Rejuvenescimento ou transmutação?

Rosa Calland
  A nossa expectativa de vida tem aumentado muito. Acho muito saudável a pessoa cuidar da saúde e da sua aparência e, então, se sentir melhor, envelhecer se gostando mais. Mas diante da evolução da estética as pessoas não querem envelhecer, mesmo que isto nos custe a identidade. Esta fraqueza humana está sendo explorada comercialmente de uma maneira absurda e nós, profissionais de estética, estamos assistindo isto com muita naturalidade e passividade.
  Sou dermatologista e estou comemorando 25 anos trabalhando com estética. Fiz meu primeiro curso de cosmiatria (dermatologia estética) na Faculdade de Medicina de Buenos Aires em 1980 com o professor Alejandro Cordero Hijo, um pioneiro nesta especialidade. Gostei tanto que não parei mais. Vi nascer e acompanhei o crescimento da dermatologia estética e, com alguns colegas de São Paulo, fomos pioneiros, buscando aprender e trazer o que garimpavamos fora do Brasil informações que, na época, tínhamos muita dificuldade em obter.
  A dermatologia, então uma especialidade um tanto quanto obscura, cresceu tanto em função da estética que passou a ser chamada de ‘‘gata borralheira’’ da Medicina. Diante deste incrível crescimento e dos interesses econômicos que ela despertou, ficou difícil para o público, alvo de uma avalanche de informações da indústria envolvida nesta área, saber quais recursos realmente valem a pena.
  Fico muito angustiada vendo pessoas buscar soluções mirabolantes para seus incômodos, soluções essas que podem transformá-los em problemas. Gosto muito do que faço. Fico muito realizada com a felicidade da paciente diante de um bom resultado por sentir que contribui para isso, melhorando sua auto-estima, sem perder a identidade e sem se tornar cópias uma dos outras.
  Recursos como como botox, preenchimentos, lasers, peelings, cirurgias, podem rejuvenescer de uma maneira muito natural. Mas vamos querer aos 60 ter cara de 20? Não é uma loucura? E um pouco ridículo? Para conseguir isto, começam a fazer qualquer coisa que se pareça com um milagre, e vão se deformando, se transformando em alguém que se idealiza, diferente daquela figura envelhecida que aparece no espelho, que passou a ser odiada. Mais ou menos o caminho que trilhou Michael Jackson em busca de Peter Pan.
ROSA CALLAND é médica em Londrina, especialista em dermatologia pela da Sociedade Brasileira de Dermatologia e membro da American Society of Dermatology e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica


Impactos ambientais em sistemas urbanos

Fábio Rogério Ortiz
  A existência de um ecossistema pressupõe uma relação de equilíbrio entre plantas, animais, clima e solo. Implica também na auto-suficiência, ou seja, a existência de seres produtores, consumidores e decompositores. Sendo assim, a cidade não pode ser considerada um ecossistema, porque é um ambiente artificial, sem auto-suficiência, praticamente tudo que a cidade consome vem de fora. Além disso, ela também não consegue metabolizar os dejetos que produz. A cidade é apenas uma etapa consumidora do processo. É, portanto, um sistema especial, não um ecossistema.
  A poluição é um dos mais graves impactos ambientais do mundo contemporâneo, ocorrendo no ar, na água e no solo. Há três formas de poluição: introdução de elementos num meio em que tais elementos sejam presentes, embora naturais, causando desequilíbrios nas proporções tidas como padrão. Por exemplo: o aumento do dióxido de carbono na atmosfera; introdução de elementos naturais, mas estranhos ao meio, causando desequilíbrios. Por exemplo: derrame de petróleo no mar; e introdução de elementos artificiais e tóxicos num determinado meio, contaminando-o, envenenando-o e, conseqüentemente, causando desequilíbrios. Por exemplo, o lançamento de uma série de substâncias tóxicas no ar, nas águas e no solo.
  A poluição do ar consiste no lançamento de toneladas de gases e materiais particulados, muitos deles tóxicos, na atmosfera, tais como monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO2), metano (CH4), chumbo (Pb), poeiras industriais, etc.
  O efeito estufa, ao que tudo indica, é causado pela elevação do índice de alguns gases na atmosfera, como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), que têm a propriedade de absorver calor, provocando a elevação da temperatura média do planeta. A chuva normalmente possui baixa acidez. Portanto, quando se fala em chuva ácida, está-se falando de uma elevação anormal da acidez como conseqüência do lançamento na atmosfera de óxidos de enxofre (SOx) e óxidos de nitrogênio (NOx).
  A destruição da camada de ozônio estratosférico ocorre como conseqüência da grande emissão de CFC (Clorofluorcarboneto). Esse gás, a baixíssimas temperaturas, transforma-se em cloro ativo (Cl2), que por sua vez, destrói parte da camada de ozônio. Isto é muito sério, porque o ozônio estratosférico tem o importante papel de filtrar perigosos raios cósmicos, com destaque para os raios ultravioleta emitidos pelo Sol que, do contrário, atingiriam a Terra.
FÁBIO ROGÉRIO ORTIZ é mestre em Agronomia e professor em Londrina


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