ESPAÇO ABERTO
Para não dizer que não falamos de espinhos
José Mario Angeli e Jozimar Paes de Almeida
Os professores das Instituições Estaduais de Ensino Superior do Paraná (IEES) interromperam um movimento reivindicatório por reposição salarial com o acordo desta reposição negociado e assinado entre reitorias e governo a ser pago aos docentes a partir de agosto.
O acordo foi alardeado pelas reitorias no momento em que o movimento docente, unificadamente, nas IEES caminhava para uma greve. Em virtude do anúncio, a Assembléia Sindical da UEL entendeu que deveria interromper o movimento confiando na ação dos reitores e do governo do Estado, até porque o governador fez questão de observar da necessidade do reajuste como uma forma de incentivar a permanência e a capacitação dos professores nas IEES.
Já se passou agosto e o acordo não foi cumprido, as reitorias ao menos a da UEL, afirma que a lei necessita de publicação no Diário Oficial do Estado para entrar em vigor (BN, 14/9). Segundo o Sindiprol não tínhamos chamado ainda uma Assembléia Docente até porque estávamos esperando uma resposta seja por parte da reitora, seja por parte do governo (A. 5/9). A leitura do Sindiprol é que o acordo foi para a Casa Civil e que está sendo questionado: sobre a fonte dos recursos e a interferência na Lei da Responsabilidade Fiscal.
Por que, depois de ter sido aprovado o projeto do governo de reposição salarial das IEES, ele tem que ir para a Casa Civil se de lá ele saiu? Será que as reitorias não perceberam, ao assinar o acordo, que o reajuste seria repassado somente após o projeto ter sido sancionado pelo governador? O que levou as reitorias a anunciar o acordo afirmando que o reajuste seria pago em agosto, e agora vir dizer que depende da viabilidade financeira do Estado? Teriam sido elas embrulhadas na negociação e agora estariam embrulhando a comunidade? Se a reposição é o resultado da mobilização da categoria e das entidades sindicais por que não são elas que assinam acordos com o governo?
Resultado, tendo tudo sido somado é sempre a comunidade acadêmica quem paga o pato. O governo diz que deu um reajuste de 18,50% para os cabeças ocas das IEES. As reitorias dizem que estão preocupadas e acompanhando atentamente o desenrolar dos fatos. O Sindicato diz que está alerta. Mas, até agora, nada de concreto. Ou nós nos mobilizamos e vamos para a luta, para um enfrentamento maior ou então iremos perder muito mais não só pelo minguado reajuste econômico em vista da magnitude de pelo menos, 60% de perda, mas principalmente em ganhos morais. Neste sentido, o Sindiprol precisa assumir um papel político que vá além das reitorias e do governo, rearticulando-se as outras entidades das IEES e mobilizando a categoria.
JOSÉ MARIO ANGELI e JOZIMAR PAES DE ALMEIDA são, respectivamente, professores do departamento de Filosofia e de História da Universidade Estadual de Londrina
A educação é a base de tudo
Altair Aparecido Galvão
É muito difícil escrever com exatidão os conceitos de educação. Um dos mais usuais, diz que é o ato de educar, orientar, acompanhar, nortear, mas também deixar aflorar as potencialidades individuais de cada um. Conforme Piaget, o desenvolvimento físico, assim como o mental, emocional e social de uma criança têm fases decisivas no período que vai de zero aos seis anos. Estudos comprovam ser nesse período da vida que se forma a maior parte das conexões neurais do indivíduo. Para os especialistas da área, creches com estruturas adequadas e profissionais especializados, são o espaço ideal para que esse processo de desenvolvimento aconteça. Além do mais, a educação pré-escolar tem por finalidade maior, oferecer a igualdade de oportunidades de desenvolvimento que toda criança tem direito, segundo a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O Banco Mundial, em conjunto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), concluiu que as intervenções de desenvolvimento da primeira infância permitem que as crianças pobres entrem na escola com uma base de desenvolvimento em equilíbrio com a de seus colegas mais ricos, quebrando assim o ciclo persistente de transferência de pobreza entre as gerações.
Apesar da importância da educação infantil acima explicitada, é muito pequena a parcela de crianças brasileiras que freqüentam creche. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2004, do IBGE, dos 11,3 milhões de brasileirinhos na faixa etária de 0 a 3 anos, somente 11,7% (1.3 milhão), têm acesso às creches. Ainda assim, apenas 8% dessas crianças pertencem a grupos de famílias com renda per capta de até meio salário mínimo.
Em junho foi encaminhada pela Presidência da República ao Congresso Nacional a proposta de criação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização de Profissionais de Educação), excluindo o financiamento da educação infantil de 0 a 3 anos. Essa proposta prejudica diretamente a formação da inteligência e da capacidade de aprendizagem de milhões de pequenos brasileiros.
Se fizermos uma análise mais aprofundada dessa proposta, concluímos que ela é bem pertinente com as intenções espúrias da classe política e da elite oligárquica que a mantém. Não tendo acesso à educação, o povo é mais facilmente manipulado e enganado. E com o dinheiro que se investiria nessa modalidade de educação, eles podem promover as falcatruas que sempre existiram, mas que agora estão ficando mais comuns: compra de votos, envio de dinheiro para o exterior, gastos nababescos com publicidade. Falando em publicidade, alguém consegue explicar a necessidade de se gastar tanto para fazer publicidade da Câmara dos Deputados, do Senado e, o que é mais estranho, de estatais que não têm concorrentes, como os Correios e a Petrobras?
ALTAIR APARECIDO GALVÃO é cientista social em Maringá
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





