ESPAÇO ABERTO
Educação e o nosso papel social
Eliane Hayami
Recentemente, tive o privilégio de participar de algumas aulas com alunos do ensino fundamental. Confesso que fiquei estarrecida com o comportamento e atitudes de muitos estudantes frente aos seus professores. O desrespeito e a aversão aos estudos de grande parte dos adolescentes, infelizmente, transformam algumas salas de aula em verdadeiras muvucas.
Não podemos culpar as escolas e nem tampouco os professores que constantemente buscam transmitir a importância dos estudos. Creio que a negligência parte de muitos pais que entregam os seus filhos para serem educados pelos mestres e, infelizmente, não demonstram interesse e nem acompanham o aprendizado de seus pupilos.
O governo também tem a sua parcela de culpa, pois deveria investir, primeiramente, na reforma do seu sistema educacional de 1º e 2º graus que, conseqüentemente, promoveria condições destes alunos ingressarem ao 3º grau.
Uma educação de qualidade é primordial para o desenvolvimento das pessoas, capacitando-as e proporcionando independência, no que diz respeito à sua sobrevivência econômica e realização profissional, quanto a forma de pensar e elaborar suas idéias.
Dessa forma, os indivíduos terão capacidade de formular opiniões próprias sobre o que acontece à sua volta, transcendendo os limites estreitos do mercado de trabalho, habilitando-se a desenvolver uma atitude crítica, sem manipulações, exercendo em sua plenitude a cidadania.
O Brasil necessita, urgentemente, de cidadãos atuantes. Como diria Betinho (Herbert de Souza) indivíduos que têm consciência de seus direitos e deveres e participa ativamente de todas as questões da sociedade.
Nesse sentido, acredito ser crucial ampliar o investimento na educação, com iniciativas não apenas governamentais, mas principalmente das pessoas e organizações a sua volta.
Apesar da violência disseminada em todo o mundo e das catástrofes naturais, este milênio, certamente, será marcado pelo voluntariado, pelas campanhas humanitárias, por ações e projetos sociais em prol ao desenvolvimento, através da educação como base da cidadania.
ELIANE HAYAMI é profissional de Relações Públicas em Londrina
Nada sagrado e nada misterioso
Walmor Macarini
O homem atribui à sacralidade tudo o que transcende o seu conhecimento. Mas nada existe de sagrado, ou, se é desejo dar um nome às coisas, melhor então é considerar que tudo é sagrado. Definições não alteram a essência. O giro do universo, regido por uma inteligência superior, é tão igual ao movimento de um dínamo em nossa dimensão terrena, ou ao soprar da brisa. Porque tudo é uma só energia, um só princípio. Não há mistério na dinâmica do universo, só há desconhecimento a respeito. A astronomia terrena identifica os movimentos celestes e os classifica, mas não os explica. E não é importante a explicação, basta ter a consciência de que há algo muito inteligente regendo tudo.
Assim como nenhum fabricante ou operador de computador explica o seu hardware. Domina o seu sofware mas não o processo da máquina. Sabe que, apertanto uma seqüência ordenada de teclas, obtem uma imagem. O técnico também não conhece o organismo do computador. Apenas monta as placas, mas não explica como ocorre o funcionamento de suas partes. Quem montou as placas sabe menos ainda. E quem descobriu os circuitos integrados base do sistema sabe igualmente nada. O descobridor do transistor disse que não soube como aconteceu. De repente ele tinha a coisa na mão. Einstein já falou algo semelhante.
Também a eletricidade ninguém sabe explicar. Sabe que polos opostos geram uma corrente elétrica. Assim como nenhum cientista explica a genética. Apenas a domina, mas não alcança a profundidade do fenômeno. Ninguém sabe explicar por que uma semente germina. O simplório e o pretenso entendedor de tudo dirá que são os nutrientes da terra e o calor incidindo sobre a semente. Mas não explicará onde está a árvore dentro da semente, porque ele a abre e não a encontra lá. Mesmo que indique para um embrião, não sabe dizer como isto se converta numa ávore, com tronco, folhas e frutos com sementes e mais árvores dentro delas.
Melhor é debruçar-se diante da verdade de que tal ocorre porque há uma força superior que dá sustentação à vida, uma inteligência que transcende todas as rudimentares comparações feitas a partir de parâmetros humanos. Porque não se pode entender a partir dos referenciais da visão tridimensional e do intelecto. O homem não cuidou do que poderia descobrir a partir do seu Eu suprafísico, porque dentro dele estão todas as respostas. Aceitou que a cegueira de pregadores o guiassem no que tem de mais importante que é a sua vida transcendente e lhe atrofiassem a chama da essência primordial, e assim negou sua divindade e aceitou situar-se como um ser à parte e não como um integrante do processo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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