, o ambiente é ruim; não entraria num partido político, pois são todos iguais e mais parecem times esportivos onde num mesmo partido tem gente de esquerda, direita, e toda sorte de ideologias, quando partido na sua origem é parte de um todo.
Políticos vão se reelegendo e enganando os eleitores escondidos no voto obrigatório e na falta de fidelidade partidária, e atendendo seus projetos pessoais. Partidos devem congregar e representar correntes ideológicas: esquerda, direita, centro, conservador, liberal. Uma vez escolhido o partido, políticos devem defender com transparência suas idéias e não ter um discurso casuísta para cada tipo de eleitor.
Só nos resta quebrar paradigmas e exigir dos políticos, uma reforma de verdades, nada de financiamento público de campanha, pois a compra de cabos eleitorais e votos com caixa dois vai continuar. E não digam que a Constituição reserva o direito do cidadão entrar e sair de um partido conforme sua consciência, pois se isso for correto os eleitores têm o direito de ir ou não votar.
Vamos através da mídia exigir reformas como: voto distrital (elimina o fator dinheiro das campanhas, permitindo que um candidato chegue aos eleitores de seu distrito sem os gastos astronômicos do atual sistema e permite o eleitor fiscalizar os eleitos e nomeados no seu distrito); fidelidade partidária; e voto facultativo (engrandece o direito de cidadania e transfere responsabilidade aos eleitores que vão votar por interesse do País, Estado e Município, e não por uma promessa populista ou demagógica).
Essas reformas abrirão espaço a cidadãos de bem que ingressarão na vida partidária e política em todos os níveis, alterando o podre quadro existente hoje. Isso fatalmente vai diminuir o espaço daqueles que estão perpetuados no poder através do atual sistema, que só atende seus projetos pessoais como essa espúria lista pretendida que só os perpetuará no poder. Como não podemos depender de homens virtuosos, as reformas nos darão armas de cobrança e fiscalização dos eleitos e nomeados.
Todos somos políticos ou politizados em maior ou menor grau. Só participando vamos fazer uma revolução sem sangue no Brasil e legitimar nossos representantes. O exemplo está no Chile: nossos irmãos adotaram essas reformas, acabaram com a corrupção, a insegurança, orgulhosamente têm a maior renda per capita da América Latina e estão com um pé no 1º mundo. O ensino por si só não nos levará tão cedo a um estado ético. Veja que a Argentina está mais podre que nós, apesar de ser uma rica nação e de baixo índice de analfabetismo. Estamos cansados do voto útil. A falta de opções de candidatos mais éticos se dá pela falta de regras eleitorais a favor do povo.
CARLOS ALBERTO COLLI MONTEIRO é agropecuarista em Londrina
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