A carta do jovem brasileiro
João Zogheib Fernandes

A corrupção no Brasil sempre foi ouvida falar. Na verdade fico feliz com a história recente (da qual faço parte) deste país. Já ouvi falar muito mal da corrupção que acontece por aqui. No entanto, ela não é nada mal. Na verdade, não se pode falar mal dessa corrupção, mais eficaz impossível! Engraçado dizer isso logo depois de dizer que faço parte e me orgulho da recente história deste país. Acontece que não há incoerência nenhuma nisso.
Ora, se nosso país é capaz de realizar um esquema tão grande de desvio de verba e mobilidade da alta classe (o mais puro baixo clero) da máquina administrativa do país - incluindo aí os ''quatro'' poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário e a imprensa - para atingir objetivos sólidos e planejados: o enriquecimento ilícito de organizações bem montadas, só não consideradas máfias porque máfias são muito discretas para assim ser chamadas.
Se somos capazes de realizar este grande feito que é o desenvolvimento de empresas, prefeituras e órgãos não-governamentais de maneira tão grande por debaixo dos panos, imagine quão grande seria este desenvolvimento se todos os planos fossem discutidos abertamente e sem riscos de grampos telefônicos?
Percebo que as pessoas ligadas a estas instituições sabem muito bem do que estão falando, sabem se comunicar nas entrelinhas e continuam tranquilas em relação a qualquer que seja o rumo de nosso país. Ou seja, continuamos ferrados, a organização não-governamental do baixo clero está mais que estabelecida em nossa sociedade.
Antes ou depois do PT? Antes muito antes. Digo, depois, muito depois. E óbvio, durante, muito durante. É poético? Ou patético? Quem, eles ou vocês? Nós. Todos. Patético enquanto se trabalhar por esta ONG ou deixá-la agir nas entrelinhas, na semimáfia. O que fazer? Admitir. Admitir a fragilidade humana em relação à ética, honestidade, responsabilidade. E admitir que apesar de fracos, somos capazes de dar exemplos.
Aí é hora de olharmos para os ídolos, se espelhar em grandes homens da história e do presente de nossa nação, de nosso planeta. É hora de rever e desenvolver valores. É hora de discutir parâmetro e a razão disso tudo. De lembrar das consequências, da violência, da criança que é estuprada, da idosa que é assaltada, do pai de família que é assassinado. E relacionar tudo isto ao Executivo, ao Legislativo, ao Judiciário, à imprensa, às empresas, às igrejas, ao terceiro setor, e onde mais existir instituições humanas corruptíveis. O preço da democracia é que nós somos os responsáveis pelo que está aí. E não o líder do momento. Aprendam isto conosco, com a minha geração 84, nasci nas Diretas Já!
É chegada a hora. Nós, jovens, queremos fazer acontecer, mas dependemos de vocês, senhores de 30, 40, 50, 60 anos ou mais, que estão com a mão na massa. Nós, trainées desta sociedade capitalista e informada, estamos ansiosos por respostas. E agora João, Marias e Josés?
JOÃO ZOGHEIB FERNANDES é estudante de Administração de Empresas na Universidade Estadual de Londrina

Vencendo a corrupção
Jonathan Menezes

''É melhor arriscar-se a provocar um escândalo do que calar a verdade''. (São Gregório, o Grande). A corrupção é uma das moléstias radicadas que mais afetam a humanidade atualmente. É um mal histórico, inerente à atividade humana nesse mundo. Diante das recentes (já não se pode dizer ''novas'') evidências de corrupção nos palácios de Brasília - a partir dessa casta cada vez mais desacreditada por si própria e por seus concidadãos, que é a classe política - poderíamos até precisar que essa é uma esfinge exclusiva dos níveis de poder político, o que seria um equívoco. Lamentavelmente, a corrupção está infiltrada nos diversos âmbitos da sociedade: privado, estatal, acadêmico, econômico, cultural, artístico e, para nossa vergonha, também no meio eclesiástico.
Ora, se até mesmo ''a Igreja'' (entenda-se por algumas igrejas) - a qual deveria ser agente, por vocação, da esperança crística para o mundo - se envolve em esquemas de corrupção, a tendência, com efeito, é que as pessoas a repudiem, e com ela também os valores mais fundamentais de sua pregação (nem sempre), a saber, a justiça, o amor, a fé e a esperança. Vivemos num mundo que nos impulsiona a depositar nossas esperanças no aqui e agora. Ao passo que ter esperança significa ''manter-se vivo em meio ao desespero'', parafraseando Henri Nouwen. Como Paulo, defendo que ''se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a essa vida, somos os mais infelizes de todos os homens'' (1Co. 15:19). Mas se, por hora, essa é a única vida que temos, como se desvencilhar de um quadro fatídico como o que vivenciamos?
Não há respostas nem soluções fáceis à erradicação desse mal, visto que ele é virulento e brota das mentes ambiciosas dos seres humanos. Está muito mais ''dentro'' de cada um do que ''fora'', por assim dizer. De modo que a proposta bíblica para se vencer a corrupção parte sempre de uma premissa ontológica: diz respeito ao ''ser'' uma nova pessoa pela graça de Deus, o que não tem nada a ver com ''ser religioso''. Por essa graça, Deus abre um novo caminho, não para a divinização do eu, como supõem os universalistas, mas para a libertação do ego, isto é, desse ''eu-centrismo'' que gera os pecados da existência. Pela graça, o eu não é recusado, mas é liberto da escravidão dos impulsos adulterados que ele mesmo provoca.
No Antigo Testamento, no livro de Miquéias 6:8, está escrito: ''Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e Andes humildemente com o teu Deus''. A prática da justiça continua sendo o principal antídoto contra a corrupção generalizada da raça humana. Enquanto houver pessoas que não se acomodam e jamais se calam, porém se mantêm acreditando e lutando pela justiça, viva permanecerá a centelha de esperança Divina nesse mundo. De tal maneira que a esperança não mais será ''a última que morre'', mas aquela que nunca morrerá.
JONATHAN MENEZES é estudante de Teologia na Faculdade Teológica Sul-Americana em Londrina

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