ESPAÇO ABERTO
Aos Collor e Lulla, o Brasil não lhes pertence
Sérgio Henrique Schmitt
Depois da indignação com a perda da esperança contra o medo, a reflexão. Esforço de buscar respostas na luz da reprodução humana e saber que projeto de corrupção é esse que veio do passado, persiste no presente e vai partilhar do futuro? Já que é quase impossível ter no país alguém distante das gerações que foram, estão ou virão corruptas, porque todos (até as exceções) querem seus privilégios cotidianos, com concessões éticas. Uns pedem bênção antes de dormir ao velho pai (ou à mãe), que enriqueceu na corrupção e proporcionou à família o acesso às melhores formações escolares aqui e no estrangeiro, pagas pelo dinheiro apropriado de erário público. Aí é simples o pulo: se insere na dita elite e, capacitado, entra no núcleo de poder, como vencedor da vida e pertencente ao grupo que rouba mas faz.
Também resgato conhecidos humildes, subordinados às condutas sociais e à falta de condições de sobrevivência, reproduzem o discurso do bem e praticam os deslizes diários. O argumento: ninguém é de ferro para sacrificar gente da família que é merecedora de benesse, e pela confiança pode fazer melhor do que desconhecidos - aqui também entra o puxa-saco, truculento e comedor de migalhas do poder, com potencial valia de laranja. A retórica é a mesma: praticam o erro e pegos na rapinagem choram, pedem perdão e se dizem arrependidos, entre me culpa e cadê o meu.
Esses representantes de pobres e ricos preparados no domínio econômico, são príncipes escolhidos para traçar o presente e o futuro do povo. Pessoas profissionalizadas no troca-troca, amparadas por tesoureiros (familiares, amigos e os iguais de ideologia partidária, credo e raça) são mantidas pelos labirintos da justiça brasileira, sempre temerosas com a classe subalterna, segundo elas indiscreta, que bate a língua nos dentes. Da hereditária capitania portuguesa à militância metalúrgica, amparada pela geração resistente à ditadura, existe a convergência. Neste funil entram a miscigenação sulista, o conquistador de fronteiras e as oligarquias, todos presentes na mídia nacional.
Dói saber que isso é jogo de cena, porque não interrompe a corrupção. Contra isso, só as reformas. No Judiciário, onde juiz é cidadão e mortal, passível de punição rápida e imediata quando corrompido, tal como Executivo e Legislativo corruptos. Ao colocá-los na cadeia igual ladrão de galinha, que devolvam os milhões roubados dos cofres públicos e assim abortar reprodução da orgia doméstica pelo recurso público e retornar o roubo à educação, saúde, habitação e demais direitos da população, sem politicagem dos três poderes. Estes, pelo imposto recebem grandes salários para fazer e não roubar. Basta, o momento é abrir caminho às novas gerações pela transgênia, eliminando a ciranda econômica que paga a corrupção, violência, droga, paraíso fiscal, seqüestro, propina, publicidade, assalto, pensão, etc. Colocar no canhão de ions partículas de vergonha na cara e contaminar células com respeito humano, gerando cidadão no rumo certo, sem os de sempre.
SÉRGIO HENRIQUE SCHMITT é jornalista em Londrina
Coração do mundo, pátria do Evangelho
Walmor Macarini
Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, é o título do texto psicografado e já conhecido de milhões, editado 67 anos atrás por graça da revelação de Humberto de Campos transmitida a Francisco Cândido Xavier. Obra nem de um e nem de outro, mas extraída pelo espírito do notável escritor brasileiro dos arquivos de plano mais elevado onde está guardada a história espiritual da Pátria do Cruzeiro, o Brasil. Falar disto é oportuno, pelo momento amargo que a nação brasileira vive. É preciso relembrar que nada acontece por acaso. Há um ciclo cármico se desdobrando e todos estamos envolvidos, assim como sempre estiveram envolvidos seres de grande luz Jesus capitaneando-os para a travessia deste vale de lágrimas.
Muitos imaginam que o Mestre galileu nada mais fez depois de sua ascensão, mas entre tantas das suas intervenções de auxílio ao Planeta para regenerar as forças dos personagens do drama terreno a mais notável para o Brasil foi Jesus elegê-lo o coração do mundo e a pátria onde florescerá seu Evangelho. Foi no último quartel do século 14 (cem anos antes do Descobrimento) que Jesus chamou elevados obreiros do plano espiritual e lhes pediu a benevolência do auxílio na grande obra redentora. Desde então os plantios e as colheitas vêm se sucedendo. Seiscentos anos do tempo linear da Terra são ainda pouco. As turbulências que vieram acontecendo, no Brasil, compõem os desígnios de expurgo e purificação na trajetória desse projeto, mas também muita coisa de pior foi poupada, para que essa nova ordem evangelizadora fincasse aqui a sua pedra angular e viesse despontando.
Jesus transplantou da Palestina para a região do Cruzeiro a árvore magnânima do seu Evangelho. A terra brasileira foi escolhida porque para aqui foi destinado um povo fraternal e generoso, cuja alma é a flor amorosa de três raças tristes. Seriam eles os índios sacrificados, os escravos e os degredados portugueses. Negros africanos, pela antecedente decisão dos seus espíritos embora na condição humana tenham, naturalmente, esquecido disso doaram-se para a fusão de raças e para sua contribuição material à nova terra, em forma de trabalho sacrificado. Devemos muita gratidão a eles. Provavelmente os tantos deles hoje reencarnados não o estão nos negros, podendo ser o contrário, ou seja, que muitos destes sejam os mercadores e usuários de escravos do passado. Tudo ocorrendo sem a marca da punição e sim o misericordioso e sereno processo de resgate cármico. É preciso então, pelo afastamento do racismo, evitar que novos carmas sejam contraídos porque há muitos dos mesmos personagens, e no mesmo palco.
Há toda uma legião de mestres invisíveis auxiliando na consolidação da Pátria do Evangelho. Mas é preciso que cada brasileiro compreenda e ponha em prática as leis fraternas e tenha consciência de seu compromisso individual nessa empreitada. Sem ódios, sem rancores, sem divisionismos, mas numa cruzada sadia e persistente, para que, no Coração do Mundo floresça o mais rápido possível a Pátria do Evangelho.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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