ESPAÇO ABERTO
Crise de confiança e sexualidade
Moacir Costa
Vivemos um período de incertezas que se tornaram crônicas em relação ao futuro. Basta prestar um pouco de atenção, que em pouco tempo é possível enumerar os problemas que afetam diretamente o bem estar e o equilíbrio emocional da maioria das pessoas: empobrecimento pelo dinheiro curto, desemprego, aumento da violência, desencontros amorosos e a descrença que toma conta da população em relação à classe política e sua intimidade com a corrupção.
Independente do perfil psicológico, raça, cor ou mesmo preferência sexual, o que realmente chama a atenção e mais agride as pessoas é a crescente falta de confiança nos homens públicos. Os sonhos de mudanças com novas idéias e novos projetos começam a dar lugar a mesmice da apatia e da incapacidade de nossos dirigentes de devolver a nossa auto-estima que anda cada vez mais baixa. Esse sentimento de descrença e a falta de confiança em nossos governantes podem se constituir num aditivo às nossas angústias e problemas afetivos que já não são poucos. O consumo das drogas (lícitas ou ilícitas) compromete a nossa capacidade de discernir e fazer escolhas mais sensatas em todos os setores da vida.
O gasto de energia para sobreviver a tanta frustração, aborrecimento e a raiva acumulada contribuem negativamente para nossa saúde física e mental. Como fica a sexualidade diante de tantas incertezas? É quase impossível funcionar bem numa sociedade que necessita urgentemente desenvolver a confiança e o sentimento de admiração e respeito, ingredientes fundamentais para quem deseja funcionar bem, em todos os sentidos.
Se nessa fase a sua sexualidade se mostrar e continuar em baixa: arquive os problemas do trabalho. Evite falar de negócios ou contas a pagar durante o jantar ou ao se deitar; evite álcool em excesso e cigarro sempre. O álcool em altas doses é um depressor do sistema nervoso e interfere na percepção erótica do homem a ponto de perder a ereção, e na mulher pode ocorrer demora orgásmica; reserve um horário do dia para fazer exercícios ou praticar esportes. É importante pelo menos um dia de lazer por semana; isso aumenta as trocas afetivas. Se estiver cansado ou estressado após um dia exaustivo, mesmo que seu companheiro se mostre desejoso de sexo, fale sobre o seu estado, e procure ver um filme ou alguma leitura, mesmo que seja sábado.
Caso essas medidas não alcancem os efeitos desejados, e você continue apresentando dificuldades na área sexual, procure um médico urologista ou psicoterapeuta que possa ajudá-lo no restabelecimento do seu equilíbrio psicossexual. Nos dias atuais as perspectivas para o tratamento de problemas sexuais são animadoras, apesar dessas incertezas na política e economia.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
Preservar dá lucro
Luiz Eduardo Cheida
Em seis hectares, com um rio no meio, um produtor rural do Paraná pode receber R$ 800 ao mês e manter a propriedade preservada. Hoje, uma pequena propriedade não rende ao agricultor paranaense R$ 500 mensais, segundo senso do IBGE.
Não há mágica.
Em seis hectares, planta-se a Reserva Legal de 1,2 hectares e a Mata Ciliar, de 1 hectare. Nos outros 3 hectares, 80% de exóticas e 20% de nativas. O resto, para habitação, circulação e alimentos de uso familiar. Em 30 anos, dois ciclos de madeira para corte renderão R$ 200 mil. A renda com sequestro de carbono, R$ 45 mil. Renda total: R$ 245 mil. O equivalente a R$ 800 ao mês. Um incremento de 60% sobre os ganhos com propriedades semelhantes.
Quanto mais equilibrado, mais produtivo é um ecossistema.
Propriedade com pouca cobertura vegetal sofre com ventos, chuvas e temperaturas irregulares. Consequência: clima caótico. Pouca cobertura provoca erosão. Através de ventos e chuvas, o solo esvai-se para o rio. O solo fica pobre, o rio assoreado. Em águas barrentas, as plantas somem e com elas os peixes herbívoros. Logo depois, os carnívoros.
Na ânsia de recuperar o solo, gasta-se com fertilizantes. Para livrar-se das pragas, gasta-se com agrotóxicos. O agricultor perde duas vezes: perde recursos naturais e perde quando tem que repor o que deixou perder.
A propriedade produzirá, mas a que preço? Por quanto tempo?
Não é só dinheiro a moeda da qual são feitos os lucros. Lucro também é longevidade maior. Lucra-se também quando se economiza com médicos, exames, remédios, pulverizadores, fertilizantes, agrotóxicos, equipamentos de proteção, menos dias parados. Viver mais e bem é o lucro maior da existência. Mas, como manter esta perspectiva em um microclima afetado, sob núvens de agrotóxicos e fertilizantes?
A economia é causa e consequência de uma vida saudável.
Assim, não só por uma visão ambientalista (o que já bastaria) mas, até por uma lógica capitalista, preservar dá lucro.
Acaso imagina-se que a quebra da safra deste ano é obra do azar?
Já passou da hora de se recompor o equilíbrio original natural do estado.
Se, o Dia Mundial do Ambiente servir para esta reflexão, já terá valido a pena.
Afinal, queremos o Paraná para hoje e para sempre.
LUIZ EDUARDO CHEIDA é secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná





