ESPAÇO ABERTO
A excelência do selo
George Hiraiwa
Recentemente, a ABF (Associação Brasileira de Franquia) anunciou os ganhadores do Selo de Excelência 2005, estampados nas páginas dos principais veículos de comunicação do País. Trata-se de um reconhecimento público das empresas que se destacaram na prática de um modelo exemplar de franquia, que baseadas em princípios morais e éticos buscaram o fortalecimento da parceria com seus franqueados.
Esta brilhante e importante iniciativa da ABF consolida-se se como fator decisivo para o setor de franquia, pois dela se orientam milhares de pessoas que enxergam na excelência do selo um indicativo de esperança para confiarem suas economias e começarem seu próprio negócio. Ainda mais que neste ano foi avaliado o que há de mais sagrado numa franquia, que é o relacionamento entre franqueador e franqueado, que na prática é o que vale, pois a natureza de um contrato de franquia é de adesão, no qual praticamente não sobram argumentos ao franqueado.
Tamanha responsabilidade imputa à ABF maior acuidade na sua outorga, pois dentre as 55 laureadas há uma empresa que desconhece o real significado da palavra relacionamento. Encontram-se nos bem guardados arquivos dessa enmpresa uma realidade assustadora de quase 100 empresários que foram iludidos pela rede. São 70 ex-franqueados e 26 que continuam litigando corajosamente com prenúncio de alta turbulência. A rede está aguardando ansiosamente a aprovação da Nova Lei de Franquia, que em seu Artigo 6º legaliza a sublocação, pois é a única que a pratica. A sublocação é proibida pela Lei 8245/91 a Lei das Locações.
Recomendo à ABF uma revisão profunda do Artigo 6º da Nova Lei de Franquia, que poderá causar sérios danos aos franqueados e assim colocar em risco desnecessário o precioso setor de franquia. A ABF é a entidade máxima, que tem a responsabilidade de zelar pelo equilíbrio comercial e o sucesso deste setor que tanto tem contribuído para o desenvolvimento do País.
Aos franqueados recomendo que se organizem e se articulem, vencendo a característica multissetorial que dispersa o setor e definitivamente afastem o medo da retaliação, exercendo seu direito de liberdade e soberania, para defender seus legítimos direitos. Afinal, o que está em jogo é o futuro do seu negócio.
GEORGE HIRAIWA é empresário em Londrina
Higiene verbal
Telma Gimenez
A língua não diz respeito apenas à representação de pensamentos individuais, mas é uma afirmação pública de valores. (Deborah Cameron)
Nas duas últimas semanas a mídia impressa foi tomada de assalto por uma profusão de depoimentos, opiniões, críticas, ataques e defesa da famigerada cartilha do politicamente correto. Todos tinham algo a dizer - jornalistas, leitores, lingüistas, escritores e ofendidos. Isto como questões de linguagem podem ocupar espaços na mídia quando são polêmicas e como todo usuário da língua tem opinião formada sobre ela.
Conforme nos alerta a sociolingüista Débora Cameron, julgamentos de valor sobre a língua sempre estiveram conosco, no que ela denomina higiene verbal. Não há culturas que não creiam que existam modos de uso da língua estética, funcional ou moralmente preferenciais.
O calor da discussão reside em quais modos seriam esses e quem teria o poder para defini-los. Isto ajuda a explicar porque todo o furor contra a cartilha. Parece-me que um dos pontos está na intencionalidade a ela atribuída.
A maioria dos que a criticaram apontaram para o absurdo de se querer coibir a liberdade de expressão, como um delírio autoritário e como um documento preconceituoso que teria a intenção de regular quais termos poderiam ou não ser empregados pelos falantes da língua portuguesa.
Antonio Carlos Queiroz, autor da cartilha, a justifica como um documento para chamar a atenção de quem lida com o público para o fato de que certas palavras e expressões, dependendo do contexto, são discriminatórias, preconceituosas, humilhantes .
Se o foco é no seu caráter educacional e de alerta sobre os possíveis significados de palavras de teor pejorativo em determinados contextos, então não há nada de errado com a cartilha e a Secretaria não deveria ter sucumbido à pressão da mídia. Se, contudo, ela tivesse força de lei, punindo os usuários que utilizassem os termos listados, então o debate teria outro foco, que o aproximaria do projeto de lei do deputado federal Aldo Rebelo (PMDB-AL) sobre estrangeirismos. Este, às vésperas de sua aprovação, é duramente criticado por não atacar a raiz do problema.
Parece-me, contudo, que é urgente que questões de higiene verbal entrem na pauta de discussão de todos os usuários da língua, e que os educadores tenham um papel fundamental em desvelar os mecanismos que possibilitam determinados significados serem interpretados pejorativamente e suas conseqüências para quem é objeto de sua nomeação.
TELMA GIMENEZ é professora do departamento de Letras Estrangeiras Modernas da Universidade Estadual de Londrina
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