A ‘bandeira’ política que podemos empunhar

Shirleny Maria dos Santos Massei
  A Folha de Londrina e outros organismos vêm divulgando um pedido de socorro ao Hospital do Câncer que, tal como alguns de seus pacientes terminais, vem morrendo lentamente. Vemos, por outro lado, pulularem notícias escabrosas acerca dos escândalos ocorridos no governo ou no desgoverno, onde bilhões de reais foram escoados dos cofres públicos, num verdadeiro assalto ao cidadão. Tome-se como exemplo um dos contratos dos Correios, cujo valor, da noite para o dia, saltou de oitocentos milhões para quatro bilhões.
  No entanto, nós, que fazemos parte desta sociedade ‘‘desgovernada’’, que precisa que o Hospital do Câncer se mantenha vivo, já temos consciência que os governos, de maneira geral, estão mais preocupados com as ‘‘burras’’ de seus ‘‘comandantes’’ do que com o que acontece de fato com seus governados. Não se nega a nossa revolta por esta triste constatação, principalmente porque pagamos tributos acima do limite dos países desenvolvidos e temos, em troca, a miséria dos países subdesenvolvidos, especialmente no que diz respeito à saúde.
  Mas o que importa, então, neste desacerto que é o país chamado Brasil é a manutenção das estruturas já existentes, inclusive o Hospital do Câncer, não só por Londrina, mas em nome de uma imensa região que dele depende.
  Somente em 2004 o Hospital do Câncer de Londrina realizou 229.017 procedimentos. Em pacientes de Apucarana foram 11.198; de Arapongas, 11.963; de Cambé, 15.287 e assim sucessivamente. Acontece que este hospital precisa do auxílio de todos, porque sua despesa diária com pacientes internos é, em média de R$ 125,00 para cada um dos 130 leitos, enquanto o SUS lhe repassa R$ 20,00 por internação e em atraso. Tudo sem contar remédios e atendimentos ambulatoriais diários.
  O auxílio das empresas, substituindo algum percentual dos impostos dedutíveis por doação àquele hospital seria muito bem-vindo. Afinal, se não faz o governo, façamos nós de forma legal e moral. Talvez devêssemos visitar mais o Hospital do Câncer para ‘‘sentir’’ esta necessidade, porque, afinal, parece que ‘‘o que os olhos vêm, o coração sente’’.
  Lá poderemos encontrar as mais variadas condições econômico-financeiras e faixas etárias - de crianças a idosos - todos precisando da mesma coisa: que o Hospital do Câncer sobreviva. Eis uma
‘‘bandeira’’ política da qual, com certeza, cada um de nós terá orgulho de empunhar e sem medo de errar.
SHIRLENY MARIA DOS SANTOS MASSEI é advogada em Londrina


Sacrifício antes do prazer ou o contrário?

Nelson Martins Garcia
  O maléfico fenômeno coletivo, de comprar a prazo em prestações, é relativamente recente em nossa sociedade. Evite assumir dívidas para comprar necessidades adiáveis, ensinava-nos os familiares mais experientes. Mas isso não é mais verdade para o PT.
  Uma sabedoria popular facilmente explicada pela Matemática: é melhor o caminho do ‘‘sacrifício antes do prazer’’, que o inverso do ‘‘prazer antes do sacrifício’’.
  Por ironia do destino do socialismo dos espertos, o governo petista se aperfeiçoou na exploração desenfreada de um dos segmentos mais pobres da população.
  Como na propaganda do fumo, a propaganda enganosa do crédito fácil, deveria vir acompanhada de alertas sobre esse ‘‘assalto incentivado’’ aos incautos candidatos a eternos devedores.
  Este governo ao invés de patrocinar, com artistas de renome nacional, o crédito fácil consignado, deveria incentivar a poupança e o investimento. Qual é a razão para tanta propaganda do crédito consignado? Vamos oferecer ao povo, um grande programa de poupança programada, com taxa de juro de 2% am, sendo ainda menor que a taxa de 3,9% am, cobrada dos aposentados. A propaganda de taxa a partir de 1,75% am é enganosa, pois nunca é praticada.
  Qual a origem e o custo dessa abundância de dinheiro, oferecido em todos os canais de televisão? Seria um subsídio dos bancos aos aposentados e funcionários públicos? Certamente não!
  Em uma poupança programada com taxa de 2% am, um aposentado que disponha de uma prestação mensal de R$ 100,00 (um terço do salário mínimo), acumulará ao final de 36 meses, a quantia de R$ 5.303,43, calculada por um modelo de capitalização.
  Se esse hipotético aposentado quiser seguir o caminho do consumismo - primeiro o prazer e depois o sacrifício - e emprestar esse mesmo valor de R$ 5.303,43, com taxa de juro de 2,5% am em 36 vezes, quanto pagará de cada prestação? Com o mesmo modelo aplicado pelos bancos, a prestação fixa será de R$ 225,14. Essa prestação é mais que o dobro da prestação mensal que capitalizar a quantia mencionada. A diferença é o custo pela opção do consumo imediato!
  Como só o juro mensal com taxa de 2,5% am de um empréstimo de R$ 5.303,43, é de R$ 132,59, então com uma prestação mensal de R$ 100,00 o empréstimo é impagável. Somente uma infinidade de prestações quitará essa dívida! Digamos que o infeliz aposentado, quisesse correr o risco e pagar uma prestação mensal de R$ 132,60, um centavo a mais. Então a dívida de R$ 5.303,43 seria quitada somente em 370,08 meses ou 30 anos, 10 meses e 2 dias. Vejam a armadilha! Não há dúvida que essa política do crédito fácil consignado é conseqüência do famigerado mensalão!
NELSON MARTINS GARCIA é doutor em Matemática e professor na Universidade Estadual de Maringá


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