ESPAÇO ABERTO
Momento de decisão para o PT
André Vargas
Quando vencemos as eleições para a direção do Partido dos Trabalhadores (PT) no Paraná em 2001, tínhamos uma série de objetivos: organizar o partido em todo o Estado, capacitar o PT para os grandes embates políticos do Paraná e promover o crescimento qualitativo e quantitativo do partido. Para atingir estes objetivos, fizemos uma administração participativa. Envolvemos as diversas correntes partidárias, com forte presença da direção no Paraná como um todo e procurando modernizar as relações administrativas e políticas. Com o esforço coletivo e de toda militância, creio que atingimos grande parte dos nossos objetivos. O PT paranaense é hoje uma das maiores forças políticas do Estado.
Nos últimos cem dias, estamos acompanhando graves denúncias envolvendo ex-dirigentes nacionais do PT, parlamentares de diversos partidos e do próprio governo. Mesmo reconhecendo erros de alguns de nossos dirigentes (já afastados), é forçoso afirmar que está em curso uma luta política odiosa e de baixo nível contra o PT e o nosso governo. Somente uma rigorosa apuração dos fatos poderá responsabilizar aqueles que cometeram erros. Mas é de uma hipocrisia inadmissível imputar ao PT a criação do caixa 2, um vício político que subsiste há décadas no país. A hipocrisia e a contradição chega a tão alto patamar, que enquanto o presidente do PT foi afastado por ter assinado um empréstimo com aval do então desconhecido Marcos Valério, o presidente do PSDB, senador Eduardo Azeredo (que também recebeu dinheiro do esquema Marcos Valério em 98), continua na presidência de seu partido. Onde está o clamor da opinião pública pela ética? Dois pesos e duas medidas?
Ser presidente do PT no melhor momento de nossa história tem sido gratificante. E agora, ao enfrentarmos a maior crise dos 25 anos do PT, nós, dirigentes e militantes, somos levados a uma profunda reflexão e uma coragem histórica para redefinir os métodos políticos e administrativos, reformulando a relação da administração partidária com os nossos milhares de militantes, com o nosso governo e com o conjunto da sociedade que sonha e luta por um Brasil mais justo e democrático.
Para construirmos esse futuro para o PT e para o Brasil, não basta debater as origens e a responsabilidade da crise. Alguns, inclusive integrantes do próprio PT, acreditam que é possível sair da crise sem o presidente Lula e sem a sua militância. Porém, negar o Governo Lula e abrir mão da militância petista é negar a própria história do PT.
Precisamos caminhar para a construção de um programa de atuação partidária que consolide o PT como força política no Paraná, através da formação e de um intenso debate político. Deveremos fortalecer o partido com uma chapa forte em nível estadual, federal, lançando uma candidatura petista ao Governo do Estado. O momento é decisivo para nós, petistas e também para aqueles que acreditam num projeto de esquerda para o Brasil. Neste dia 18, vamos escolher dirigentes municipais, estaduais e nacionais. Uma grande participação demonstrará nossa força no Paraná e no Brasil. Vote!
ANDRÉ VARGAS é deputado estadual e presidente do PT do Paraná##
Lições malufianas
Cláudio Marques da Silva
Maluf, o santo , está surpreso. Eu também estou surpreso pelo fato deste rico desonesto finalmente ter ido parar no hotel dos pobres. Sabemos que ele não preenche os requisitos sociais para decretação da prisão preventiva. Não é pobre, não é preto, não é analfabeto e não roubou nenhum rico. Maluf está abatido. Eu também. Estou abatido porque os milhões de dólares surrupiados dos cofres públicos ainda não retornaram ao Brasil, e não sabemos se isso ocorrerá. Não sei a razão, mas todo corrupto adoece quando é flagrado, porém, enquanto está na arte do ofício demonstra sempre exuberante saúde.
O corrupto Maluf não será exceção e, com certeza, adoecerá. Será o momento de escoltá-lo, devidamente algemado, até um posto do SUS e aguardar pacientemente na fila de espera pelo atendimento, caso os funcionários não estejam em greve. Aos poucos ele aprenderá que o dinheiro subtraído poderia ter sido utilizado para melhorar muita coisa neste país. O advogado de Maluf está revoltado com os policiais que utilizaram algemas, sem necessidade. Eu também. Considero isto uma afronta. Neste país, como sabemos, algema é um instrumento usado especificamente para conter pobres. Esqueçamos Maluf. Hoje, a incompetência na administração pública é de tal magnitude que quando o governante faz o óbvio, passa a acreditar que fez algo fantástico. É como a babá que quer receber uma gratificação por ter trocado a fralda do bebê.
Nas propagandas oficiais aparecem pessoas agradecendo o governante por ter feito a lição de casa. Não agradeço. Neste ponto sou extremamente mal-educado. Construir escolas, recuperar rodovias, contratar policiais, professores e médicos é uma obrigação. Fariam muito mais se gastassem menos em propagandas. Severino Cavalcanti, o íntegro, chegou a defender o impeachment do presidente Lula. Agora, com as denúncias do mensalinho, corre o risco de sair primeiro. Já vai tarde, é um político da pior espécie. No quesito honestidade a bancada do jabá está mal, muito mal. Voltemos ao Maluf. Ele era conhecido popularmente pelo slogan rouba, mas faz, alguns integrantes do PT, o ético, não fazem e roubam. Talvez, por isso, Maluf acredite que não fez nada errado e que sua prisão é uma grande injustiça. A cela de Maluf é pequena, mas ainda cabe Severinos, Janenes, Delúbios, Valérios, Silvinhos, Genoinos e Dirceus. Difícil será encontrar carcereiros dispostos a cuidar destes santos homens. As lições? O crime jamais compensará e rico desonesto também pode ser preso, ainda que tardiamente.
CLÁUDIO MARQUES DA SILVA é delegado de Polícia da Comarca de Nova Fátima (PR)
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