Saúde sexualmente transmissível

Moacir Costa
  Tem sido bastante difícil para muitas pessoas reconhecer a importância da vida íntima e do prazer sexual na convivência dos namorados e, principalmente, dos casais com família constituída. Essa visão preconceituosa vem se reduzindo de forma lenta e gradual, por estar fortemente enraizada em nossa cultura, e o assunto sexo ainda é motivo de inibição, desconforto e vergonha.
  É muito mais fácil falar em doenças, desencontros, catástrofes, frustrações sexuais e doenças sexualmente transmissíveis, que falar de namoro, carinho, beijos, da saúde a da importância do bem estar e da vida saudável. Por outro lado, é importante salientar que muitas pessoas só conseguem se comunicar quando o assunto é problema, doença, sofrimento, gerando uma resistência muito grande em acreditar que seja possível viver com alegria e prazer. Isso cria um clima de negativismo bastante prejudicial.
  A OMS - Organização Mundial da Saúde -, órgão superior conceituadíssimo e respeitado em todo o mundo, reconhece e afirma a importância da vida sexual como um dos sinalizadores da saúde e do equilíbrio emocional do ser humano.
Esse reconhecimento estimula e encoraja os profissionais da área da saúde e comportamento a assumirem uma atitude mais franca e liberal diante dos problemas afetivos e sexuais.
  Nos últimos vinte anos, os debates sobre Aids e novas descobertas na área médica sobre as doenças que interferem na sexualidade, como os distúrbios cardiovasculares, o diabetes, a depressão, as drogas e outras desordens emocionais da vida moderna, sendo o stress a mais comum, são responsáveis pela frustrante e infeliz qualidade de vida, inclusive a sexual.
  Estamos vivendo novos tempos, onde é possível notar uma preocupação constante com a saúde e suas prevenções. O objetivo primordial de cada pessoa é identificar e afastar os fatores de risco que agravam as doenças e conseqüentemente afetam a sexualidade, e descobrir os melhores caminhos que possam ampliar o bem estar da vida a dois.
  Infelizmente, estamos habituados a ver o lado mais pessimista e medroso da vida. É necessário aprender a refazer as leituras sobre os nossos problemas pessoais e de relacionamento e verificar tudo aquilo que pode ser mudado ou não, e sugerir novas formas de interagir onde o foco principal seja a liberdade e o prazer.
  É hora de deixar de lado a timidez, os preconceitos e a vergonha e acreditar que é possível ser feliz quando a saúde pode ser transmitida pelas trocas afetivas e sexuais, e não permanecer dependente das preocupações relacionadas às doenças.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
n Caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2ªà 6ª, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br


Da ‘blindagem’ ao ‘impizzment’

Elias Mattar Assad
  Enquanto ‘‘impeachment’’ é um termo estrangeiro muito bem assimilado por nós, que significa impedimento, precisamos criar um neologismo que reflita situações inusitadas de incomparável e ilegal ‘‘tolerância político-administrativa’’, que a nação está letargicamente imersa.
  O ‘‘impedimento’’ está em nosso sistema, até hoje, dentro do espírito original da idéia importada, ou seja, é benfazejo para todos os interessados. Tornam-se públicos fatos escandalosos, como os que vivenciamos e, imediatamente, o parlamento, provocado por cidadãos ou por iniciativa própria, se encarrega de deflagrar um procedimento para impedir ou não o chefe do poder executivo (prefeitos, governadores ou presidentes). Se evidenciados seus pressupostos impede-se a pessoa de prosseguir no cargo, assumindo o seu substituto legal (já assistimos a esse filme). Se não for aprovado, prossegue a autoridade no exercício legítimo de seu mandato, dando-se o incidente por superado. Aliás, com plena legitimidade e de cabeça erguida, porque ungido pela decisão parlamentar. Porém, enganam-se alguns quando afirmam que ‘‘para isto precisaria o povo nas ruas’’, pois a lei não estabelece tal pressuposto (contrariamente, o impedimento é exatamente para evitar esses traumas institucionais).
  Outro engodo é quando afirmam que ‘‘as instituições estão funcionando bem’’. Afirmo isto porque, como advogado, faço defesas de alguns prefeitos processados pelo Ministério Público, em ações civis públicas, onde se pede ressarcimento do erário por acusações de desvios de menos de três mil reais (nem imputáveis diretamente a eles), com requerimentos de indisponibilidade de bens e inelegibilidade por até oito anos. Presenciei também essas questionadas, excrescentes e pirotécnicas ‘‘mega-operações’’ da Polícia Federal, batizadas com nomes exóticos, contra apenas algumas pessoas do povo. Onde estão tais ‘‘paladinos’’ neste momento nacional e quais ‘‘operações’’ teriam deixado de deflagrar?
  Não é apenas o nosso bom e simples ‘‘presidente operário’’ que, estrategicamente, está ‘‘fazendo de conta’’ que nada está acontecendo. Somos nós, e nossas incipientes instituições, que criamos essa ‘‘terceira via’’ a qual, me permito chamar de ‘‘impizzment’’ (oficina mental do neologismo: ‘‘pizza’’, ‘‘empizzamento’’, ‘‘impizzment’’), onde nem se instaura, nem tampouco se julga um impedimento
  O que resolveram denominar ‘‘blindagem’’ coloca o presidente na desconfortável e inexplicável condição de ‘‘meio culpado/meio inocente’’. Com nossa ‘‘criatividade de brasileiros’’ sem atinarmos para os residuais efeitos negativos, vamos comodamente institucionalizando o ‘‘impizzment’’. Afinal, o ‘‘impeachment deles’’ originalmente, só finaliza com culpado ou inocente e estava faltando a terceira hipótese (do ‘‘meio inocente’’) somente possível entre nosso povo.
ELIAS MATTAR ASSAD é advogado em Curitiba e presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas


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