O assassinato de Jamys Smith
Wilma Santos de Oliveira
  O assassinato de Jamys Smith da Silva, no último fim de semana, deixa Londrina mais insegura e mais triste. O jovem, de apenas 20 anos, foi espancado pela Polícia até a morte. Mais uma vez um cidadão negro, pobre e morador da periferia paga com a vida pelo despreparo das ‘‘autoridades’’ policiais que se acham no direito de agredir, espancar, matar sem ao menos imaginar que pondo fim à vida de um trabalhador, por motivos fúteis, deixam um rastro de injustiça que afeta a família do morto, sua mulher, seu filho de apenas 6 meses e toda comunidade que não suporta mais conviver com a violência.
  Todos os fins de semana, em Londrina, estatísticas frias dão conta de mais mortes e barbaridades que acontecem, sobretudo, nos bairros pobres sem que ninguém, aparentemente, possa deter a escalada do desmando e do crime. E a sociedade também assiste a tudo como Pilatos, lavando as mãos.
  Desta vez, policiais militares deram vazão ao ódio porque um cidadão recusou-se a baixar o som numa festa familiar. Se a recusa do jovem foi compreendida como um ‘‘desacato à autoridade’’, a Polícia poderia prendê-lo para que ele prestasse conta do seu ato, mas jamais espancá-lo até morrer porque o papel da Polícia não é disseminar o terror, mas proteger a população daquilo que possa ameaçá-la.
  Se a Polícia se vê no direito de matar um trabalhador de forma cruel e usa para isso até mesmo um aparato corporativista que beira o sadismo - com colegas chamando outros policiais para participar do ‘‘acerto de contas’’ - quem vai confiar que seu papel é preservar os cidadãos da violência? Os papéis se inverteram numa sociedade intolerante, em que pessoas são mortas por motivos banais, sendo vítimas de um racismo que assombra e tira toda a esperança de construção de uma sociedade justa, harmoniosa e respeitada em seus direitos elementares.
  Mais do que lamentar profundamente a morte de Jamys Smith da Silva queremos chamar a atenção das autoridades policiais e também dos governantes para que dêem à população o alento de poder voltar a confiar nos parâmetros de uma cidade boa de se viver. Londrina deveria ser reconhecida não como a cidade das estatísticas violentas, mas como uma cidade que ama e protege seus filhos de qualquer raça e de qualquer classe social. Não podemos ser meros espectadores dos crimes que têm atingido, sobretudo, os negros e os pobres. Não podemos tolerar a morte de pessoas vítimas da exclusão social. E as autoridades, de todas as esferas públicas, não podem fechar os olhos como se nada estivesse acontecendo de grave porque estamos vivendo um verdadeiro estado de calamidade e de permanente luto.
WILMA SANTOS DE OLIVEIRA, a Yalaorishá Mukumby Alagangue, é mãe-de-santo e presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Londrina


Um sábio mestre dentro de nós
Walmor Macarini
  O homem busca graduar-se em todas as formas possíveis de cursos e abarrota o intelecto de conhecimentos, tudo pela simples razão de manter a vida e garantir situações de conforto. Alguns poucos visam o benefício da humanidade. Nada de errado quanto à meta, mas os métodos tornariam mais agradável o viver se ele trilhasse pelo caminho mais fácil, que é o de seguir não a voz da mente consciente mas a da intuição, que é o seu Eu transcendente.
  Esse prodigioso mestre que está dentro dele tem a resposta para todas as indagações, mas não é utilizado, e assim 90% dos poderes do ser humano se desperdiçam e ele acaba utilizando apenas minguados 10%, ou menos. Por isso vive atribulado o mais do tempo, ao invés de beber desse rico manancial onde habitam a inspiração, a clarividência e a sabedoria.
  Sua intuição é o seu Eu Superior manifestando-se, e ele está conectado com a Grande Vida e não apenas com a dos sentidos, ou seja, a da curta dimensão de sua personalidade. A verdadeira realidade do ser não é o que seus olhos vêem e os sentidos sentem, mas o seu componente primordial, que ‘‘toca’’ o infinito e é invisível à sua visão carnal.
  Iluminados mestres que a humanidade conheceu valeram-se desse poder inconsciente - o poço de águas profundas e silenciosas dentro deles, a que se pode dar o nome de Deus Interno, ou ‘‘o Reino dentro de vós’’ de que falou Jesus. Einstein, que era um místico, revelou: ‘‘Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio e eis que a verdade se me revela’’.
  O genial matemático atribuía grande importância à intuição e deixava que ela operasse a seu serviço. O intelecto só tem resposta para as coisas objetivas, mas estas são sempre de cunho analítico, habitam o restrito campo da intelectualidade e não resolvem as grandes questões existenciais, as subjetivas, aquelas que só o reservatório da sabedoria guarda.
  Devemos conversar a todo instante como nossa intuição, fazer-lhe as perguntas que desejamos, como se carregássemos a tiracolo um mestre de magistral sabedoria, sempre disponível. Tiracolo não é bem o termo, porque na verdade é ele que nos carrega. Nossa conformação física é apenas uma extremidade (e a mais baixa) de nosso corpo multidimensional, que é a nossa totalidade e alcança as profundezas do cosmos.
  Por essa razão é que temos todos os atributos da Suprema Inteligência, eis que a compomos, por isso somos grandes em nossa essência suprafísica, que é a nossa verdade única. Nada devemos temer, e se visitarmos mais assiduamente o santuário dentro de nós mesmos e ouvirmos nossa voz interior, estaremos ouvindo a voz de Deus. Não há outro lugar onde possamos ouvi-la.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


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