ESPAÇO ABERTO
Quem tem medo da rebeldia?
Carlos Eduardo Bobroff da Rocha
Rebeldia, segundo o dicionário da sociedade, significa vandalismo. Entretanto, a definição mais coerente de rebelde afirma que é o indivíduo que não submeteu sua identidade aos padrões sociais, revelando, com isso, a liberdade de contestar.
Sócrates, famoso filósofo grego, fora condenado à morte. Seu crime: ensinar os jovens de seu tempo a pensarem por si próprios. Esse e outros exemplos da história evidenciam que os poderosos, para manterem sua influência, criaram regras de conduta para o ''pleno'' funcionamento da comunidade. Assim, vê-se que se estabelecia um sistema social no qual a população era mera massa de manobra dos interesses dos defensores dos ''bons costumes''. No caso de Sócrates, este estimulava a juventude a observar atentamente as contradições vigentes e passivamente aceitas pelo povo ateniense, como forma de se romper com a ditadura do pensamento imposta pela elite. Um indivíduo contestador incomoda a maioria, uma vez que esta teme confrontar-se com suas próprias contradições.
Uma outra definição para a rebeldia poderia ser cidadania. Como os padrões sociais acabaram transformando-se em instrumento de repressão para os ''diferentes'', a adoção de comportamento nada convencional por parte dos contestadores adquire um significado de protesto. A música rap, por exemplo, encerra em si a simbologia da exclusão dos desfavorecidos, visto que a forma de cantar se opõe ao modelo cultural da alta sociedade. Isso mostra que nem
todos os insurretos agem sem causa. Ocorre, na realidade, uma busca pela adequação do ser humano autônomo em uma comunidade guiada pela tradição. Trata-se de uma tarefa baseada em impedir que o individualismo e a coletividade disputem o poder, ao invés de se almejar o bem comum.
Dessa forma, a liberdade do indivíduo não é sinônimo de ameaça à maioria, mas de libertação de conceitos impostos para inalterar o status quo. Ser rebelde é transformar a sociedade, tratando-a como parte de si mesmo.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina na Universidade Estadual de Londrina
Solidariedade e renda contra a fome
Onaur Ruano
São mais de 5 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar e nutricional no Brasil que estão sendo beneficiadas com alimentos adquiridos diretamente de agricultores familiares através do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), implementado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com Estados, Municípios e a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
O PAA faz parte do conjunto de programas que compõem o FOME ZERO, com valorização e fortalecimento da agricultura familiar, desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), se constituindo em uma sólida ação complementar aos programas de créditos a esse segmento de produtores e, recebeu, nestes dois anos de programa, o investimento de R$ 400 milhões na compra de produtos de aproximadamente 130 mil agricultores familiares de todo o Brasil.
Mas seu principal foco é promover o acesso a alimentos por famílias mais pobres e em situação de insegurança alimentar, atendendo projetos sociais, escolas públicas, creches, hospitais e asilos. Cerca de 35% dos produtos comprados pelo PAA já integram as cestas de alimentos distribuídas aos acampados da reforma agrária, quilombolas e populações indígenas; outra parte é destinada à composição de reservas estratégicas de alimentos para distribuição às populações vítimas de catástrofes provocadas por enchentes ou seca. Nessa tarefa, o MDS conta com a importante parceria da Conab, responsável pelo transporte, armazenamento e distribuição dos alimentos. Há ainda a modalidade de compra direta local, quando os recursos são transferidos diretamente para estados e municípios.
Ao comprar os produtos do agricultor familiar a um preço justo, o programa garante o escoamento da produção e contribui na regulação do mercado, impedindo que esse agricultor fique dependente do atravessador que tende a depreciar o preço da produção e aumenta o custo final do alimento.
Assim, o PAA contribui para melhorar as condições de vida de pequenos agricultores no país inteiro e também formar estoques estratégicos de alimentos para a população carente, além de promover a inclusão socioeconômica de agricultores e assentados da reforma agrária. Aumenta a circulação de renda na economia local e regional, fazendo com que ações voltadas para a segurança alimentar de quem precisa do alimento, promovam a articulação efetiva entre produção e consumo. Ambos nos segmentos dos que mais precisam da ação do governo.
ONAUR RUANO é secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome





