ESPAÇO ABERTO
Bem-vindo ao mundo de Liliput!
Marcos Nalli
Todos nós, direta ou indiretamente, já ouvimos falar daquela famosa história do jovem que, após naufrágio em tempestade torrencial, acorda amarrado - e estupefato - com cordões. E sobre ele vários homenzinhos que trabalham em aprisioná-lo e a debaterem sobre o estranho gigante. Essa é a famosa cena da história Viagens de Gulliver, escrita por Jonathan Swift (1667-1745). O gigante é Gulliver, os homenzinhos são os habitantes de Liliput.
Vivenciamos algo parecido atualmente: certo espanto diante de coisas cada vez mais pequeninas que o homem pode fabricar. Algumas dessas coisas são tão pequenas que não podem ser vistas a olho nu. E, na verdade, são bem menores que as coisas microscópicas. Referimo-nos aos objetos nanométricos. Nano o quê? Os objetos nanométricos, ou simplesmente nanobjetos. Objetos tão pequenos, cujo padrão de medida é o nanômetro, isto é, um bilionésimo de metro!
Para termos uma noção do quão pequeno é tal medida, vale lembrarmos: em 1959, o físico e Prêmio Nobel Richard Feyman levantou a hipótese de que seríamos capazes de escrever toda a Enciclopédia Britânica na cabeça de uma agulha. Ora, a cabeça de uma agulha tem o tamanho aproximado de um milímetro. Um milímetro é um milhão de vezes maior que um nanômetro e mil vezes menor que um metro, e nós podemos ver.
Imaginemos agora que, por analogia, a cabeça de alfinete represente a medida de um nanômetro. Por equivalência, para termos um metro, necessitaríamos de um bilhão de agulhas enfileiradas lado a lado de tal modo que suas cabeças formassem, por analogia, um metro! Ou seja: um quilômetro de extensão!
Mas qual a importância de coisas tão diminutas? Por enquanto, podemos dizer que sua importância se mede pela extensão e pela engenhosidade e criatividade que a imaginação humana puder se valer. Com a nanotecnologia, a ciência e habilidade tecnológica de criar, manipular e lidar com os nanobjetos, o homem pode fazer de tudo, coisas boas e más. O homem pode fazer nanobjetos cuja finalidade consistirá em potencializar a qualidade de vida, com medicamentos mais eficazes e com efeitos colaterais drasticamente reduzidos. Poderá também construir vírus híbridos, nanobiomáquinas, com malefícios e perigos agigantados...
Entretanto, as promessas e perigos da nanotecnologia não devem ser fonte de nossos maiores e novos temores, mas um bom motivo de pensarmos eticamente as novas tecnologias em nossas vidas. Não amanhã; agora.
MARCOS NALLI é professor do departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina
Desamarre-se
Moacir Moura
Sabe aquele nó preso na garanta que seguramos por um certo tempo, sem poder falar? Aquela grande dificuldade real ou imaginária que achamos impossível de ser superada? Ou a diferença não resolvida com alguém que acabou virando mágoa e insiste em atrasar o nosso lado? Todas as coisas mal resolvidas ficam depositadas no nosso subconsciente. Algumas inclusive ganham vida própria, se movimentam e formam o que poderíamos chamar de o nó cego da vida, cujo crescimento nós mesmos alimentamos.
Quem não tem um determinado nó que impede o desenvolvimento da sua carreira nas áreas financeira, educacional, emocional e espiritual. Algo que está ali quase imperceptível, mas agindo livremente e trabalhando para roubar-lhe qualidade de vida. Desestabilizá-lo, se não tomar cuidado.
O primeiro passo é identificar claramente a origem das dificuldades que formam esse estranho nó. Fazer um diagnóstico completo dos hábitos negativos que desencadeiam montanha abaixo e formam as encruzilhadas da vida. Classificá-los por assunto, se possível, e anotar tudo num caderno. Ao analisar suas anotações, por certo vai concluir que pelo menos cinqüenta por cento das dificuldades são imaginárias, cuja materialização foi acontecendo ao longo do tempo. Pequenos problemas que foram crescendo e transformaram-se em paradigmas, modelos de vida para você.
Problemas catalogados, o passo seguinte é começar um grande trabalho para desatar todos os nós que atrapalham sua vida. Atacar com sabedoria e muita dedicação. Mas o atributo de maior importância aqui ainda é a coragem. Energia física e espiritual para enfrentar o que há muito tempo você vem postergando para amanhã. Outro detalhe de suma importância é a necessidade de jogar limpo consigo mesmo. Tudo o que aconteceu ou deixou de acontecer de bom ou de ruim na sua carreira ou na sua vida, existe um único culpado: você mesmo! Quando jogamos a culpa nos outros, estamos esticando a corda para nos amarrar e produzir mais um nó na escalada da vida.
Avançar tranqüilamente. Evitar novos nós já é um bom começo. Conhecer e exercitar o seu potencial, este é caminho para a solução. Sabemos que por trás dos hábitos negativos estão escondidas nossas carências afetivas. Na verdade, os nós são justificativas para compensá-las. Amar a vida com todo o fervor. Falar que se ama. Deixar o constrangimento de lado e dizer que ama a quem você ama. Pedir colo. Dar colo. Sorrir com os olhos, boca e coração. Ser, para depois ter. Fazer primeiro, para receber depois. Gostar de criança, ouvir os mais velhos. Ouvir a quem quer lhe dizer algo.
Desamarre-se. Experimente acreditar mais em você e viver de forma diferente. Respeito e autoconfiança. Logo vai esquecer as angústias e perguntar: cadê o nó que me perseguia há tanto tempo?
MOACIR MOURA é escritor especialista em gestão e motivação de pessoas em Curitiba ([email protected])
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