ESPAÇO ABERTO
É hora de salvar o Iapar
Sergio Roberto Dotto
O Estado do Paraná, líder no setor agrícola e no agronegócio, fundou em meados da década de 70, o Instituto Agronômico do Paraná - Iapar. Trata-se de uma entidade da administração direta do governo do Estado do Paraná, vinculada à Secretaria de Agricultura e do Abastecimento e de um modelo, em estrutura e atuação.
Salienta-se o grande número de tecnologias desenvolvidas pelo Iapar para a agropecuária, presentes no dia-a-dia da população paranaense, e que geram infinitos recursos financeiros, comprovado pelo aumento do PIB estadual nos últimos anos, projetando o Paraná no Brasil e no exterior. Seus renomados Pesquisadores, profissionais da Agronomia, além de gerar inovações tecnológicas, atuam também na transferência dessas tecnologias, através de palestras, dias de campo, unidades demonstrativas, treinamentos, cursos, consultorias, publicações e outras modalidades de difusão de tecnologia.
Infelizmente, apesar de todo o conhecimento, sucesso, novas tecnologias, contribuições e reconhecimento nacional e internacional, esse instituto de pesquisa, está atravessando uma grande crise administrativa, gerencial e financeira. Esse quadro vem se agravando como resultado da não-reposição de salários, contratação de novos pesquisadores e de pessoal de apoio à pesquisa. Pior ainda, agrava-se a crise com a falta de perspectivas de reverter essa situação em curto e médio prazo, com graves reflexos no futuro, entre os quais, o seu descrédito junto a sociedade e ao sistema produtivo.
A Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina - AEA/LD, constituída por profissionais clientes das tecnologias dessa instituição, vem a público manifestar a sua preocupação com o destino dessa importante Instituição de Pesquisa Agropecuária do Paraná.
Ao mesmo tempo, apela para a sensibilidade dos nossos governantes para que socorram o Iapar. Temos a certeza de que, com condições mínimas de trabalho e estímulo, o Iapar irá frutificar com rapidez, beneficiando todos os segmentos da cadeia produtiva, com reflexos especiais para os pequenos agricultores e, dando ao Estado, a sustentabilidade necessária para que continue crescendo.
SERGIO DOTTO é presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina
Reimanafuku
Carlos Eduardo Bobroff
O que é isso? O leitor perplexo não compreende o motivo de uma palavra tão exótica aparecer no jornal. Tal vocábulo seria de origem urbana ou é de etnia oriental? Talvez seja um provérbio...bem como um palavrão. Esta palavra é masculina, feminina, de direita, de esquerda, cristã, muçulmana, gíria, termo arcaico ou, simplesmente, neutra? Reimanafuku me parece ser um código (código da vida, código de honra, código de terrorista, código para subornar alguém), ou tudo isso não passa de alguma brincadeira? Mas e se for algo realmente sério...
Eu sei que o leitor está curioso em saber qual o verdadeiro sentido da palavra do título desse texto, mas antes que eu dê a resposta, é preciso avaliar a importância das perguntas que foram feitas no parágrafo acima. Você reparou que um vocábulo novo é responsável por diferentes questionamentos, levando a variados pontos de vista. Isso mostra que as palavras, porta-vozes das idéias, não têm identidade, pois esta é construída a partir das concepções dos homens. Reimanafuku, no exemplo acima, recebeu diversos significados, visto que é impossível um termo falar por si próprio (a vida própria dele seria, na realidade, conduzida por nossa interpretação). São muitas definições para palavra tão exótica e, conseqüentemente, é possível ver o conflito de idéias a partir disso. Reimanafuku, de qualquer jeito, desencadeou uma mudança no status quo dessa manhã, aparentemente, normal.
E daí, qual a resposta? Reimanafuku significa o quê? Bom, se você reparar, já encontrou a resposta. Reimanafuku pode ser tudo, ou seja, aquilo que vem das nossas cabeças. Além disso, ela pode ser nada, isto é, quando não tem significado algum para aquele que entra em contato com ela. Posso dizer que para você, caro leitor, a exótica palavra do dia é nada, pois, se não me engano, ficou esperando passivamente de início que eu lhe desse uma resposta lacônica, absoluta e inquestionável. No entanto, não lhe passou pela mente que eu poderia estar manipulando-o? Que o que disse era tudo mentira? Que eu o induzi à minha opinião? Infelizmente, aqueles que detêm o poder costumam pensar dessa forma e, indiretamente, a população não se dá conta que caiu na armadilha. Mudar essa estrutura envolve tomarmos a consciência de que não somos meras palavras desprovidas de identidade, mas agentes de transformação social. As palavras são nossos instrumentos, sendo que podem ser usadas para escravizar mentes ou libertá-las.
Portanto, hoje mesmo, prometa para si próprio que respeitará também sua opinião, mesmo que uma minoria lhe diga que você está errado (você não está errado, apenas interpreta de forma distinta). Quanto aos outros, também não estão desprovidos de razão, pois é a interpretação deles. O que é condenável é a imposição de idéias. Reimanafuku tem qual significado para você?
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina em Londrina
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