Três processos de cura

José Trigueirinho
  Existem basicamente três modos de buscar a cura: usar medicamentos e cirurgias próprios da medicina ou tratar-se por meio de técnicas da psicologia, o que implica reconhecer os próprios conflitos e resolvê-los em nível mental, emocional ou etérico-físico. Estes dois modos podem ajudar, mas são de fato efetivos só quando empregados simultaneamente com o terceiro. Este, não reconhecido por muitos, é conectar-se com os níveis internos do próprio ser e receber deles a energia que proporciona a harmonia e o equilíbrio. Com a vontade e com a mente, construímos aos poucos a ponte que nos levará a níveis profundos, onde a cura existe.
  Uma das causas das doenças físicas e psíquicas que acometem a humanidade é a matança de animais perpetrada continuamente. Os alimentos de origem animal, além de desnecessários para quem iniciou a própria purificação, dificultam o contato com os níveis profundos da consciência. Quando ingerimos carne, as energias mais sutis vêem-se impedidas de nos permear, porque nossos meios internos de absorção ficam obstruídos com esse material putrefato. Além do mais, quem se alimentar de carne colabora para a perpetuação do sofrimento humano, devido à lei do carma.
  Outro fator que dificulta a conexão com os níveis superiores é a ação egoísta: querer saúde para benefício próprio, por exemplo. Se almejamos a saúde apenas para nos sentir bem, tendemos a afastar os efeitos da doença. Então tomamos analgésicos ou fazemos uso de outros paliativos, sem enfrentar a causa da dor, portanto sem resolvê-la. Removemos os incômodos, mas sua raiz permanece, embora escondida por algum tempo. Outra é a situação quando queremos saúde para servir melhor, para sermos mais úteis. É então que as forças superiores do universo começam a atuar em nós, e realmente nos curamos. À medida que nos tornamos receptivos à vontade do Eu espiritual, ficamos cientes da necessidade de ajudar na cura do Planeta. Se harmonizamos nossa aura, pela qual somos responsáveis, estamos colaborando para a harmonização da aura planetária. Fazemos isso ao elevar a qualidade de nossos pensamentos, sentimentos e ações, ao purificar a alimentação, ao procurar ter um sono tranqüilo.
  Se nos voltarmos para o centro da consciência e perguntarmos qual é a verdadeira vida e o que se deve mudar para cumprir a vontade maior do próprio ser, sentiremos algo mover-se internamente. Ao perguntarmos ao profundo do ser qual é a meta de nossa vida, saberemos o primeiro passo a dar. E, à medida que formos obedecendo às indicações recebidas, outros passos nos serão mostrados. Não nos é pedido saltar grande distância de uma só vez, mas apenas aquela para a qual estamos capacitados. Assim, passo a passo, vamos caminhando para o nosso verdadeiro destino.
JOSÉ TRIGUEIRINHO é escritor, filósofo e mentor espiritual do centro de estudos Fazenda Figueira em Minas Gerais


Preces para Brasil e para os maus

Walmor Macarini
  Se apenas ficamos falando que as coisas não vão bem é porque estamos somente fixados nisso, sem atentar para o lado belo que também se descortina e que pode ser visto pelos olhos carnais e pelos olhos espirituais. Estamos de tal maneira impregnados de indignação com os fatos tristes que nos assolam que já não damos atenção a mais nada. Dessa forma, fazemos as coisas ruins tornarem-se piores. Só vemos os aspectos maus da vida porque temos sido amargos e estamos cultivando amarguras, sem olhar à nossa volta e não desejar enxergar as belezas que nos rodeiam.
  Nosso sentido mais profundo guarda as imagens das tantas dádivas que a vida nos eferece, mas fechamos esse portal e ficamos obscurecidos pela cegueira. O ato de viver é dom divino, que carregamos em nós, mas preferimos destilar ira contra duas dúzias de maus políticos, como se eles fossem a razão primordial de nossa existência. Só pensamos em punição para eles, para os delinqüentes, para os que nos intranqüilizam. Porque estamos envenenados pelo ódio.
  Mas não é o ódio a nossa substância. No fundo de nosso ser existem virtudes imensuráveis, que compõem nossa essência mais refinada, mas não visitamos esse lugar, preferindo dar vazão aos atributos da maldade, que, infelizmente, povoam nossa personalidade (não, porém, nossa essência) e que tão mais se robustecem quanto mais os alimentamos. Os sentidos nos traem, nos machucam, às vezes nos destróem, mas logo ao amanhecer do dia o que fazemos é dar-lhes a ração diária e carregá-la nas entranhas.
  Vivemos a maior parte do tempo praticando o culto às negatividades, enquanto nosso componente divino, que guarda tesouros, fica ali adormecido, e não desejamos de maneira alguma acordá-lo. Ao contrário, até esquecemos que ele dorme em berço dourado no mais rico aposento do nosso santuário interior. Não é nos calarmos diante dos acontecimentos, mas também não podemos viver envenenados. Há ódios demais em circulação. Ódio naqueles que discursam, ódio nos que escrevem, ódio nos murmurantes das ruas, ódio naqueles que pregam fazendo a apologia de demônios. Alguém precisa deter o furor dessa corrente, e bom que sejamos nós.
  Temos que elevar nossa consciência e colocá-la na consonância do sublime poder que repousa em nosso realidade maior e se conecta com as elevadas esferas. Não somos apenas os cinco sentidos, mas algo mais sutil, que transcende esse lugar comum da vida terrena. É preciso elevar nosso estado mental, abrir os olhos do corção e ver que é exatamente nos momentos difíceis que devemos irradiar sentimentos de amor, paz, harmonia. Ao invés de palavras carregadas de ira, por que não nos debruçarmos em prece? Em prece plena de sentimento para a paz do Brasil. Em prece para a redenção dos maus políticos, dos brutos, dos isensatos. Se amamos o Brasil, vamos fazer isso!
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


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