ESPAÇO ABERTO
Viva Gaijin!
Célia Musilli
Só há uma maneira de comemorar vitórias: com a emoção. A premiação de 'Gaijin - Ama-me Como Eu Sou' no Festival de Cinema de Gramado é uma dessas notícias que entram pelo coração. O filme, que teve locações em Londrina, alimentou na cidade o sonho de fazer cinema, cinema de gente grande. Ontem, assistindo ao trailler pela internet, vendo na telinha o poeirão vermelho do Norte do Paraná, pensei que certos investimentos valem o preço da eternidade. As imagens de Londrina, a cidade cenográfica montada na Mata dos Godoy, nos remete à própria história da colonização e a sua configuração multiétnica, onde os japoneses têm o peso de uma experiência bem sucedida. Não seríamos o mesmo povo sem as 'batyans', os plantadores de verdura, os restaurantes que acrescentaram sashimi ao nosso angu.
Agora com a consagração de Gaijin com os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção, a passagem de Tizuka Yamasaki por Londrina nos devolve a sensação de que a cidade nunca mais será a mesma, porque no cenário cultural o cinema acaba de nos alimentar com uma realização. Não bastasse tudo isso, o filme ainda faturou o prêmio de Melhor Música (Egberto Gismonti) e de Melhor Atriz Coadjuvante para a londrinense Aya Ono. É a nossa 'batyan' premiada pelo talento. Mas pode ser premiada também pelo carisma e delicadeza de espírito, pela coragem de entrar para o cinema pela porta da frente, no alto dos seus 80 anos.
Fazer cinema não é fácil, sobretudo no Brasil carente de tantas coisas. Muitos não compreenderam porque o Município investiu R$ 400 mil na produção de Gaijin - e o filme, senhores, custou R$ 10 milhões - e com a demora do lançamento não faltaram críticas no lugar da compreensão das adversidades. Cinema é caro e demorado. É diferente de produzir um show para a feira - com todo o respeito aos shows e às feiras. Mas da experiência de Gaijin em Londrina fica a certeza de que o investimento em cultura nunca é supérfluo. Cultura é necessária. Cinema é documento. E Londrina nas telas é o melhor cartão-postal que a cidade poderia enviar ao mundo. O filme vai cruzar fronteiras.
O sorriso de Aya Ono, publicado na foto da edição da última sexta-feira na Folha, pode ser interpretado como um sinal da boa estrela que acompanharia 'Gaijin' em Gramado. Sabemos que as 'batyans' não riem à toa. E o filme chegou lá. Graças a inúmeros esforços, incluindo a política de audiovisual que cresce em Londrina e no Paraná. Não podemos esquecer sua importância e temos mais é que torcer para que outros filmes como o interrompido - por falta de verbas - 'Heróis da Liberdade', de Lucas Amberg, também tenham um final feliz.
Cinema, eu repito, é documento. E no País massacrado pelas manchetes tristes e graves dos últimos tempos, a vitória de Gaijin aparece como um unguento. A melhor parte do Brasil ainda é sua criatividade, sua arte múltipla, nos campos de futebol, nos palcos, nas telas do cinema. Não tem jeito, para mim a vitória de Gaijin é como a comemoração da Copa do Mundo: a notícia entrou pelo coração.
CÉLIA MUSILLI é jornalista e editora de Cultura da Folha de Londrina
Aplicabilidade da Lei do Desarmamento
Josiele Cândido Campos
O Brasil se prepara para o referendo que decidirá sobre o desarmamento. Tal estatuto visa a redução da criminalidade e os chamados acidentes ocorridos com as armas de fogo. Pesquisas demonstram que o Rio Grande do Sul é um estado que tem a população mais armada do país, fato este que deriva da autêntica necessidade que a população tem originária dos tempos mais remotos, visando a proteção de seu território, da sua família e da sua propriedade em situações consideradas de perigo.
Tal atitude já é muito antiga, mas a falta de tutela e defesa que deveria ser exercida pelo Estado, contribuiu para que inúmeras pessoas se armassem, buscando sua própria proteção, exercendo sua legítima defesa, a fim de proteger seu patrimônio. Essa atitude não coibiu a criminalidade, apenas fez com o crime se organizasse e o Estado, frente a isso, viu-se cada vez mais impotente, em situação de defazagem.
Cumpre salientar que toda lei é voltada ao cidadão de bem, tendo sua aplicabilidade nas pessoas honestas, pois as que são dotadas de deliqüência pouco se importam com o proibido.
A tentativa de resolução do problema do desarmamento desencadeará um outro problema, ou seja, aquele cidadão trabalhador e honesto que vai para o campo na calada da madrugada com o seu trator e equipamentos agrícolas os quais diga-se de passagem, além de sua utilidade, têm um grande valor comercial que desperta a cobiça dos bandidos , quase sempre possui uma arma de fogo a fim de resguardar o seu patrimônio.
Certamente, mesmo com a aprovação desse estatuto o agricultor não entregará sua arma, pois esse é seu escudo de proteção. Este cidadão sim, será penalizado e inconscientemente contribuirá com a corrupção do sistema de segurança pública, pois quando policiais baterem à sua porta querendo cumprir a lei, ele não titubiará em oferecer-lhes propina.
Assaltos à mão armada são cada vez mais freqüentes, sejam eles à noite ou até mesmo à luz do dia, os bandidos não se inibem por pensar que sua pretensa vítima poderá ter uma arma de fogo. Então o que ocorrerá quando estes bandidos tiverem a certeza de que suas vítimas não a possuem?
JOSIELE CÂNDIDO CAMPOS é estudante de Direito na Unifil
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