ESPAÇO ABERTO
Mulheres controladoras e autoritárias
Moacir Costa
Atualmente, as mulheres estão cada vez mais intransigentes em relação aos homens. A aproximação com eles tem sido muito difícil, à medida que muitas delas assumem uma postura crítica, chegando a desqualificar o parceiro. Outras nem permitem que o companheiro compartilhe do seu dia-a-dia. Esses padrões de comportamento têm sido motivo de debates intermináveis, principalmente entre as mulheres. Os homens têm demonstrado cautela e muitas vezes temor à confrontação, principalmente na área sexual que se tornou um verdadeiro vestibular para muitos deles.
Um ponto de vista muito valorizado, é que muitas mulheres passaram a dar mais importância ao sucesso profissional do que o relacionamento amoroso. Um segundo ponto é que os homens não estão conseguindo acompanhar e aceitar a escalada do crescimento feminino. Assim, ao atingir um status na carreira, elas se vêem no topo de uma pirâmide, mas nem sempre encontram parceiros no mesmo nível. A terceira hipótese remete à visão da figura feminina como símbolo de sacrifício e resignação. Isso quer dizer que elas tiveram mães predominantementes submissas, pouco valorizadas, cujos maridos tinham sempre a última palavra. Dessa forma, evitam assumir compromissos por medo de reproduzirem o modelo materno e reviver uma filme ultra conhecido.
Com as mulheres de gerações anteriores certamente foi diferente, pois faziam um voto sagrado de eterna obediência aos ditames da instituição o casamento é único e indivisível. A mulher contemporânea, por sua vez, vê o casamento como uma parceria ou mesmo um contrato de risco, de forma que a vida a dois se mantém enquanto trouxer benefícios materiais e afetivos para os dois lados. Mesmo assim, é muito grande a dificuldade para manter uma união, principalmente para as mulheres controladoras e autoritárias. Com freqüência, a falta de sintonia ou de afetividade faz com que elas concluam que a vida a dois é inviável gerando muitos problemas, tais como: mudanças de comportamento, dificuldade de convivência social e familiar e problemas sexuais.
Algumas se ressentem da falta de convivência e contato afetivo, mas não fazem nada para mudar essa situação. Permanecem em seus casulos, protegidas de qualquer contato íntimo. Isso pode incluir até o grupo de amigos. Com dificuldades de se relacionar o mais oportuno e conversar bastante ou ainda procurar ajuda terapêutica para encontrar a origem desses conflitos.
Na verdade, entre a aceitação passiva do papel tradicional de mulher e a declarada guerra entre os sexos existe muitas variantes e possibilidades diferentes de atuar da mulher. De qualquer forma, é fundamental que as mágoas se dissolvam para que novas emoções possam preencher a vida dessas mulheres que tendem a ser exigentes demais. A resistência decorre do fato de já terem estado no campo de batalha da vida a dois e saberem que isso pode machucar. Mas é preciso coragem para aprender com a experiência e jamais perder de vista a oportunidade de arriscar no amor outra vez.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
Maquiavel, Weber, política e ética
Francisca Vergínio Soares
Quais as relações que mantêm entre si ética e política? Este termo, de origem grega, polis, nos remete a cidade, no seu sentido cidadão, grupos de indivíduos, sujeitos de direito, que se unem para decidir seus destinos coletivos de forma democrática. Assim, a política se refere aos interesses gerais, mais precisamente aos interesses públicos, em contraposição àqueles da esfera privada, de decisão individual.
Já ética, vem do grego ethos e nos remete aos costumes, no latim, mores, daí também moral. Refere-se ao conjunto de costumes tradicionais de uma sociedade, que são considerados valores e obrigações para o comportamento de seus membros. A ética nos remete a valores vinculados à virtude e ao bem. Ética e política não são inseparáveis. Não separá-las implica em que a conduta do indivíduo e os valores da sociedade têm que ser coerentes entre si, porque é na existência compartilhada com os outros que podemos realizar a liberdade, a justiça e a igualdade. Baseia-se igualmente no caráter moral dos homens, como seres que escolhem seus destinos e podem fazê-lo conforme critérios que decidam por si mesmos.
Nesse sentido, a ética é concebida como educação do caráter dos indivíduos, para que seu comportamento seja moral, controlando seus instintos naturais, para orientar-se em direção do bem individual e coletivo. Para a democracia ateniense, a prática política era um ato pedagógico, de formação moral e inseparável da ética. A autonomia entre as duas viria de que na ética, uma ação é julgada independentemente dos seus resultados, devendo ser avaliada como boa ou ruim em si mesma.
Enfim, pensar estes conceitos a partir de Maquiavel, por exemplo, significa desassociá-los porque para ele os fins justificam os meios. Para Max Weber, ao contrário, ética e política, não se bifurcam porque este autor é categórico em afirmar que a ética da convicção e a ética da responsabilidade são qualidades indispensáveis para o exercício da política. É preciso chamar a atenção, no entanto, que essa dilapidação da ética na política não é recente, mas é uma práxis de sucessivos governos cujos integrantes, provavelmente preferem os conselhos de Maquiavel aos de Max Weber. A inominável crise política que atinge todas as esferas do poder atualmente mostra que ética e política são apenas conceitos vazios que pairam num plano imaginário, parecem distantes demais da realidade. Ética. Como torná-la material? Eis a questão.
FRANCISCA VERGÍNIO SOARES é socióloga, doutora em Ciências Sociais, docente do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina, ISBL e Uninorte
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