Cialis e ejaculação rápida

Moacir Costa
  Há 40 anos, ainda se acreditava que o ejaculador rápido era um verdadeiro atleta sexual, tão potente a ponto de se mostrar sempre excitado e pronto para o ato sexual. Á medida que os homens ‘‘funcionavam’’ dessa maneira, nem se discutia se a mulher estava satisfeita. Afinal de contas, o prazer feminino era o que menos importava.
  Nos últimos 20 anos as mulheres têm se mostrado mais preocupadas com seus parceiros que têm ejaculação rápida (ER), uma vez que elas dificilmente conseguem chegar ao orgasmo em um ou dois minutos.
  É importante identificar quando essa ejaculação rápida vem dissociada de inseguranças relacionadas ao desempenho ou à potência. O homem é capaz de manter ereção durante todo o período das preliminares, mas na hora H, o gatilho da ejaculação é disparado e a sensação de vazio e frustração tomam conta da intimidade do casal.
  Alguns estudiosos do assunto, acham que a ejaculação rápida é uma forma camuflada de disfunção erétil. Não se pode negar que um homem que tem ER, dificilmente passa dos 50 anos sem apresentar falhas de ereção. O acúmulo de frustrações e as queixas da parceira reduzem o interesse afetivo e sexual, aumentam as preocupações com o insucesso e a potência entra em queda.
  É lamentável, mas a maioria dos homens resistem muito em buscar tratamento, e dificilmente conversam com suas parceiras sobre suas inseguranças e o medo de fracassar quando solicitado. Eles tentam atenuar o problema procurando estimular a mulher de diversas maneiras para compensar a sua incapacidade sexual.
  Essa tentativa de compensar as frustrações da parceira não resolve, e o homem perde a oportunidade de aprender a receber toque ou carícias por todo o corpo, que poderiam leva-lo ao relaxamento, com chances de reduzir o estado de tensão e melhorar o controle ejaculatório.
  Quando não buscam tratamento, a insegurança desses homens faz com que eles tenham medo de perder a ereção nessas ocasiões e isso agrava a ejaculação rápida e aí o uso do Cialis pode devolver a confiança sexual, devido o longo período de atuação desse medicamento (36 horas) gerando um clima de descontração e o sexo sem pressa.
  O problema inicial da ejaculação, passa com o tempo a ser um problema do casal e a orientação psicológica focada na melhoria do vínculo afetivo e um reaprendizado, sexual associada ao anti-depressivo em dose baixa tem revelado bons resultados em quase 80% dos casos num período de até seis meses.
  É importante lembrar que a ejaculação rápida é um verdadeiro ‘‘desmancha prazer’’ na vida de qualquer casal.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro ‘‘Mulher a conquista da liberdade e do prazer’’ (Ediouro)


A mulher e o trabalho de meio período

Mary Neide Damico Figueiró
  Na Folha da Sexta do dia 15, a psicóloga Vilma Marchitiello fala de sua proposta de ‘‘criar um movimento de reforma no mundo feminino’’ e dá um conselho às mulheres: o de ‘‘brigar pelo direito de trabalhar meio período, por horários mais flexíveis, para poderem cuidar dos filhos, da casa, do marido, sem ficarem sobrecarregadas.’’ Sugere, inclusive, a possibilidade de opção pela dedicação exclusiva à família. Considera que ‘‘trabalhar fora é um péssimo negócio, por causa da dupla jornada de trabalho’’.
  A idéia do trabalho de meio período está longe de ser viável e dificultaria para que a mulher pudesse crescer profissionalmente, meta que tanto ela quanto o homem almejam. O mundo caminha para frente e necessita da participação de mulheres competentes, por isso, temos que pensar em alternativas eficazes. A primeira delas é lutarmos por remuneração mais justa, em todos os setores, buscando a igualdade salarial com relação aos trabalhadores do sexo masculino. Assim, aumentaria a possibilidade de a família contratar alguém para fazer os serviços domésticos e ajudar no cuidado com os filhos. Ao mesmo tempo, é preciso mais e melhores creches.
  Outra alternativa importante é, ao invés de se manter a mulher mais tempo dentro de casa, conscientizar o marido/pai para tornar-se mais participante, dividindo com amor e responsabilidade os cuidados da casa e dos filhos. Os filhos, de ambos os sexos, também podem aprender a cooperar. Mães e pais precisam educar novos filhos homens, de acordo com as exigências deste tempo moderno. Tudo isto é uma questão cultural e um processo de transformação de atitudes que leva tempo.
  A psicóloga Vilma afirma que, nas reuniões que fez com mulheres de 20 a 50 anos, a maioria se queixava da frustração e da culpa de não poder acompanhar o crescimento dos filhos. Penso que estes sentimentos se farão sempre presentes; parece difícil livrar-se deles, totalmente. É preciso amenizá-los e, possivelmente, o melhor meio é valorizar os ganhos que o trabalho fora de casa pode trazer para a relação com os filhos e até mesmo com o esposo. Quando os filhos têm em casa um exemplo de mãe que estuda e/ou é engajada profissional e socialmente, eles têm um ganho adicional, em termos de formação e de incentivo para a vida. Chamo atenção para o fato de que mesmo uma mãe que opta por não trabalhar fora pode significar, de outras maneiras, um bom modelo. Acredito muito que a mulher realizada pessoal e profissionalmente se reabastece de auto-estima e auto-confiança para exercer seu papel de mãe e esposa.
  É importante o alerta para que os filhos recebam mais amor, cuidado e educação, mas este alerta tem que ser feito aos pais e às mães e não a essas, unicamente. Asseguro que o próprio homem ganhará muito com isto, também.
MARY NEIDE DAMICO FIGUEIRÓ é psicóloga, doutora em Educação e professora do departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina


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