ESPAÇO ABERTO
Missão impossível
Moacir Costa
Nesses tempos bicudos, ainda encontramos homens que estão sempre insatisfeitos com a sua vida sexual e que acham que não precisam de tratamento. Muitos deles gostariam de ter um pênis maior, por acreditar (enganosamente) que isso dá maior virilidade e muito mais prazer à mulher. Ledo engano, à medida que esses homens estão sofrendo de profunda insatisfação com eles mesmos. Com a liberação sexual da mulher, os mais inseguros se mostram sempre perplexos diante da intimidade, mas por sorte deles, com o surgimento do Viagra e mais recentemente do Cialis, os temores sexuais se reduziram bastante. É importante lembrar que no Brasil existem aproximadamente dez milhões de homens com problemas sexuais, sendo que, 50% da população acima de 50 anos tem algum grau de disfunção erétil.
Para agravar essa situação, ainda persistem preocupações nesses homens que não conseguem atender à mulher mais desejosa porque o intervalo entre uma relação e outra, o chamado período refratário, começa a ser mais longo com o passar dos anos. As mulheres já não apresentam esse período refratário, ao contrário, muitas delas conseguem ter relações seguidamente. É notório que a maioria dos jovens, não necessita mais que cinco minutos para estarem dispostos e interessados numa segunda ou terceira relação sexual. Inversamente, à medida que a idade avança o homem chega a necessitar até uma semana para recuperar o desejo sexual, com o agravante de não apresentar mais o vigor e a força ejaculatória comum enquanto mais jovem.
Alguns reclamam que a emissão do líquido ejaculatório é lenta e se torna mais difícil quando se faz uso de tranqüilizantes ou antidepressivos. Nessas ocasiões, a ejaculação nem ocorre, o que produz um clima de vazio e frustração. As coisas se complicam ainda mais quando a parceira deseja ter mais relações e uma nova ereção passa a ser uma missão quase impossível, principalmente quando esse homem tem um forte cobrador dentro dele, que durante toda a sua vida, se preocupou em bater recordes na cama.
Infelizmente, ainda é possível encontrar homens que pensam assim e sofrem por falta de orientação. Seria oportuno se prestassem mais atenção na sua parceira e procurassem conversar mais, se abrir, deixar a vergonha de lado e procurar um médico, de preferência um urologista. Lamentavelmente, esses homens ainda não se deram conta que as suas inseguranças e mesmo resistência em procurar ajuda médica e psicológica colaboram para que suas parceiras também se sintam sexualmente desmotivadas e frustradas.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
Reserva ambiental: um processo atropelado
Ágide Meneguette
O governo FEderal está novamente insistindo em enfiar goela abaixo uma medida no mínimo questionável. Trata-se da implantação de Unidades de Conservação Ambiental nas regiões dos Campos Gerais, dos campos de Palmas e em Cianorte, escamoteando a consulta pública exigida pelo rito legal.
Ao contrário do que ocorreu em Santa Catarina, onde o governador Luis Henrique da Silveira transformou o encontro com o secretário de Biodiversidade e Florestas, do Ministério do Meio Ambiente em reunião aberta, com a presença de parlamentares e produtores, o Governo do Estado Paraná preferiu um encontro fechado. Até mesmo aos deputados estaduais foi impedida a presença.
No final da reunião com o secretário de Biodiversidade, o governador do Paraná manifestou seu incondicional apoio à decisão do Ministério do Meio Ambiente sem ouvir os produtores rurais.
Desde o início, a implantação dessas unidades de conservação de araucária foi feita de forma irregular, com convites para reuniões públicas feitos com atraso, com falta de informações corretas e pouco apreço pelos produtores rurais que serão prejudicados.
O Ministério do Meio Ambiente fugiu do debate e o governo do Estado agora legitima essa posição, contrariando interesses de comunidades importantes do Paraná.
Tal como ocorreu em Santa Catarina, a Faep considera necessária a rediscussão do processo de criação dessas unidades, com novas consultas públicas na qual a sociedade seja avisada com antecedência, e com antecedência também tenha as informações necessárias, a fim de que possa saber do que se trata, quais serão as conseqüências sociais e econômicas, como vai agir o governo, inclusive quanto às indenizações.
O que a sociedade não pode aceitar é esse processo atropelado, muito parecido com a Medida Provisória 232, com a Reforma Sindical, a tentativa de calar a boca da imprensa e monitorar as atividades culturais.
ÁGIDE MENEGUETTE é presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep)
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