ESPAÇO ABERTO
Prevenir é o melhor remédio
Moacir Costa
É muito difícil determinar a idade em que as pessoas devem começar a se preocupar em cuidar melhor da saúde. Acho que não há idade limite para isso. Sabe-se que quem faz exercícios, tem uma dieta balanceada, evita cigarros e outras drogas é mais saudável. A fase entre os 45 e os 60 anos é a mais indicada, pois quando acontece a menopausa e a andropausa existe uma necessidade de fazer exames preventivos.
O homem que está nessa faixa de idade está mais suscetível ao surgimento de doenças cardiovasculares, câncer de próstata, hipertensão arterial e diabetes. No check-up, é avaliada a taxa de colesterol e frações, triglicérides, glicemia, hemograma e o PSA (para verificar o risco de câncer prostático), além do toque retal e ultrassom da próstata, e ainda avaliação cardiológica com eletrocardiograma e teste de esforço. Nos bebedores habituais, as provas de função hepática podem indicar o grau de comprometimento do fígado.
Já a mulher, em função do acompanhamento ginecológico anual, está mais habituada a fazer exames preventivos. Isso evita o câncer de colo de útero e o de mama. Aos 50 anos, a avaliação hormonal também é importante. Costuma-se fazer reposição de estrógeno para atenuar os sintomas, como insônia, variação de humor, memória e ondas de calor, além de um maior acúmulo de gordura no corpo. Nesse período, a mulher deve ingerir 100 calorias por dia, a menos do que consumia quando tinha 40 anos. A pele, por sua vez, vai ficando mais fina e ressecada, fruto da redução do estrógeno, o que torna as paredes vaginais menos elásticas. Isso provoca mais dor e desconforto na relação sexual. O consumo de cálcio, via remédios ou alimentação, ajuda a prevenir ou a reduzir a osteoporose.
O uso de vitaminas também pode auxiliar na melhor disposição física, tanto da mulher como do homem, de forma que hoje eles podem chegar aos 60 anos muito mais ativos e com uma saúde melhor. No tocante ao universo exclusivamente masculino, a prescrição do Cialis ou outros medicamentos associada ao tratamento psicológico, quando os fatores emocionais são intensos, também tem contribuído para solucionar um dos problemas mais típicos dessa fase que é baixa da potência sexual, resgatando assim a autoconfiança do homem.
O indivíduo que não se cuida certamente adoece mais cedo, enfrentando com maior dificuldade a perda da disposição e do bem-estar. Obviamente, a partir de uma certa idade o organismo não é mais o mesmo e passa a demonstrar sinais de debilidade e envelhecimento, além de uma redução das suas habilidades. Apesar da experiência acumulada, é um período difícil, que muitas pessoas não gostam de encarar. Há aqueles que buscam obsessivamente cirurgias reparadoras para atenuar o sentimento de autodepreciação e baixa estima. A realização de exames periódicos anuais, demonstra zelo e cuidado pela saúde e sinalizador de estima pessoal.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
A Geada Negra de 1975
Roberto Bondarik
No domingo (19/6), a Folha de Londrina relembrou o mais traumatizante evento de nossa história. Em 18 de julho de 1975, há trinta anos, ocorria a Geada Negra, que erradicou a cafeicultura no Paraná. Naquela ocasião muitos não tiveram discernimento da amplitude dos problemas causados e das conseqüências que seriam geradas por esta geada, talvez ainda hoje muitos ainda não tenham essa compreensão. Revistas e jornais daqueles dias mostram o frio europeu que atingiu o sul do Brasil. Em Curitiba ainda se relembra e comemora a neve daquela ocasião. No Norte, onde o café era a principal atividade econômica, o frio intenso assumiu ares de tragédia, não sobrou espaço para lembranças alegres. Havia ocorrido geadas fortes em 1963, 1964 e 1966, prenúncios da maior de todas. No dia seguinte, a Folha afirmava que os cafeicultores estavam de luto, mas os órfãos, a história mostra isso, eram os colonos, os pequenos proprietários, os comerciantes, as cidades, todos aqueles que se relacionavam direta ou indiretamente com a cafeicultura. Foram todos atingidos em seu modo e no seu estilo de vida, tivemos de reaprender a viver.
Com as lavouras destruídas era preciso recuperar os prejuízos. As terras eram caras, precisavam continuar lucrativas, plantou-se soja, trigo e milho, principalmente. A mão-de-obra necessária era a mínima possível para as novas atividades. As colônias das fazendas começaram a se desfazer, os não-proprietários passaram a se fixar nas cidades da região, muitos viraram bóias-frias. Londrina era sempre a melhor opção, surgiram bairros imensos, grandes conjuntos habitacionais como o Cincão. Outros foram para Curitiba e São Paulo. Próximo a Campinas, existem bairros inteiros habitados por gente que se orgulha e chora de saudade, por ser do Paraná. Para aqueles que já eram proprietários, optaram em vender o que possuíam e comprar novas terras em regiões livres do frio, assim hordas de paranaenses rumaram a Mato Grosso, Rondônia e Acre. Rapidamente Rondônia virou estado. Mato Grosso virou dois.
Dizem que foi o maior fluxo migratório em tempos de paz, o êxodo rural norte-paranaense retirou do Estado quase 2,5 milhões de pessoas na década de 70 e 1,6 milhão na década de 1980, segundo dados do IBGE. Não é surpresa, cidades da região perderem lugar no ranking das mais populosas da região Sul. Talvez tenha sido a Geada Negra de 1975 o maior golpe da história na economia e na sociedade do Paraná, um acontecimento que precisa ser estudado, explicadas as suas conseqüências. Buscamos, tateando, ainda hoje uma nova identidade econômica. Acredito que a solução de nossa economia e a construção de nossa riqueza se encontra na terra, em novas culturas e atividades, com a industrialização derivando, também, dessas atividades.
ROBERTO BONDARIK é professor de História no Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná em Cornélio Procópio
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