Política brasileira: Freud explica?

Nelio Roberto dos Reis
  Se Adolf Hitler não fosse impotente, não teria levado o mundo no caminho da segunda guerra mundial.
  Se Fidel Castro não fosse filho da serviçal, hoje Cuba seria livre e rica, recebendo como turistas 250 milhões de americanos ricos e sedentos pelo Caribe.
  Se Napoleão Bonaparte tivesse 10 centímetros a mais, não teria sido soberano da França aos 30 anos, não seria egomaníaco, não teria invadido a Rússia, destruindo um éxercito brilhante e conquistador.
  Se Lula tivesse estudado, não seria presidente da República, não tendo que provar nada para ninguém. Continuaria como bom deputado que foi, e não teríamos que assistir Genoinos, Dirceus e Valérios.
  Então por que Lula permanece mesmo tendo os seus assessores tomado atitudes que enrubeceriam o governo Color, sendo o tráfico de influências do Delúbio Soares, ex-teseoureiro do PT, superior ao de Paulo César Farias, o tesoureiro de Collor? Pelo simples motivo de não ter o saco roxo, não ter arrogância, nem ser prepotente e, acima de tudo, apresentar uma cândura angelical que não põe medo em ninguém.
  Mas o partido dele queria ser tão abrangente, poderoso e dominador que nem o ilícito quis deixar na mão dos outros. Agora dizer que o chefe não sabia, traduz uma falta de controle, omissão e fiscalização sem limites, sobretudo, incompetência!
  Então, por que os lobos que comem as pequenas ovelhas, independente dos cordeiros terem sujado a água que bebem, não o devoram? Pelo simples fato que ele seria o único ingênuo capaz de pôr a cabrita cuidando da horta e a raposa cuidando do galinheiro.
  Imaginem os brasileiros que nasceram na ‘‘era Color’’ e assistiram o governo Lula. Que idéia vão ter de política?
  Mesmo assim, o Brasil tenta sobreviver desgovernado, cruzado por balas perdidas, sem controle nas fronteiras que acessam drogas, desmatamentos criminosos na Amazônia, entre outros, e o povo brasileiro, como um naufrágo, se debate desesperadamente nas águas sem esperança. Quisera fosse um peregrino, assim pelo menos, pisaria em terra firme e com esperanças de chegar a algum lugar.
NELIO ROBERTO DOS REIS é doutor em Ciências e professor da Universidade Estadual de Londrina


A queda das máscaras

Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos
  Vivemos no momento político brasileiro uma situação no mínimo patética. As defesas que o governo e o PT tinham a oferecer não convenceram ninguém. É impossível aceitar a tese de que o senhor Delúbio Soares seria um ‘‘burocrata partidário mal-intencionado’’. Que ele agiria sozinho e que a cúpula do PT estaria longe de saber sobre dívidas e empréstimos mirabolantes. Ninguém de bom senso neste país, minimamente informado, aceitará que tudo fique reduzido a justificativas hilariantes sobre dólares transportados em cuecas no aeroporto de São Paulo ou em malas no de Brasília.
  A seqüência de episódios constrangedores envolvendo nomes conhecidos da República e os habeas corpus preventivos, além de nos indignar pela petulância, confirmam-nos o que legitimamente não desejávamos aceitar: a corrupção chega aos mais recônditos gabinetes e esferas do poder e dali respinga sobre gente que até ontem representava a esperança nacional de mudança. Não se sensibiliza mais este país com ‘‘cartas de arrependimento’’ de quem ‘‘sempre quis servir ao país e às classes trabalhadoras’’ recebendo aqui e acolá presentes de amigos, de forma desinteressada. Caem as máscaras dos que tendo de fato nascido pobres e humildes, não fizeram disso um ponto de honra e ultrapassaram em desmandos os que tanto criticaram.
  Onde está a oposição neste momento? Pergunto sem ofender. Necessitamos de respostas rápidas que contemplem saídas honrosas para a democracia e sem concessões a possíveis culpados. É o mínimo que o eleitor precisa. Repito o que muitos já afirmaram: a crise não é em si negativa. Ela desnudou pessoas, revelou esquemas, mas pode ser o fio da meada, que buscávamos há anos. O que sobrar dos escombros, será usado na imprescindível reconstrução do atual processo político. O ‘‘mensalão’’ é das tais oportunidades que a história coloca e que possibilitam mudanças às vezes maiores do que aparentemente alguém poderia imaginar. Falo de reforma política; de renovação do Congresso; do próprio sistema político brasileiro, moribundo há anos. Estou convicto que o Parlamentarismo daria respostas mais contundentes e rápidas à atual crise.
  Muitos surgirão hoje se dizendo traídos por este ou aquele parlamentar - ‘‘amigo de outras eras’’. Ontem estavam ligados umbilicalmente. A expressiva cifra dos empréstimos contraídos pela executiva do PT deve ser sim rastreada até ao final da linha. O pior pode não ter acontecido ainda. A revelação da corrupção endêmica, apesar do impacto que causou à nação e ao mundo, seria uma brisa, se comparada ao furacão que irromperia de um fiasco por muitos anunciado, no término das investigações. O papel dos partidos da oposição e mesmo de deputados sérios do bloco de apoio ao governo, e do PT, será o de resgatar com veemência a capacidade de sair do cooperativismo infame e punir os companheiros que denegriram a imagem do Congresso Nacional.
  As bravatas ou as acusações simplórias de que existem conspirações contra o governo, ou intimidação das elites, perderam o fôlego e deixam no ar um rastro de anacronismo stalinista que acaba depondo contra os seus autores. A classe média hipotecou um apoio ao atual governo e temo que a retirada desse endosso venha a engrossar as fileiras dos que sem muita moral acusam agora o PT. Aí sim, a crise assumiria proporções indesejáveis.
MANUEL JOAQUIM RODRIGUES DOS SANTOS é padre na arquidiocese de Londrina


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