Eutanásia empresarial
  Mal percebem as empresas que elas mesmas estão minimizando sua dor, desligando voluntariamente seu tubo de alimentação. Regra histórica comercial, inculca como a fonte de vida de qualquer atividade comercial, o ser especial cliente. Contrariamente, empresas insistem em tratar mal seus clientes, deixando de lado as razões que podem lhes incomodar.
  Todos nós somos dotados de expectativas relativas ao que pretendemos consumir, diante da saga capitalista temos uma gama de necessidades pertinentes ao grau acelerado de crescimento econômico e a busca da qualidade de vida.
  O fato é que produtos são na maioria iguais e os serviços, até então um diferencial competitivo, não é o suficiente para buscar e reter a fidelidade de nós clientes, estamos querendo algo mais. Algo que nos traga bons benefícios, que satisfaça nossa necessidade e principalmente nos traga algo novo, o prazer. Somente você pode fazer a diferença! O que as nossas empresas deveriam cativar, esta mais próxima do que voce possa imaginar, dentro de você, chama-se emoção.
  A emoção domina até mesmo a razão, fortaleza dos cultos e mais exigente dos clientes, eis o grande segredo: vencer pela emoção. Criar aquele calafrio irradiante ao consumir determinado produto.
  Quando temos algum problema com determindo produto, países desenvolvidos trocam seu produto sem nem mesmo olhar a etiqueta, ou problemas de maior porporção são tratados por uma equipe de relacionamente altamente qualificada, que não mensuram esforços para fazê-lo sair sorrindo. A diferença é que nossas empresas não sabem o custo de reconsquistar sua imagem perdida ou nem percebem que estão perdendo-a.
  Ser educado, cortês e satisfazer as necessidades dos clientes é mais do que obrigação, sem isto de fato não há razão para nada, mas como surpreender seus clientes? Espelhar-se é um grande começo, deve-se tratar o cliente como ele gostaria de ser tratado e não mais como você gostaria de ser tratado. Todos nós possuímos emoções diferentes que a cada milésimo de segundo podem ser alteradas, se você se preparar, pode tornar o fino trato com seu cliente uma experiência única e emocionalmente marcante.
  Para tanto é preciso começar por você! Seja emocionado, domine sua razão, isto fará bem a você e ao seu dia-a-dia além de transformar cada minuto junto a ti algo espetacular. Primeiro ouça, entenda as necessidades de seu próximo, por mais estranha que elas pareçam, tratem-as com respeito e seriedade, pergunte se não entendido, e depois faça deste momento um exuberante espetáculo.
LUIS FERNANDO PERANDRÉ é administrador de empresas e consultor de vendas em Londrina


O sucateamento do Poder Judiciário
A sociedade moderna passa por uma escalada cruel da violência que possui todo um conjunto de causas: a absurda concentração de renda, o baixo índice de escolaridade da maioria da população, o desemprego, dentre outros fatores que geram a enorme desigualdade social em nosso país. Na busca de soluções para o problema, diversas idéias são suscitadas pelos legisladores e governantes. Fala-se no melhor aparelhamento das polícias, no aumento das penas para os crimes, na alteração da lei processual e, ultimamente, falou-se até na polêmica idéia de unificação das polícias, como uma forma de redução da impunidade. Contudo, um relevante ponto em toda essa discussão está sendo esquecido: o imprescindível fortalecimento do Poder Judiciário, com o seu devido aparelhamento.
É necessário deixar claro à população que o Poder Judiciário é o único autorizado a impor sanções penais pelo cometimento de delitos. Todo inquérito policial, visando apuração de qualquer fato criminoso, deve necessariamente passar pelo crivo do Judiciário. Com efeito, torna-se inócuo todo o trabalho na esfera policial, se não forem oferecidas ao Judiciário as necessárias condições para a aplicação rápida e precisa da lei. Vale lembrar a antiga e sempre atual premissa: ''Justiça tardia não é Justiça''.
Em que pese o sistema processual oferecer uma série de recursos e garantias às partes, o que é justo e correto em qualquer regime democrático, mormente em se tratando da liberdade e dignidade da pessoa envolvida, esse mesmo sistema poderia ser eficaz com o devido aparelhamento de todos os órgãos que o administram. Não se pretende defender aqui a sumarização dos processos ou a limitação das garantias inerentes à defesa. As leis que já existem são suficientemente aptas para o fim a que se destinam, basta que os órgãos incumbidos de sua aplicação estejam devidamente estruturados, para que possam agir de forma célere e competente.
Contribui para a lentidão do Judiciário e seu paulatino sucateamento o reduzido número de juízes e varas, significativamente desproporcional ao número de habitantes, havendo uma invencível sobrecarga de serviços, chegando-se ao absurdo de varas e tribunais totalizarem mais de 15 mil processos em andamento a cargo de um único julgador. Para que não prospere a criminalidade e a violência no país, e para que possa cumprir a tarefa de zelar pela observância da Constituição e das leis, protegendo assim a democracia, é necessário que o Poder Judiciário esteja devidamente aparelhado com recursos humanos e materiais adequados ao desempenho de seu difícil mister.
A sociedade não pode simplesmente conformar-se. O Brasil é ou não uma autêntica democracia?! Ou será que devemos acreditar que a frase ''todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido'' não passa de uma utopia distante, uma idéia vaga colocada somente para enfeitar a Constituição Federal (art. 1º, parágrafo único da CF/1988)?!
EDUARDO LEAL DOS SANTOS é analista judiciário supervisor de Execuções Penais na Justiça Federal e professor de Direito Penal na Unifil em Londrina


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