ESPAÇO ABERTO
Melhor que caridade é compartilhar
Walmor Macarini
Se a caridade é necessária - porque aqueles que estão caídos precisam de ajuda imediata e não têm como suster-se por si mesmos - o melhor caminho para a diminuição dessa necessidade é o compartilhamento. A prática de partilhar eliminaria a maior parte do problema das carências. Mas o homem tem sido ensinado a competir, e esta palavra está presente na boca da maioria das pessoas e converte-se na razão de tudo o que se faz, se produz e se comercializa e no motivo para especializações pessoais nisto e naquilo. Tudo porque - apregoa-se - a vida é uma luta e há que preparar-se para a disputa.
Dê-se à vida o nome que se queira, mas se ela é um combate, deixa de ser um viver. Competindo, só os melhores vencem, ou aqueles que desfrutam de alguma regalia especial. Mas a vida não consiste em vencer se essa supremacia ocorre em prejuízo de alguém, porque então há um vencedor e um perdedor. E isto não é coisa boa e levará ao inevitável problema futuro: socorrer aqueles que ficaram para trás. Porque ou eles nos pedirão ou nos tomarão pela força. É a lei natural da defesa da vida. A violência é resultado do não-compartilhar.
A caridade e a assistência social, se não podem ser dispensadas no caso de pessoas completamente impossibilitadas, também encerram em si mesmas componentes de não-compartilhamento antecedente. Quando todos participam de todos os bens a caridade deixa de existir, por natural extinção. Família e escola ensinaram desde cedo à criança que a vida é dura e competitiva. Os cursos de especialização na área da produção, do comércio, dos serviços, só ensinam técnicas de competição. Os cursos de aperfeiçoamento pessoal e empresarial, então, já começam por enfocar a concorrência - como algo a ser destruído - desprezando que os ditos concorrentes são também co-irmãos do mesmo ramo e ignorando que para triunfar não é preciso destruir ninguém.
Se todos produzissem e fizessem as coisas bem feitas, com honestidade, a preço justo e com o fim primordial de servir a quem for usá-las e não com os olhos no concorrente, o mundo não teria problemas. Longe de dizer que não se deva melhorar e baratear produtos e serviços, mas que isto não seja comandado pelo nefasto propósito da competição. Governantes corruptos, policiais violentos, assaltantes, são todos produtos do meio social, que também age violentamente por meio dessa batalha competitiva. E isto tem resultado em barbaridades, uma delas a guerra. Não há, portanto, que a sociedade só enxergar culpa nos outros, se cada um é, também, agente do processo.
Ao invés de a vida ser uma luta, por que não uma celebração? Ao invés de competir, por que não compartilhar? Isto quer dizer dividir conhecimentos, experiências, desejar que todos prosperem, mesmo os denominados concorrentes. Na verdade, concorrentes não existem. Por que não qualificá-los como parceiros, já que operam na mesma atividade? A violência que todos combatem tem origem nesse individualismo e nesse espírito predominante de que a vida é uma arena. Todos, portanto, temos nossa porção de violentos, e o desensarilhar das armas deve começar em cada indivíduo. Ao contrário de competir, há que partilhar tudo: experimentos, socorros, palavras estimuladoras, sentimentos. Partilhar ajuda não só a outra parte mas também quem o pratica. Quem compartilha se engrandece e mais prospera.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
Uma campanha pela sociedade
Milton Mendes
A Eletrosul está realizando mais uma edição de sua campanha anual de prevenção às queimadas. A campanha, que inclui ações de mídia (com outdoors e rádio) e contato direto com os agricultores (com distribuição de materiais como bonés, camisetas, calendários e gibis para as crianças), é realizada desde 1995. No começo, seu objetivo era unicamente esclarecer os produtores rurais sobre os perigos de se fazer queimadas próximo das linhas de transmissão de energia elétrica ou subestações - o que pode provocar desligamentos e falta de energia elétrica. Mas a campanha vem mudando.
Nas primeiras campanhas a mensagem era incisiva e informava que a queimada é crime quando realizada em distâncias menores que 15 metros dos limites das faixas de segurança das linhas de transmissão e 10 metros das subestações. Essa mensagem perdurou durante vários anos, até que, em 2003, percebemos que a adoção de uma linguagem mais orientadora - e menos ameaçadora -, provocaria uma reação mais positiva. Desde então, passamos a agregar informações sobre o desgaste que as queimadas provocam no solo e nos recursos naturais renováveis que geram prejuízos no bolso do agricultor.
As queimadas estão relacionadas a um dos mais graves desses problemas: a poluição. Segundo pesquisa realizada pelo IBGE em 5.560 municípios e divulgada neste mês (Suplemento de Meio Ambiente da Munic 2002), as queimadas são apontadas pelas prefeituras como a principal causa da poluição atmosférica nas cidades brasileiras - um problema generalizado, que atinge todas as regiões, mas é mais grave nas cidades menores. Diante desse fato, a Eletrosul optou por estender goegraficamente a campanha de 2005, abrangendo também regiões onde não temos linhas de transmissão, mas que podem ser muito prejudicadas com as queimadas.
A campanha de queimadas é um exemplo da forma como a Eletrosul trabalha: acompanhando de perto as mudanças e as necessidades sociais e atuando de acordo com elas. Afinal, uma empresa pública, que pertence à sociedade brasileira, tem a obrigação de trabalhar por ela. E é por adotar essa linha de ação em todas as nossas atividades que podemos defender o slogan adotado pela empresa a partir de 2004: Eletrosul, ligada no novo Brasil.
MILTON MENDES é diretor-presidente da Eletrosul
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