ESPAÇO ABERTO
Bancos precisam mudar
Geraldo Fausto dos Santos
O desenvolvimento tecnológico alavancou os lucros dos bancos no Brasil nas duas últimas décadas. Sabendo disso e pressionado tanto pelo mercado profissional quanto pelos patrões, o trabalhador bancário investiu em si próprio, fazendo cursos e se aperfeiçoando para acompanhar esta tendência.
No Paraná isto não foi diferente. Em 1999, segundo Estudo do Dieese, 65,06% dos bancários do Estado tinham curso superior completo e incompleto, ao mesmo tempo em que 32,55% tinham formação de segundo grau. Em 2003, o índice de bancários com nível superior saltou para 88,22% da categoria, enquanto apenas 11,31% tinham nível secundário.
Este crescimento, no entanto, não resultou em benefícios na carreira profissional, como era almejado. Os bancos fizeram pressões constantes para que seus funcionários se qualificassem sem, no entanto, terem contribuído para isto. Muito pelo contrário. Ao invés de pagarem auxílio educação aos bancários, eles impuseram a extrapolação da jornada de trabalho, dificultando os estudos, e criaram um clima de estresse nas agências com a ameaça constante de demissão e a exigência de metas absurdas. Melhorias salariais decorrentes da formação superior, nem pensar.
É justamente para mudar este cenário que a categoria bancária está se preparando agora para mais uma campanha salarial, onde será cobrado dos bancos não só melhorias salariais, mas também uma mudança na política de pessoal, para torná-la mais humana, e o cumprimento pelas instituições financeiras de sua responsabilidade social. Não podemos tolerar em pleno século 21 que as mazelas do capital selvagem continuem explorando bancários e clientes tão-somente para ampliar ainda mais seus lucros exorbitantes. Pelo que ganham e, principalmente, pelo que cobram dos correntistas, os bancos têm a obrigação de contratar mais funcionários para melhorar as condições de trabalho e oferecer atendimento de qualidade à população.
Como cidadãos que somos, vamos continuar insistindo para colocar em prática estas mudanças e forçar os bancos a ter um relacionamento mais correto com a sociedade, retribuindo a ela parte de seus ganhos, que pode ser através da geração de novos postos de trabalho e do incentivo à produção, investimentos estes que certamente contribuirão para o desenvolvimento de nosso País.
GERALDO FAUSTO DOS SANTOS é diretor-presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina
Os fantasmas da corrupção
Devaldo Gilini Júnior
Quem acompanha pela imprensa o desenrolar da crise, com os depoimentos intermináveis nas CPIs, as ''denúncias'' através de entrevistas, deve conhecer os seguintes nomes: José Carlos Martinez, Ralf Barquete, Celso Daniel, Toninho do PT. São os fantasmas da corrupção. Todos estão mortos, mas são citados como as únicas testemunhas dos esquemas responsáveis por milhões e milhões de reais do suposto mensalão e do caixa 2 nas campanhas eleitorais.
O próprio Rogério Buratti, que acusa o ministro Antonio Palocci (Fazenda) de receber R$ 50 mil por mês de propina quando era prefeito de Ribeirão Preto (SP), admitiu que não tem provas para confirmar o que disse à CPI. Sua única testemunha seria o ex-secretário de Fazenda de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto Ralf Barquete, já falecido, e que seria o responsável pelo repasse de recursos para o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. ''É muito difícil você falar de uma coisa, da qual você tem informações e não tem provas, porque a única prova é uma pessoa morta'', disse Buratti.
O deputado Roberto Jefferson (PTB/RJ), aquele que defendeu o presidente Fernando Collor até o fim, virou a grande estrela. Partiu para o ataque, quando percebeu que ia para a guilhotina sozinho. Ele cita o ex-deputado José Carlos Martinez, do Paraná, toda vez que fala em dinheiro do mensalão.
Outros falam que tudo começou com as mortes de Celso Daniel e o Toninho do PT.
Até o Collor citou o ex-governador Leonel Brizola quando ''revelou'' em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, que pensou em se matar logo após o impeachment. Segundo Collor, Brizola teria dito para ele ter coragem e ir até o fim.
Agora, vem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizer que não vai ser como Getúlio Vargas, João Goulart e Jânio Quadros - Vargas se suicidou, Jango foi para o exílo e Jânio renunciou. Diz Lula que seu comportamento será como o de Juscelino Kubitschek: paciência, paciência e paciência.
Será que os denunciantes e os denunciados não têm testemunhas vivas, que possam compravar o que dizem? Se o esquema de corrupção é tão grande assim pode ser que todos estejam envolvidos, por isso não há ninguém interessado em confirmar nada. Ou então todos estão mentindo, não têm provas e ainda por cima ficam usando os mortos como testemunhas. Senhores, por favor, deixem as almas em paz, porque de uma hora para outra elas resolvem aparecer e, aí, não haverá escapatória.
DEVALDO GILINI JÚNIOR é editor da Folha de Londrina





