ESPAÇO ABERTO
Corrupção assassina
Nelson Araújo de Oliveira
Todos nós, brasileiros, seríamos felizes se os homens que governam a nação, os estados e os municípios fossem preparados numa escola superior de administração. Todos deveriam ser capacitados, inteligentes e honestos; capazes de usar o dom da sabedoria e da inteligência em benefício da população. Quem não gostaria que os líderes religiosos fossem todos enviados por Deus e, que no uso de suas funções, se utilizassem da força divina para incutir em nossos políticos a honradez e o patriotismo?
Que bom seria se os detentores do poder se dedicassem com amor a seu próximo; se deles emanassem exemplos de justiça e de honestidade; se somente os puros, os íntegros e os capacitados pudessem legislar e executar sem suborno. Para possuírem o direito de administrar os bens públicos deveriam, primeiro, buscar a honradez do homem capaz de refletir em si mesmo o caráter de Deus. Assim, os administradores seriam como pilares de sustentação da sociedade; serviriam como modelos da moralidade e da incorruptibilidade. Dessa maneira, teriam direito a uma boa remuneração e receberiam ainda honras e admiração do povo.
Entretanto, para a grande decepção do povo brasileiro, contemplamos a decomposição das instituições. A corrupção, a imoralidade e o tráfico de influência afloram com vigor, em toda a nação brasileira, principalmente na política, onde, com raras exceções, se recebe indignamente polpudos salários e muitas mordomias.
O que esperar de uma nação, em que o mal está espelhado no homem da lei, onde a imoralidade surge de órgãos governamentais, e onde os corruptos e os corruptores estão debaixo do mesmo teto? Protegidos pela imunidade parlamentar, fazem alianças para o suborno. Nunca se viu antes, na administração pública, tantas falcatruas e trapaças vergonhosas, envolvendo aqueles que deveriam dar exemplos de honestidade.
Que país é este onde a escassez da ética e da moral empobrecem as casas legislativas, ferindo impiedosamente a honra da nação? Que país é este onde a dignidade de um parlamentar, segundo as denúncias do presidente do PTB, vale apenas trinta mil reais? Que país é este onde os políticos honestos são, às vezes, humilhados e vilipendiados por não participarem das negociatas e dos subornos? Quantas pessoas morrem nas filas dos hospitais? Quantas estão morrendo por falta de UTIs? Quantas crianças moradoras das favelas e de fundos de vales estão morrendo contaminados pelos vermes do abandono? Onde está o dinheiro da merenda escolar, da educação e do saneamento básico? Que país é este que não põe na cadeia os assassinos dessas vítimas indefesas?
NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é professor aposentado em Londrina
O custo da corrupção
Manuel Joaquim R. dos Santos
A maioria absoluta dos brasileiros tinha acreditado que finalmente a esperança vencera o medo! Correu às urnas e delegou a um homem e a um partido, acima de qualquer suspeita, a tarefa de moralizar a res pública! É a esperança concretizada em gestos e atos, que faculta o próprio viver. Sem ela, tudo perde o brilho, a cor. Vivemos de esperança. As ditaduras caíram porque homens e mulheres tiveram esperança! Os regimes racistas implodiram porque alguém, ainda que numa prisão, não perdeu a esperança! O Brasil tinha jeito, tem jeito! Isso é a esperança que fala! Ela vence o medo e nos torna protagonistas de nosso próprio destino. Foi sempre assim e o foi em 2002 de modo contundente, na eleição do Lula!
Pobres brasileiros, humilhados, abalroados com imoralidades viscerais, expostas na mídia, que escandalizam e violentam os de mais tenra idade, que incautos assistem programas em horários inadequados, quando alguém rasga o verbo jogando um mar de lama nas instituições! A criança cresce sem fé, sem esperança. Esse é o preço mais alto de uma sociedade, a ser pago em doses cavalares ao longo de séculos! O medo aparentemente vence! A desilusão se instaura nas entranhas e a abstenção eleitoral, perigosa para a tênue democracia, confirma o óbvio. É um pacote de desgraças, que como enxurrada, vem derrubando as frágeis convicções ladeira abaixo! Não tem alma que resista!
Os impostos que pagamos e que sugam até ao limite nossas empresas vêm financiando a promiscuidade entranhada no relacionamento fisiológico entre os poderes. Tudo isso não é novidade. Mas do PT esperávamos mais. Ele tem desgraçadamente prestado um desserviço à democracia e à ética enquanto governo. Amante de CPIs e inimigo mortal de Medidas Provisórias ao longo de sua existência oposicionista, inverteu sua postura, abafando aquelas e promulgando estas! Cartilhas rasgadas, companheiros enquadrados, e alianças que revelam uma espuriedade acima de qualquer cogitação anterior, nos deixam estarrecidos. O PT tem um trunfo! Aliás, os sorrateiros corruptos, que de Brasília depredam este país, tem uma vantagem! O nosso povo lê muitíssimo pouco e assiste mais novela do que jornal! Aqui mora o âmago da questão. Nossa gente anda demais ocupada para constatar o que inconsciente sempre soube: os seus legítimos representantes o ignoram e o dilapidam na calada da noite!
Salvem-se as instituições. Salve-se a presidência. Salve-se o Congresso Nacional. Mas não se salvem os autores deste triste episódio, que numa irresponsabilidade sem par, e numa ganância sem limites, quiseram destruir a esperança mais singela e pura de milhões de concidadãos! Esses sim, deveriam superlotar os estabelecimentos prisionais que ajudaram a construir, muitas vezes com verba pública fragmentada ao longo do caminho!
MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS é padre na Arquidiocese de Londrina
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