Alcoolismo e sexualidade
Moacir Costa
  O uso do álcool, principalmente na cultura ocidental, é socialmente aceito, podendo ser encontrado e consumido em qualquer esquina. Seu uso tem sido justificado diante de situações de frustrações ou até como forma de valorizar as conquistas.
A ingestão de bebidas alcoólicas, de forma moderada, em eventos sociais, festas e encontros amorosos, tem um papel facilitador na liberação de sentimentos e muitas vezes do aumento do interesse sexual. Por outro lado é importante salientar que o uso dependente do álcool ocorre, às vezes, de forma silenciosa, sem que a família e o próprio indivíduo não se dêem conta.
A utilização constante e abusiva é o caminho certo para a dependência física e psicológica. A maioria desses bebedores não se considera dependente e reafirma insistentemente que facilmente deixará a bebida quando achar necessário. Ledo engano, independente que muitos deles, continuam a exercer com destaque ou eficiência sua atividade profissional.
Esses bebedores, na maioria das vezes, necessitam de companhia para beber e isso ocorre normalmente após o trabalho, sempre com o pretexto de se divertirem ou relaxarem.
Nessas condições, é quase impossível chegar em casa e ainda ter disposição para conversar com a família. Deixam de ser o companheiro que discute as questões que interessam a parceira e os filhos. Ao contrário, se solicitados, se mostram irritáveis, chatos, ou até mesmo sonolentos.
O impacto ou desgaste na vida sexual é inevitável. A admiração, o amor e mesmo a atração sexual começa a perder sua força e entusiasmo. É comum esses homens, mesmo percebendo a falta de motivação sexual na vida a dois, se cobrarem em relação ao seu desempenho sexual e os primeiros sustos começam a ocorrer a partir dos 40 anos; a ereção não é firme, vigorosa e não se mantém por muito tempo.
Esse é o itinerário comum para a disfunção erétil definitiva.
Caso você se dê conta de que está usando o álcool de forma constante e abusiva, procure avaliar a sua relação com a bebida e suas consequências na vida amorosa. Além disso, se perceber uma redução da sua potência sexual, procure ajuda médica, pois atualmente além do viagra novos medicamentos surgiram, como o levitra e o cialis, que podem ajudá-lo a superar o problema sexual e a psicoterapia para superar a dependência ao álcool, fazendo com que possa retomar uma vida sexual prazerosa.
É importante lembrar que a emancipação feminina tem contribuído para o aumento de mulheres dependentes de álcool, com inevitável comprometimento da sua sexualidade.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
- Caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2 à 6, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber acesse o site: WWW.projetoamarbem.com.br


Saúde policialesca
Julieta Arsênio
  Acreditamos que a segurança pública é aquela que nos protege das agressões e dos perigos, porém em termos concretos, ela está relacionada também, ao exercício do poder de polícia, que o Estado delega a esses profissionais.
  Esse policial, além de se preocupar com a segurança alheia e a própria, vive em permanente contato com a face ruim da sociedade, tornando sua atividade altamente estressante.
  Desgastado, o policial não pode, assim como a sociedade, ficar abandonado à própria sorte. Cabe ao Estado, assisti-lo impedindo efeitos nocivos para ele, sua família e a população. Assistência esta, que supere a decisão simplista de afastá-lo para um tratamento psicológico, somente, quando se envolver em confronto sangrento.
  Por ocasião da minha participação como conselheira do Conselho Federal de Psicologia, tive a oportunidade de emitir parecer quanto ao Projeto de Lei nº 2859/97, que ‘‘dispunha sobre norma geral de organização que torna obrigatória a avaliação psicológica periódica dos integrantes das policias e corpo de bombeiros militares e civis’’.
  Após vinte meses de efetivo exercício, se submeteria a uma nova avaliação, para averiguar as condições psicológicas do candidato e sua aptidão para a carreira de policial.
  Portanto, o projeto fixava a existência de duas avaliações psicológicas. Uma ordinária, que seria realizada com a periodicidade não maior de cinco anos. Outra extraordinária, realizada sempre que necessária, por ocasião da apresentação de comportamentos atípicos. Essas avaliações devem cobrir um leque de hipóteses iniciados pelo reconhecimento de aptidão plena até a aposentadoria por invalidez.
  Como cidadã e psicóloga, considero inadmissível que tenhamos que arcar com os transtornos da saúde mental desses profissionais, para os quais se delega o poder de polícia.
  Se não se encontra bem física e mentalmente, é dever nosso e direito do policial, ser afastado de suas funções para não caracterizar assim falhas operacionais ou ‘‘acidente de trabalho’’.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em Psicologia Jurídica em Londrina


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