Diet, ligth e saúde pública
Segundo a Associação Brasileira de Obesidade, 40% dos brasileiros adultos são obesos. As crianças estão mais perto destes índices do que se esperava há poucos anos. O futuro será resultado do que fazemos hoje por nosso corpo. É bem provável que você já tenha participado de alguma conversa sobre o assunto comendo um sanduíche enorme e tomando um refrigerante diet. Esses são típicos comentários que escondem problemas graves de saúde pública. Na verdade, tomar um refrigerante diet não vai fazer a pessoa emagrecer, porque não é o alimento que emagrece e, sim, a ingestão balanceada e equilibrada ao longo da vida. Exagerada ou um pouquinho a mais todo dia, ao longo dos anos a comida se transforma nos números que hoje o Brasil está vendo e não quer acreditar.
Os alimentos diet ou light são encontrados em grande quantidade e variedade nos supermercados. Embora muito utilizados, poucas pessoas sabem a diferença entre eles. A confusão entre os termos diet e ligth é comum. Poucos rótulos de alimentos informam adequadamente o consumidor. Por exemplo, determinado produto ligth deve reduzir, no mínimo, 25% do seu valor calórico ou em algum nutriente em relação ao seu similar da mesma marca. Isto quer dizer que podemos encontrar produtos ligth no mercado com o valor calórico maior do que outros alimentos comercializados de outra marca.
O produto diet tem um de seus nutrientes, que pode ser o açúcar ou qualquer outro, substituído. Com isto, suas calorias se modificam, o que não quer dizer que diminuem. Temos que tomar muito cuidado. Esses produtos foram colocados no mercado a princípio para pacientes diabéticos. Hoje, são abusivamente utilizados para quem não quer ingerir calorias a mais. Portanto, vale a idéia de tomar refrigerante diet com o lanche, pois faz você ingerir menos calorias, porém onde fica a discussão de uma dieta saudável e os nutrientes que poderíamos estar ingerindo num copo de suco natural? O futuro da humanidade será o que fazemos agora por nosso corpo. Como queremos continuar sempre jovens se não nos esforçamos para isto?
Prestar a atenção nos rótulos e fazer disto uma rotina podem nos tornar mais saudáveis. Assim, você terá a certeza de que o produto que está levando para casa atende às suas necessidades específicas e individuais. Somos parte daquilo que ingerimos.
CAROLINE FILLA ROSANELI é diretora e professora do curso de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, campus Maringá


PT, o novo e o velho
É claro que existe um estado de tensão entre o governo e uma parte do PT, entre o presidente Lula e um pequeno grupo de radicais do Partido dos Trabalhadores. A ilusão deles é pensar que venceram a eleição, quando foi Lula quem ganhou a eleição com um programa novo, apresentado de forma convincente à Nação com o nome de Carta aos Brasileiros. Um programa que nada tinha a ver com as velhas idéias que o PT defendeu durante anos e com elas foi derrotado nas duas eleições anteriores.
Há descontentes com o fato que Lula está honrando o programa que prometeu realizar no governo e que eles enxergam equivocadamente como mera continuidade da política praticada no segundo mandato tucano, sob a inspiração salvadora do FMI. Na verdade, Palocci reforçou o ajuste fiscal, sem cair na tentação de afrouxar a política monetária apenas para acalmar a agitação dos grupos radicais. E nestes dois anos operou na direção de reduzir o constrangimento externo e criar as condições da retomada do desenvolvimento.
Há necessidade de mudanças no mix das políticas fiscal e monetária que certamente vão ter que ser consideradas no curto, curtíssimo prazo. É um ganho extraordinário, no entanto, certificar que o foco de toda a política voltou a ser a aceleração do desenvolvimento: não é exagero comemorar o abandono do viés anticrescimento que orientou as políticas governamentais dos últimos anos.
A grande dificuldade desses radicais é compreender a natureza do processo de mudança, que não é tão sutil assim. Trata-se de um grupo barulhento, de gente honesta, até mesmo ingênua, que acredita que se pode produzir o milagre da multiplicação dos pães, bastando ter, apenas, a ''vontade política''.
São muito poucos para impor a sua vontade, dez ou doze membros dentre 90 deputados da mesma origem, constituindo algo como 2% da Câmara, mas acostumaram-se a agir como maioria. É aqui que mora a tensão. O PT inteiro representava 20% e depois da vitória de Lula continuou sendo 20% na Câmara. A minoria radical vai demorar um pouco, mas acabará aceitando a idéia que Lula se elegeu porque apresentou um novo programa, convencido que com aquele programa antigo do PT era impossível dar conta dos problemas brasileiros.
ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PP-SP

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