ESPAÇO ABERTO
Investimentos crescem em RH
Abraham Shapiro
A notícia é fresca. Uma pesquisa coordenada pela Deloitte demonstrou que 54% de 127 empresas de médio e grande portes, com faturamento entre R$ 16 milhões e R$ 70 milhões, de São Paulo e Rio de Janeiro afirmaram que irão aumentar seus investimentos em RH nos próximos dois anos. Para 81% das companhias analisadas, investir em recursos humanos é considerado uma forma de manter ou fazer crescer seus negócios. Querem rever processos e acelerar o seu desenvolvimento organizacional. A intenção é intensificar mudanças que melhorem a capacitação da mão-de-obra com treinamento e desenvolvimento aliadas à revisão ou melhora do modelo de gestão de pessoas. Cabe ao RH verificar se as pessoas na organização estão preparadas para essas transformações ou prepará-las para isso.
Em Londrina, poucas empresas captaram esta visão e seus benefícios. Entre elas, tem-se observado um crescimento de investimentos em treinamento e desenvolvimento acima das cifras históricas locais, acompanhando a atual tendência das grandes e médias empresas pesquisadas. O que ocorre é que perceberam o real peso do RH na equação do lucro, ou seja, estão descobrindo, enfim, que as pessoas fazem toda a diferença no diferencial competitivo. O espantoso, contudo, é o grau de desinformação e indiferença da grande massa de empresas que ainda acreditam poder nadar contra a correnteza e manter seus antigos modelos. Já é comum encontrar pessoas que colecionam verdadeiras barbáries contra o bom atendimento comercial em Londrina. Eu mesmo sou vítima freqüente desses atentados e restaurantes, farmácias, lojas, etc.
Minha história é engraçada. Entro em um posto de combustíveis para abastecer meu carro. Fico ali, estacionado por vários minutos sem que ninguém me dê atenção. De repente um outro veículo encosta a meu lado e, para meu desapontamento, é imediatamente atendido. Chega, enfim, o frentista à minha janela e eu pergunto por que fui esquecido e atendido só depois do carro que acaba de partir. Com um sorriso amarelo, típico de quem desconhece qualquer regra de atendimento, o rapaz me responde com proibitiva sinceridade: Sabe o que é, doutor, este aí é nosso cliente!
Precisa falar mais?
ABRAHAM SHAPIRO é especialista em treinamento e desenvolvimento corporativo e comportamento organizacional em Londrina
O secretário Pissetti
Alcy Ramalho Filho
A moralidade é o melhor de todos os expedientes criados para orientar a humanidade (Nietzsche). Autoridade moral também deriva da isenção. Sou no todo isento a manusear comentários sobre o trabalho do Secretário Airton Carlos Pissetti de janeiro de 2003 até hoje. Com ele não possuo laços de amizade ou vínculos derivados de relações pessoais.
Pissetti é publicitário talentoso e empresário de sucesso. Minha filiação ao PMDB e apoio ao governador Roberto Requião nos colocou frente a frente nestes dois anos e meio. Em trinta meses de convívio, não diário ou próximo, tivemos diferenças e discordâncias como também, em idêntica paridade, concordâncias e mesmas visões.
Entretanto, conheci todos os secretários estaduais de comunicação desde que iniciei carreira em 1972 e aí incluindo, os governadores nomeados pelo regime militar, na época em que a secretaria era apenas departamento da Casa Civil, e haviam sub-secretários para a mídia e vi poucos de comportamento tão ético e ilibado como Pissetti.
A Constituição do Paraná que teve como relator o deputado Caíto Quintana, derivada da Constituição Federal de 1988, fixou que o Estado destinaria percentual do orçamento para divulgação de atos, programas e campanhas. Por cartesiano, desde então o secretário de Comunicação realiza atos derivados da norma constitucional e interpretações para propalar ação governamental nos diferentes matizes de abrangência. Tal processo, transparente e lhano durante a gestão de Aírton Carlos Pissetti, passa pela licitação pública para contratação de agências, escolha de veículos, aprovação das peças e competente gerenciamento na distribuição de recursos.
Nestes cânones, a administração do atual secretário é irreparável porque isenta e imparcial. O fardo do cargo impõe pressões. É inerente. Exige bom jogo de cintura política, o que Pissetti demonstra possuir, e obediência absoluta as boas normas que regem a administração pública.
Oscila portanto entre o ridículo e o ofensivo a tentativa de se imputar a Aírton Pissetti o papel de oferecedor de mensalões a parlamentares, sejam comunicadores ou donos de veículos, em troca de voto ou apoio a projetos do governo. Primeiro, porque isto não ocorre no governo Requião. Segundo, porque tal imputação caluniosa e difamatória é oportunista e malévola.
Os 74% de aprovação do governo Roberto Requião são, em boa parte, frutos do eficaz trabalho de Pissetti. É um homem austero, sóbrio, discreto, avesso a aparições na mídia e que se restringe ao modus operandi de capacitado homem de marketing aprovando campanhas de publicidade que sejam eficientes no conhecimento das obras governamentais.
Não sou neófito. Muito menos ingênuo ou crédulo. Sei bem, por experiência própria, que negociatas já ocorreram e envolveram milhões. Mas não no governo Requião e com Pissetti.
Daí a inferir que figura do escopo de Pissetti ofertou mesada para a rádio de um ou ao jornal de outro é canhestro e absurdo. O governador Roberto Requião não precisa do expediente. Não só o dispensa como o repele. Ameaça manchar caráter por acusações levianas, porque exerce cargo público e se torna vidraça perfeita para o estilingue de políticos ávidos de promoção aos holofotes da mídia. E interessados em macular trabalho probo que há de merecer aprovação da sociedade paranaense.
ALCY RAMALHO FILHO, é presidente de A Folha da Imprensa e vice-presidente executivo do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Paraná
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





