ESPAÇO ABERTO
O Paraná nos Jogos Abertos Brasileiros
- Lester Pinheiro
Hoje, além de cumprir todo o calendário municipal, regional, macrorregional, estadual e nacional, nas faixas até 17 anos, com Jogos Colegiais e da Juventude, o Paraná fecha um ciclo espetacular, realizando os Jogos Universitários Paranaenses em São Miguel do Iguaçu e os Jogos Abertos Brasileiros em Campo Grande (MS).
Presente em todos os segmentos, a Paraná Esporte, junto com a Secretaria de Estado da Educação, deixa claro, que a partir de janeiro de 2003, cumpriu todos os objetivos e anseios da comunidade esportiva do Paraná. Em 30 de maio de 2005, com o lançamento, em Curitiba, do Conselho Estadual do Esporte, no Palácio do Iguaçu, com a presença do governador Roberto Requião, abre-se uma oportunidade de ouro para as federações, ligas e atletas expoentes de nosso Estado conseguirem patrocínios diretos e indiretos nos diferentes segmentos esportivos.
A participação das prefeituras viabilizando o transporte dos atletas até Campo Grande foi importante para que o Paraná estivesse bem representado. Agradeço a todos os municípios que enviaram seus atletas aos Jogos Abertos Brasileiros, Londrina na pessoa do prefeito Nedson Micheletti, Maringá com o prefeito Silvio Barros, Paul Macdonald de Foz do Iguaçu e Roberto Viganó de Pato Branco, pela espetacular parceria que realizamos.
O único percalço, pela primeira vez na história do esporte paranaense, aconteceu com a equipe de atletismo masculino e feminino de Londrina, onde o professor José Eugênio Zaninelli não permitiu que seus atletas representassem a sua cidade e o Estado. Tal atitude causa espécie devido ao domínio público que a Paraná Esporte construiu a pista de material sintético da Universidade Estadual de Londrina, onde existe um projeto com o suporte da Caixa Econômica Federal.
A pergunta que se faz é a seguinte: para que treinam os atletas? O governo do Estado pagou a alimentação e estadia em hotéis e forneceu todo o suporte necessário (fisioterapeutas, médicos, técnicos da Paraná Esporte e inscrição). Por que Londrina foi em todas as modalidades, exceção feita ao atletismo? Sentimos muito, pelos atletas.
LESTER PINHEIRO é diretor de Esportes da Paraná Esporte em Curitiba
O pianista: alguma luz sobre o fato
- Walmor Macarini
Longe deste colunista pretender que o que abaixo escreve seja uma explicação conclusiva para o caso do pianista tcheco que ficou desmemoriado e que continua tocando magistralmente, mas é uma perspectiva que gira em torno de casos assemelhados e que lança alguma luz sobre o fato que não é tão inusitado, porque variações do gênero existem muitas. Rememoremos apenas o caso do louco Artur Bispo do Rosário, que, no confinamento em que o colocaram, desfiava panos por si só uma arte e convertia os fios em ricos bordados.
Quantos loucos existem por aí fazendo coisas magistrais! Ou, quantos gênios são tachados de loucos ou de sujeitos meio-pirados, como os circunstantes costumam qualificar! Voltemos ao pianista, que segundo a mãe de um suposto amigo de infância, era um menino dotado, que não se entendia bem com os pais, sofria de problemas psicológicos e tentara suicídio. Agora, já homem feito e sem nenhuma perda da virtude de tocar, foi encontrado vestindo terno e gravata encharcados de água, vagando por um pequeno porto da ilha de Sheppev, no sul da Inglaterra, e sem ele saber-se quem é.
Aí um típico caso de alguém cujo espírito suplantou a matéria. A essência verdadeira do pianista é que preserva a sua arte, porque este é o seu mais refinado substrato, eis que inerente ao espírito, que sabe mover-lhe as mãos, e assim a sublimidade se manifesta. A personalidade deixou aí de existir, porque ele a transcendeu. Com toda certeza esse pianista já tem pouco interesse pelas coisas mundanas, e até pensou em ir embora deste mundo.
A verdade é que os gênios são avessos às coisas convencionais e diferentes das demais pessoas, no comportamento, nas formas de vestir-se, de olhar o mundo. Os ditos sãos a maior parte deles vicejando nos campos da competição pela vida, e até fazendo guerras por isso é que os rotulam de extravagantes e doidos. Não é fora de propósito questionar se não seria o contrário...
Grandes compositores e muitos outros iluminados morreram cedo. Outros ficaram loucos. Jesus morreu aos 33 anos. Isto significa que a missão deles tinha apenas aquele tempo de duração, e isto bastou, porque sua obra se perpetuaria como um legado à humanidade. O viver na Terra, aprisionado ao corpo físico, cansa o espírito que tem mais luminiscência. Tal é o chamamento íntimo de retorno ao lugar de origem, porque o espírito de cada um de nós é tão velho quanto os tempos eternos e sua morada não é o claustro da fisicalidade, na verdade um estado de morte.
O caso do pianista é próprio de alguém que transcendeu a tridimensionalidade, mesmo que em vida, por força da magia de sua essencialidade musical a música invadindo o seu grande campo vital suprafísico. Daí o desprezo pela memória, um atributo da personalidade algo que ele deixou de necessitar e não do espírito. Um exímio pianista (e este é apenas um exemplo) traz de vivências anteriores o dom. A memória física tem pouca relevância diante da memória remota, menos ou mais desenvolvida e que acompanha todo o ser. Mozart era um gênio já aos 6 anos. Casos semelhantes, ao longo da história, são inúmeros. Esta é uma herança espiritual e a memória pouco conta.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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