ESPAÇO ABERTO
Uma luz e a amorosa presença de alguém
Silza Maria Pasello Valente
Atendendo a uma mãe que se queixava do baixo rendimento escolar de seu filho, ouvi algo que me fez refletir a respeito da conduta de pais e professores no processo educacional.
Dizia-me ela que o marido não se conforma com a falta de dedicação do filho aos estudos, pois julga que o menino possui todas as facilidades e não as aproveita. Contou-me também que o marido sempre repete a história de quando era criança/adolescente e morava na zona rural. Sendo assim, freqüentava as aulas de manhã, trabalhava na roça à tarde e, à noite, juntamente com os irmãos, fazia as tarefas escolares. Seu pai, que possuía baixa escolaridade, colocava uma lamparina no centro da mesa e sentava-se em uma cadeira vigiando/acompanhando o estudo dos filhos, levando-os a que se empenhassem ativamente com as atividades escolares.
Fiquei meditando a respeito desse relato e pensando que, talvez, o que falte ao processo educacional seja justamente uma lâmpada e a amorosa presença de alguém.
Lâmpada entendida como luz que possibilita compreender a criança/adolescente-educando em todas as suas facetas, como um ser multidimensional, em que razão, ação e emoção se mesclam, imprimindo características que necessitam ser olhadas e entendidas sob diferentes luzes e perspectivas.
Amorosa presença que exige de nós, professores e pais, essencialmente seres educadores, atitudes coerentes, competentes, comprometidas e seguras, no sentido de colocarmos em prática os eternos valores que dão à nossa sociedade seu caráter humano, regendo-a e dignificando-a. Valores como amor ao próximo, lealdade, honestidade, solidariedade, respeito, que, para ser assimilados, necessitam de nossos exemplo, atenção e proximidade.
A tarefa educacional é exigente, mas, acima de tudo, apaixonante. Para exercê-la não existem receitas, tratados que possam dar conta de nos indicar as atitudes corretas. Portanto, a orientar nossas ações, deve estar o entendimento de que cada ser humano, por nós educado, necessita de uma presença amorosa e de um iluminado olhar que busque compreendê-lo amplamente.
SILZA MARIA PASELLO VALENTE é doutora em Educação e docente do deparmento de Educação da Universidade Estadual de Londrina
Mediação escolar
Julieta Arsênio
Temos trazido para essa seção, alguns assuntos sobre alternativas de resolução de conflitos, ou seja, do processo de mediação.
Este processo nos é mais habitual quando tratamos dos conflitos familiares, porém, a mediação escolar já vem sendo aplicada nos processos educativos em diferentes níveis.
Algumas escolas se preocupam fundamentalmente em ministrar e atingir os objetivos do conteúdo programático, entendendo que tais conhecimentos prepararão seus alunos para a vida e o mercado de trabalho.
Outras, esquecem da formação personalística de seus alunos que, independente do conteúdo programático, faz parte do seu desenvolvimento isentando-se do mais simples compromisso educativo.
Outras não estão preparadas para enfrentar junto a esses alunos os conflitos que imperam entre eles, criando impasses nos relacionamentos interpessoais que acabam repercutindo no processo de aprendizagem.
O contexto familiar muito pouco tem contribuído na formação de seus filhos. Não basta oferecer uma boa escola. É preciso participar dela, inteirando-se da adaptação ou não deles nessa nova etapa de suas vidas.
Atualmente, algumas escolas vêm empregando a mediação escolar e ajudando seus alunos a resolver seus conflitos.
Sempre haverá disputas entre eles, desgastando-os emocionalmente. Com a mediação escolar, os estudantes aprendem habilidades como alternativas de resolução de conflitos para o resto de suas vidas.
Quando esta tarefa é compartilhada entre os alunos, os resultados são bons e os estudantes que aprendem as técnicas têm uma vantagem sobre os demais, promovendo assim um clima de respeito mútuo.
O mediador escolar deve atuar sem julgar, mas facilitar o diálogo entre as partes, habilitá-los na administração de suas próprias condutas para encontrar algumas soluções adequadas.
O processo de mediação escolar deve estar inserido desde a pré-escola, em cuja vivência far-se-á a aprendizagem de como se conduzir, desenvolvendo a capacidade de escuta, do diálogo, do negociar entre eles e de aprender a inteligência emocional na prática.
Revendo toda trajetória escolar, os conflitos que emerge dela, só uma solução é viável: implantar urgentemente a mediação escolar como processo de desenvolvimento na formação de seus alunos.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em Psicologia Jurídica, perita nomeada pelo Poder Judiciário e mediadora familiar em Londrina
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