Sexo: silêncio ou timidez

Moacir Costa
  O silêncio na intimidade pode ser falsamente interpretado. Na maioria das vezes, é motivo de dúvidas e preocupações; raramente é um silêncio que expressa afeto e bem estar. É o silêncio da inibição, do constrangimento, da preocupação. Acontece muito com as pessoas que apresentam insegurança no seu comportamento sexual.
  É comum no homem angustiado, por não apresentar uma ereção vigorosa ou naqueles em que a ejaculação é muito rápida e na mulher que tem desejo sexual mas dificuldades em atingir o orgasmo. Mas o silêncio não é uma exclusividade das pessoas que têm disfunções sexuais, os tímidos também sofrem.
  Na maioria das vezes o silêncio tem relação com a timidez, a vergonha de falar sobre desejo e a inibição em manifestar suas fantasias. O casal, às vezes, perde a oportunidade de saber dos sentimentos e das inseguranças, perdendo a chance de crescerem sexualmente. Uma palavra, um elogio, algo que possa ser agradável deve sempre ser comunicado ao companheiro, funcionando como um estímulo excitante.
  O silêncio ou a falta de conversa na intimidade impede que as pessoas cresçam e que descubram o que é mais importante para o prazer. Quando ocorre uma dificuldade com o homem, principalmente em relação à ereção, a mulher, muitas vezes, fica quieta achando que é desagradável conversar sobre isso. Ela prefere o silêncio por que acha que falando vai causar um constrangimento maior e piorar o problema.
  É claro que nem sempre é oportuno falar no momento da falha. É importante achar um momento mais apropriado, e não esquecer que o silencio nessas circunstâncias é carregado de dúvidas e incertezas. A baixa da auto-estima é inevitável e um sentimento de tristeza passa a fazer parte do seu cotidiano.
  O silêncio também ocorre entre pessoas que estão vivendo uma situação confortável e tranqüila. Ainda existem mulheres que acham que demonstrar interesse ou falar sobre o prazer não é uma coisa apropriada para pessoas educadas em bases religiosas e ‘‘bem comportadas’’. O mesmo ocorre com certos homens.
  O casal deve desfrutar da liberdade entre quatro paredes. Na intimidade, lentamente vão descobrindo o que é mais estimulante, prazeroso e normal para eles. Aliás essa questão do que é normal ou anormal é motivo de dúvidas constantes. Anormal é aquilo que traz constrangimento, angústia ou mal-estar. O casal tem de descobrir na sua convivência, quais são os caminhos e as formas que levam ao prazer, respeitando-se mutuamente sem cobranças e sem fazer com que um se submeta aos impulsos e às necessidades do outro.
  A conversa franca e descontraída, provoca um clima de alegria e excitação que é fundamental para a satisfação do casal. A intimidade deve ser vista sempre como um parque de diversão e jamais como um campo de batalha.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro ‘‘Mulher – a conquista da liberdade e do prazer’’ (Ediouro)


Mentira ou verdade?

Ana Célia Almeida
  A mentira é o ato de enganar e iludir por palavras falsas, negações da verdade. O mentiroso é aquele que tem o vício de mentir e cai em sua própria armadilha; pois pensa que engana as pessoas, mas na verdade ele engana a si mesmo, entra em contradição e se torna vítima de suas próprias mentiras.
  O mentiroso é um indivíduo infantil e imaturo para aceitar a verdade, foge até de si mesmo; acredita que, ao iludir está conquistando as pessoas, mas não consegue enganar por muito tempo, e aí faz o papel de ridículo. É mais fácil mentir do que dizer a verdade, chega a negar que mentiu, por diversas vezes, sustentando a própria mentira.
  O mentiroso usa uma máscara, para se esconder, faz um jogo de faz-de-conta e fantasia para ser aceito. Ele tem medo de praticar a autenticidade, de ser ele mesmo, de ser rejeitado e não ter a aprovação e aceitação das pessoas.
  A mentira muitas vezes pode começar em nossas próprias famílias. Onde pais e filhos mentem entre si, escondendo a verdade um do outro e dessa forma conseguem se enganar pôr muito tempo. Não conversam sobre problemas e sentimentos.
  A mentira é um jogo de interesses e faz parte de nossa sociedade. Para obter privilégios e vantagens em todas as situações, é assim que as pessoas conseguem viver. Existem vários motivos e pretextos para se mentir: medo, insegurança, vergonha, poder, proteção da privacidade, evitar mágoas de quem gostamos.
  Quando as pessoas mentem entre si, perdem o respeito e quebra-se a confiança mútua, gera conflitos e destrói os relacionamentos. Por isso é um ato de coragem dizer a verdade.
  A verdade é a expressão máxima da dignidade humana. Ao dizer a verdade estamos sendo fiéis conosco mesmo. Passamos a nos respeitar com coerência e justiça; colocamos os princípios acima de tudo. E precisamos pensar, falar e agir em sintonia com a verdade.
  Devemos sempre dizer a verdade, por mais realista que ela seja. Assim podemos sentir mais segurança e ficarmos em paz com a nossa consciência, tranqüilos e sem culpa. Em algumas situações delicadas da vida e para pessoas sensíveis, precisamos tomar cuidado antes de dizer a verdade e prepararmos o momento adequado para darmos uma notícia, sem causarmos traumas emocionais, e não gerarmos conflitos futuros.
ANA CÉLIA ALMEIDA é psicóloga em Londrina



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