ESPAÇO ABERTO
O porto é nosso
Elza Correia
Irresponsabilidade. A aprovação do Decreto Legislativo na Câmara Federal que tenta federalizar a administração dos portos paranaenses só pode ser traduzida por esta palavra: irresponsabilidade. Num momento como o que vivemos - em que todos estão tendo a oportunidade única de refletir, discutir e repensar a política brasileira - elaborar e aprovar uma proposta destas é, certamente, fazer ecoar, sem constrangimentos, a crença na impunidade, na política vil, interesseira e inconseqüente; é manifestar completo descaso a dois de nossos maiores patrimônios, os Portos de Paranaguá e de Antonina.
A quem interessa a federalização? Quem seria beneficiado com a desvinculação do governo do Paraná de um dos melhores e maiores portos do Brasil? As receitas cambiais dos portos de Paranaguá e Antonina (obtidas através das exportações) dobraram nos últimos anos. Passaram de US$ 4,1 bilhões em 2002, para US$ 8,4 bilhões em 2004. Já a movimentação de cargas que em 2000 era de 21,3 milhões de toneladas, passou para 32,5 milhões no ano passado, o maior número alcançado na história destes portos, considerando que a capacidade portuária é a mesma.
Há ainda recursos em caixa para fazer grandes investimentos, como a construção do cais oeste - dependente apenas da permissão do governo federal; além do projeto de construção de mais um silo para cerca de 100 mil toneladas, trabalhos na dragagem, construção de novas correias transportadoras, entre outras ações que só vêm comprovar os resultados de uma administração bem sucedida, pautada na lisura e transparência.
Seria, no mínimo, ingenuidade não associar a federalização a uma posterior privatização e sucumbência às pressões das grandes multinacionais do setor. Nos últimos anos, o Paraná tornou-se referência na resistência ao plantio e exportação da soja transgênica, através de uma ação firme do governador Roberto Requião. Desde então, vem enfrentando fortes embates na tentativa de impedir que o pequeno agricultor se submeta à dependência e ao pagamento compulsório de royalties à empresa detentora da patente - a multinacional Monsanto, sediada nos Estados Unidos e assediante no Brasil.
Este embate ainda terá muitos desdobramentos. No entanto, temos ao nosso lado a confiança de todos os paranaenses que querem e acreditam na boa política; que saberão diferenciar interesses escusos e individuais dos interesses coletivos no ato de governar. Acredito que os senadores da República não haverão de referendar tamanha insensatez, mas é sempre bom ficarmos atentos. Tenho a certeza de que os incomodados com a presença do governo do Paraná na administração de nossos portos ainda terão que prestar contas ao Estado e a todo país por estas ingerências estapafúrdias. Saberão que, ao menos aqui, ninguém é ingênuo nem conivente com a política do balcão de negócios. Aqui, os paranaenses sempre seguirão defendendo bens maiores: a moralidade e a ética na vida pública.
ELZA CORREIA é deputada estadual pelo PMDB
Sol, inverno e câncer de pele
Ricardo Pasello
Com a chegada do inverno, muitas pessoas diminuem o uso do filtro solar, o que causa preocupação. Já há algum tempo vemos na mídia colegas médicos explicando a importância e a necessidade do uso do filtro solar. Porém nesta época do ano isto fica meio esquecido.
O dano em nossa pele é causado pela radiação UV (ultravioleta) presente na radiação solar. A temperatura não tem influência. Daí a importância do uso diário do filtro solar, mesmo em dias nublados e frios. O filtro deve ter pelo menos um fator de proteção solar (FPS) maior que 15. Pode ser em creme, em loção, loção sem óleo, gel ou spray dependendo do tipo de pele. Há vários no mercado.
Esta desinformação que existe do sol com a pele é semelhante à que ocorreu 20 ou 30 anos atrás com o cigarro e câncer de pulmão. Há algo de positivo em fumar? Há algum benefício para nosso corpo? Não. E 90% dos casos de cânceres de pulmão tem relação com o tabagismo.
A cor bronzeada da pele é uma resposta a uma agressão da radiação UV. Não há bronzeamento saudável. Quanto ao aspecto bonito da cor bronzeada é uma convenção social que já foi diferente em outras épocas da história humana.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que a pele é o órgão que apresenta a maior freqüência de câncer, correspondendo a 25% de todos os tumores malignos no Brasil. Porém é curável em 95% dos casos com o tratamento cirúrgico. Dos cânceres de pele, o mais agressivo é o melanoma.
Do total dos cânceres de pele, 95% têm relação direta com o sol. Evitando-se o sol, evita-se estes cânceres. Além disso, mais 4% podem ter relação com o sol. Assim quase 99% dos cânceres de pele seriam totalmente evitáveis se fossem tomados cuidados com a exposição adequada ao sol.
Por isso, vale à pena sempre lembrar: evite o sol entre 10 e 16 horas (mesmo com filtro solar). Nos outros horários use sempre filtro solar com fator de proteção maior que 15. Aplique o filtro pela manhã e reaplique no almoço. Observe suas pintas. Qualquer dúvida, avermelhamento, coceira, sangramento, alteração de cor ou crescimento procure um dermatologista.
RICARDO PASELLO é dermatologista em Londrina
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