Os amigos do PT

Amélio Dall’Agnol
  No dia 20 de julho, comemorou-se o Dia Mundial da Amizade, que rima com solidariedade, bondade ou caridade. Mas quase nada se escreveu sobre tão importante virtude. Certamente porque, assim como eu, a população não tomou conhecimento que havia um dia para comemorar a amizade e, também, porque ela não está sendo muito vista por aí.
  Embora com certo atraso, nunca foi tão oportuno comentar o tema. Amizade é uma mercadoria em falta nestes tempos bicudos, onde o que menos se vê são atitudes altruístas de pessoas pensando e agindo em favor de outrem. Ao invés disso, assistimos à busca inescrupulosa e desenfreada do benefício próprio, muitas vezes de parte de quem já tem mais do que precisa, mas não abre mão da possibilidade de ter mais.
  Assistindo de camarote a saga da cúpula petista e seus amigos de partidos aliados, depois dos recentes acontecimentos, não posso deixar de pensar nos amigos deles. Quantos sobraram depois do vendaval que os desnudou? Certamente poucos, porque, segundo ditado popular, o vencido tem poucos mas bons amigos, que aparecem quando o resto do mundo desaparece. O vitorioso é quem tem muitos amigos. Na verdade, tem falsos amigos, que em essência, são os piores inimigos. São bajuladores, atraídos pelo único propósito de usufruir das benesses que a posição do amigo lhes poderá proporcionar e que desaparecem ao primeiro sinal de fraqueza do amigo.
  Amigos verdadeiros são coisa rara. O verdadeiro amigo é aquele que sabe a sua canção preferida e pode cantá-la quando você tiver esquecido a letra, ensina um provérbio chinês, que, ademais, acrescenta todos ouvem o que você diz, os amigos escutam o que você fala e os melhores amigos prestam atenção ao que você não diz.
  Lee Iacocca, o maior executivo da indústria automobilística norte-americana relatou, certa vez, que seu pai lhe dissera: quando você morrer, se tiver feito cinco amigos verdadeiros, então você teve uma vida notável. Os verdadeiros amigos são tão raros, que permitiu à sabedoria popular concluir: ‘‘Eles são a forma que Deus encontrou para cuidar de nós’’.
  A propósito, cuide bem de uma amizade verdadeira, pois ela é como a saúde perfeita, seu valor raramente é reconhecido até que seja perdida (Charles Colton).
AMÉLIO DALL’AGNOL é engenheiro agrônomo e Pesquisador da Embrapa Soja em Londrina


Auditoria na administração pública

Fernando Gonçalves Marques
  Não precisamos de bola de cristal para saber que, nos próximos dias, corrupção e má-administração pública estarão no centro das atenções. Também não nos surpreendemos quando, após uma natural alternância de poder, os atuais governantes são acusados de má-gestão pelos antecessores, que por sua vez são acusados de entregar uma máquina falida. São infindáveis discussões, mas que não revelam a situação em que se encontram órgãos federais, estaduais e municipais.
  Sabemos hoje quem são Delúbio Soares e Marcos Valério. Mas quem tem consciência de que as despesas não-financeiras da União cresceram 57% de 1995 a 2004? Este é o cerne da questão e a pergunta principal ainda não foi feita: onde está a auditoria? Esta seria a solução para garantir transparência plena à gestão pública e complementar a atuação dos Tribunais de Contas, limitados à averiguação de irregularidades só depois da ‘‘porta arrombada’’.
  O próprio Tribunal de Contas da União constatou que 90% dos prefeitos brasileiros desconhecem as leis de gestão da máquina pública. Mais um estímulo para debatermos a importância da auditoria preventiva nos projetos de políticas públicas. Apropriando-se de elementos da administração privada, uma auditoria evitaria falhas em controles internos e fraudes administrativas.
  Tendo mais uma vez a iniciativa privada como exemplo, uma auditoria incentivaria a aplicação de um amplo programa de Recursos Humanos, de forma a qualificar e motivar funcionários públicos. É desnecessário dizer que a contratação desses serviços deve seguir todas as normas de licitação, com a idoneidade necessária para alcançar a credibilidade da administração pública. A auditoria não substituiria os métodos de fiscalização estatal já existentes, mas seria uma ferramenta a mais para os gestores públicos.
  Lamentavelmente teremos de conviver por mais algum tempo a descontinuidade de poder, diretamente relacionada no Brasil à constante alternância entre governantes. No entanto, há uma clara da necessidade de mudanças. Cedo ou tarde elas terão de acontecer. Com órgãos estatais em estágio quase falimentar, transparência e profissionalismo deixarão de ser
‘‘interessantes’’ para se tornar ‘‘essenciais’’. Quiçá esses mecanismos ajudem a variar um pouco mais o repertório do noticiário político.
FERNANDO GONÇALVES MARQUES é consultor da área em São Paulo


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