ESPAÇO ABERTO
Violência, imprensa e escola
Devaldo Gilini Júnior
Excelentes reportagens foram publicadas ontem pela Folha de Londrina. Na Folha 2, a repórter Ana Paula Nascimento destacou a chegada do projeto Folha Cidadania aos alunos do Ensino Médio Noturno do Colégio Vicente Rijo. A partir de agora, os estudantes passam a utilizar a Folha como material didático, ficando antenados com o que acontece no nosso cotidiano. Antes dedicado somente às crianças, o projeto vai ganhando espaço também entre os jovens, mostrando que imprensa também é ferramenta indispensável no processo educativo.
Outra reportagem de destaque foi publicada na página 1 do Caderno Cidades. A repórter Silvana Leão mostrou iniciativas de escolas para diminuir a violência. Estão percebendo que transformar a escola em um ambiente de saudável convivência, onde se aprende mais do que o previsto no currículo básico, e para onde se pode trazer a família nos finais de semana, é uma boa receita para diminuir os índices de violência e vandalismo entre crianças e jovens.
Contribuindo um pouco mais com essa discussão que a Folha de Londrina decidiu encampar quero acrescentar algumas idéias e aprofundar ainda mais o que escrevi em artigo anterior publicado neste espaço no dia 27 de julho. Não me arvoro um especialista neste assunto, mas pretendo abrir novos caminhos para que possamos entender um pouco melhor como se pode combater a violência através de ações de paz.
A idéia é que profissionais da área da educação organizem atividades sócio-culturais, esportivas, de qualificação para o trabalho e desenvolvam ações preventivas na área da saúde, aproximando comunidade, escola, pais, filhos, alunos e professores.
Algumas das atividades que podem ser realizadas nas escolas nos fins de semana são: dança de salão, oficinas de artesanato, jogos esportivos e cursos rápidos de informática, panificação, entre outros.
Aí vem a pergunta: quem vai dar esses cursos? Em São Paulo, existe o projeto Bolsa-Universidade. De um lado, o aluno sem recursos, oriundo da escola pública, consegue fazer uma faculdade. Do outro, o Programa Escola da Família, passa a contar com educadores qualificados nas atividades desenvolvidas nas escolas nos finais de semana. Uma idéia simples, mas muito eficaz.
A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo paga 50% da mensalidade do curso superior, até o limite de R$ 267, e a universidade ou faculdade parceira cobre o restante.
Soluções deste tipo podem ser implementadas em todo o País. Basta boa vontade, não somente dos governantes, mas principalmente da disposição de educadores e comunidade. As empresas podem participar, as entidades organizadas também. Vamos mobilizar um grande mutirão para que possamos dar mais oportunidades a todas as crianças e todos os jovens. Só assim vamos livrá-los das garras dos traficantes e do degradante mundo da violência. Afinal, manter as escolas abertas nos finais de semana não custa tanto assim. E o benefício é imensurável.
DEVALDO GILINI JÚNIOR é editor da Folha de Londrina
A auto-ajuda e a iluminação
Walmor Macarini
Temos escrito que o desenvolvimento da auto-ajuda não é o mesmo que iluminação. A primeira trata geralmente da busca de uma vida melhor, destacadamente nos negócios e nas relações humanas, pela via do aprimoramento pessoal e da ascensão social. Isto porém não dá a garantia da continuidade de um estado de sucesso e de felicidade, porque é preciso persistir nessa prática, sem interrupção.
Já a iluminação, quando alcançada, é uma conquista definitiva, sem retorno. Mas iluminação não deve ser confundida com crença religiosa, que não distingue fanatismo de força de fé e também não alcança a profundidade do real sentido de fé. A iluminação se opera pelo processo da meditação, que eleva a pessoa ao entendimento de que a divindade habita em si mesma. Não é algo estratégico como os ensinamentos da auto-ajuda, que são uma espécie de treinamento e visam o triunfo pessoal e o bem-estar, o que não é erro mas não conduzem ao autoconhecimento e à conscientização da relação do indivíduo com a sua dimensão transcendente.
As práticas da auto-ajuda, por si mesmas, não são necessariamente um caminho que leve à iluminação, mas podem abrir o campo nesse sentido. Já a iluminação significa o alcance de um grau de consciência que dispensa as práticas convencionais de auto-ajuda, porque desnecessárias.
Iluminação é o indivíduo atingir a compreensão de sua grandeza, como parte integrante da unicidade cósmica. Na entrada do Templo de Apolo, em Delfos, estava escrito: Conhece-te a ti mesmo (...e só então entre no templo). Os que primeiro não conhecerem a si mesmos não alcançarão conhecimento algum além do que rege sua vivência tridimensional.
Meditação é a pessoa ingressar no silêncio interior e no desligamento de todas as coisas, sem concentração rígida mas em comunhão serena com sua própria essência e a compreensão de que é um com Deus e que tem em si o poder imanente de Deus isto é o conhecer-se a si mesmo. Não será preciso pedir nada, porque todas as coisas já estão concedidas e dispostas. No silêncio plasmam-se as respostas que se busca para os problemas do dia-a-dia e também para as questões mais complexas da relação do homem com seu Eu Superior, a sua dimensão divina.
O dom da iluminação é atributo de todos, mas não será encontrado em parte alguma a não ser no interior de cada ser. Não é concedido nem por divindade e nem é encontrável em templos ou em livros, nem reside no intelectualismo espiritual este, em alguns casos, bem próximo do fanatismo dogmático. A iluminação precisa ser buscada e está facilmente ao alcance, porque habita na porção divina de cada ser humano.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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