Mãe: amor ou dependência


Moacir Costa





Quem não se lembra da figura preocupada e carinhosa que acordava muitas vezes à noite para dar o xarope da tosse ou as gotinhas para abaixar a febre; aquela figura incansável, batalhadora, às vezes chata pelas suas cobranças, mas com uma enorme facilidade em externar seus afetos através de beijos e abraços. Infelizmente, algumas mães na ânsia de desempenhar bem seu papel ou em decorrência de conflitos emocionais acabam se tornando controladoras e até dominadoras.

É aquela mãe que monitora todos os passos do filho, mesmo daquele que já passou muitos anos da adolescência. O resultado desse comportamento é delicado. Os filhos podem se tornar dependentes dessa mãe e amargar, por causa disso, muitos anos de insegurança e baixa estima.

Até mesmo os filhos que já se casaram e saíram de casa sofrem muito quando essa ligação é problemática e simbiótica. Muitos casamentos não vão adiante quando a relação com a mãe é de muita dependência. É o caso, por exemplo, do filho ou da filha que corre para a casa dos pais a qualquer contratempo com a(o) parceira(o), ou da moça que não é capaz de fazer uma simples compra sem consultar a mãe ou, ainda, o rapaz que às escondidas continua tendo contato com a mãe. Essa ligação ou convívio quando muito intensos pode se constituir numa fonte de problemas psicológicos. Não estamos falando de manifestações de zelo, carinho e afeto, super bem-vindas entre pais e filhos. Não é isso. Trata-se de uma dependência que atrapalha o desenvolvimento emocional e afetivo. Às vezes, qualquer briguinha entre o casal já é levada para a mamãe. Não há enfrentamento de situações difíceis ou de desafios. Até mesmo roupas e outros pertences são deixados na casa dos pais, como se o cordão umbilical ainda não pudesse ser rompido.

O jovem casal precisa ter consciência que toda dependência é negativa, mas é fundamental, para o crescimento deles, uma relação amistosa e saudável com a família; onde a mãe inegavelmente tem a facilidade de agregar filhos, netos e parentes em geral.

Ninguém questiona que a mãe é a figura mais importante na vida de todos nós; mas tem de ser na dosagem certa para manter saudáveis as trocas afetivas e assim cultivar a relação com a mãe com carinho e admiração.

MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

- Caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800.770.6543, de 2 à 6, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br





O amor de mãe e a saúde
Antonio Gurgel do Amaral Júnior
  No dia especial das mães, convém ressaltar que o seu valor vai muito além de sua imagem idealizada com romantismo. O amor materno é capaz de proteger um filho de doenças graves na meia idade. Os estudiosos constataram que o passar do tempo não diminuía a influência do relacionamento entre mãe e filhos ocorrido na infância e adolescência. Surpreendentemente verificaram que a melhor previsão de quem teria câncer mais tarde relacionava-se com o grau de intimidade desse relacionamento na infância.
  Na verdade até as cobaias de laboratório apresentam maior risco de câncer quando separadas de suas mães. Ainda que se tenha susceptibilidade ao câncer por outras razões, o risco é menor quando presente o amor materno. Na Universidade de Harvard, uma pesquisa iniciada na década de 1950, com 126 jovens, constatou-se, após 35 anos, os seguintes resultadoss: 91% dos que declararam não ter um relacionamento caloroso com as mães, tinham diagnósticos de doenças graves na meia idade. A falta de um bom relacionamento mãe e filho deixa marcas para o resto da vida que influenciam o estado de saúde física e mental, com maior probabilidade para o surgimento de doenças como câncer, hipertensão arterial, infarto do coração, diabetes, depressão, alcoolismo, úlceras duodenais e outras.
  Apesar de outros fatores de risco que podem levar a doenças, o amor da mamãe exerce um forte efeito protetor na vida dos filhos. No grupo de estudantes onde o amor materno não esteve adequadamente presente , nenhum deles escapou de algum tipo de doença grave. Havia também os grupos intermediários; aqueles que tinham um relacionamento caloroso com a mãe, mas pouco amistoso com o pai, 75% tiveram doenças graves diagnosticadas na meia idade. No outro grupo intermediário era o inverso; relacionamento caloroso com o pai, e pouco afetuoso com a mãe; neste caso a taxa de doenças graves era maior, 83% . Parece que a influência da mãe é superior à do pai na saúde futura dos filhos. Bendita missão de mãe! Como não valorizar a mais nobre das vocações!
  Aliás, isto confirma a antiga afirmação divina exarada nas Escrituras Sagradas no quinto mandamento: ‘‘Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra.’’ Êxodo 20:12. Os pesquisadores confirmaram: o bom relacionamento entre pais, em especial a mãe, e seus filhos de aproximação e afeto, fortalece o corpo contra as doenças graves. Eis mais um motivo para comemorar o insuperável valor da mãe na vida de seus filhos.
ANTONIO GURGEL DO AMARAL JÚNIOR é médico cardiologista em Londrina



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