Jovem, a construção do protagonismo social

Márcia Lopes
  O mundo contemporâneo tem exigido da sociedade intensa reflexão e posicionamento em relação à juventude. O chavão juventude, futuro da nação tem sido rejeitado como tal. Os jovens, com razão, reivindicam ser protagonista da sua história, do seu tempo, e afirmam a capacidade de contribuição ao desenvolvimento do país e aos desafios atuais. Como agentes públicos temos o dever de respeitar e construir as possibilidades de execução de políticas para a juventude.
  Atualmente, 57 mil jovens, de 15 a 17 anos, participam de um importante projeto do governo federal. É o Agente Jovem, realizado em parceria com estados ou prefeituras com o objetivo de tornar esses adolescentes protagonistas da transformação da realidade. Os participantes recebem uma bolsa de R$ 65 e se comprometem a prosseguir nos estudos e participar de atividades de capacitação para atuar em suas comunidades. Até o final do ano, mais 53 mil jovens estarão inseridos no projeto.
  Também integram essa rede de proteção ao jovem em situação de risco social o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e o Programa de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (Sentinela). O governo federal conta ainda com o Pró-Jovem, destinado ao público de 18 a 24 anos, com objetivo de capacitá-los e prepará-los para inserção no mercado de trabalho.
  O esforço em defesa da juventude deve ser visto numa perspectiva integradora das políticas públicas. Atualmente, 17 milhões de crianças e adolescentes são atendidos pelos programas sociais voltados à proteção e promoção de famílias pobres, como o Bolsa Família.
  Outras ações e políticas atingem essa população, em ações de educação, saúde, cultura e esporte. É importante também destacar as iniciativas dos governos federal, estaduais e municipais e instituições não-governamentais para desenvolver projetos de geração de trabalho e renda. Esses programas fecham o círculo virtuoso do desenvolvimento, consolidando o caráter emancipador da rede de proteção social que estamos construindo para promover uma mudança da qual os jovens são grandes protagonistas.
MÁRCIA LOPES é ex-vereadora (PT) em Londrina e secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome


A experiência petista de poder

Marcio Luiz Carreri
  O Partido dos Trabalhadores é a perfeita tradução da maior novidade na cena política brasileira e da nossa história política. Oriundo da elite sindical do país, juntamente com a base social da Igreja Católica e intelectuais das universidades, serviu de abrigo a toda e qualquer ortodoxia ou heterodoxia política, do amplo campo que se convencionou chamar de esquerda.
  O partido foi de extrema competência ao capitalizar para si todo um sonho e conjunto de lutas para a modificação das estruturas e costumes do país. País este sofrido pelo uso privado da coisa pública, da plutocracia, da política cartorial, patrimonialista e clientelista, enfim, do lugar comum da política brasileira, do Nordeste ao Sul da nação. Mas talvez não tenha entendido, por absoluta falta de sensibilidade de análise, seu papel histórico.
  A associação com um pragmatismo assustador, com aqueles que o partido e a sociedade séria e os homens e mulheres de bem tanto lutaram contra, devido às suas práticas, não melhorou o outro, mas revelou este. Ledo engano analisar os problemas do partido com os recentes acontecimentos que inundam a mídia de péssimas novas, sua gênese é anterior. A via autoritária e a utilização desmedida da máxima maquiavélica por parte da cúpula do PT vieram com a sua guinada à direita e sua conseqüente vulgarização.
  Senão vejamos: a política de alianças, a campanha despolitizada do candidato Lula, o assassinato pouco esclarecido de Celso Daniel (prefeito de Santo André), a luta insana pela não-instalação de CPIs, a aliança com o PP e PTB, a criação do espaço de apropriação de cargos pela militância partidária não foram atitudes modernizadoras da política, mas apenas um lamentoso mais do mesmo, uma busca pelo e pela manutenção do poder sem um projeto para quando obtê-lo.
  O poder a qualquer custo não terá um custo pequeno para a sociedade brasileira, poderá vir a produzir um vazio ético e uma sensação de conformismo ou indiferença e afetará de sobremaneira o modus operandi da política, como um todo. Salvo o didatismo da experiência petista de poder, fadada a um lamentoso fracasso, restará ao partido juntar os cacos de si próprio, operação dolorosa que os responsáveis diretos por esta situação instalada não possuirão saldo moral para fazê-la.
MARCIO LUIZ CARRERI é mestre em História pela Unesp, professor universitário em Londrina e autor de ‘‘Agulha no Palheiro’’ (Eduel)

mockup