ESPAÇO ABERTO
PT procura chifre na cabeça de cavalo
- Gilberto Jordão
Como nosso país está mal representado. Os membros que compõem a cúpula governamental querem mostrar serviço a todo custo, mas estão tomando o caminho inverso das características e dos costumes de seu povo. O ministro Nilmário Miranda (PT-MG), secretário-geral dos Direitos Humanos, desenvolveu uma cartilha denominada Politicamente correto em que constam 96 expressões usadas corriqueiramente pelos brasileiros. Tais expressões são, para ele, consideradas pejorativas. Algumas são expressões como: a coisa está preta; o verbo judiar (que vem da etimologia judia); baitola (onde os nordestinos definem como homossexual); a gíria baianada; as palavras veado e sapatão (denominação popular dos homossexuais); o uso da palavra gilete (denominação para os bissexuais). Enfim, querem proibir o povo de expressar as palavras: preto, negro, palhaço, comunista, funcionário, etc.
É assustador. Estão querendo colocar palavras e/ou frases em nossas bocas. Nem com os militares isso aconteceu. Essa cartilha deveria, sim, estampar as seguintes frases: é proibido enganar o povo; prometemos 10 milhões de empregos e não estamos cumprindo; estamos ferrando os aposentados; os assalariados continuarão no mesmo! É, justamente, por essas expressões que essa patuléia está no poder. Por que não é mencionado nessa cartilha, também, os 300 picaretas do Congresso (lembram-se?)
O PT rasgou sua própria cartilha de ética quando assumiu o governo. Nosso governo vai de mal a pior. Não há um entendimento entre o birô central. Antes, quando eles jogavam de oposição, davam tiro para todos os lados. Hoje, como governantes, dão desculpas esfarrapadas. Se alguma coisa não está funcionando no governo, a culpa é da famigerada herança maldita do FHC ou da ineficiência dos brasileiros, pois para eles o povo terá que levantar-se da cadeira e dar um jeito na vida quanto aos juros bancários. Mas, espera aí! Quem é que faz os juros? Claro que é o Palocci e o Meirelles! Será que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil estão proporcionando taxas acessíveis e humanas aos trabalhadores e aos microempresários? Claro que não! Os referidos bancos acompanham a ciranda financeira.
Esse é um governo itinerante e aventureiro. Todos querem tirar vantagens. As promessas, os milagres, os feitos não são vistos pela população. O importante agora, para o presidente Lula é a reeleição. O modelo político no Brasil está deteriorado. Não há como conciliar honestidade e respeito a esses que nos dirigem. Esse modelo governamental é arcaico e insano, por isso a classe política não nos passa credibilidade. Defendo, desde já, a idéia de não votar em quem já exerceu cargo político. Precisamos fazer uma reformulação nos paradigmas implantados. Não aos políticos e corruptos. Vamos comprar essa idéia!
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá
Humor platino
- Antonio Delfim Netto
Há vinte anos um caloroso aperto de mãos dos presidentes José Sarney e Raul Alfonsín inaugurava uma era de relacionamento inteligente entre Brasil e Argentina, que trouxe excelentes resultados para os negócios, com a expansão dos investimentos e uma ampliação importante do comércio no sul do continente. No encontro histórico em que decidiram dar todo o apoio à formação do Mercosul, os dois estadistas decidiram que era possível acabar com uma das maiores amolações em nosso relacionamento, que era o sentimento de desconfiança recíproco que mobilizava as forças armadas do Brasil e Argentina e que se exprimia em todas as nossas divergências, na economia, na política, etc. Esse sentimento foi plenamente substituído por um sistema de parcerias no campo político e na esfera dos negócios dos setores privados, sustentado na simples e boa compreensão que nós precisamos da Argentina e eles precisam de nós.
Na última semana o jornal Clarín, de Buenos Aires, publicou uma notícia, aparentemente estimulada por algum comentário da Casa Rosada, dando conta do desgosto do presidente Néstor Kirchner com a desenvoltura diplomática de seu colega brasileiro. O dirigente argentino não é propriamente uma pessoa bem humorada e, abstraindo-se a crise de ciúmes em relação a Lula, ele tem algum motivo para os amargos comentários dirigidos ao Brasil. Quando foi para a queda-de-braço com os mercados financeiros após a suspensão dos pagamentos das dívidas interna e externa, a Argentina esperava receber apoio do Brasil e ficou muito ressentida com a nossa indiferença. Ora, o governo brasileiro, enfrentando uma situação de perigosa vulnerabilidade externa, não tinha como dar apoio à política argentina de decretação da moratória.
Quanto às questões comerciais, elas produzem alguma discussão mas normalmente as divergências se acertam entre os parceiros privados e ninguém precisa dar murro na mesa. Nas contas do comércio dos últimos 10 anos, a Argentina teve saldos importantes até 2004, quando a balança se inverteu a nosso favor. Não é por aí, então, que a arquitetura criada por Alfonsin e Sarney pode desarrumar. O problema é que, apesar de um aparente alívio das tensões sociais e políticas nos últimos meses, a realidade da situação econômica da Argentina continua muito delicada. Houve uma ligeira recuperação, mas não se deve imaginar que isso pode caminhar sem dificuldades. Kirchner precisa se convencer que é do interesse do Brasil o progresso argentino e, portanto, vamos ter um papel importante nessa recuperação. Ele deve segurar um pouco sua reserva de mau humor, porque tem cobrança pesada pela frente, interna e externamente. Nós temos experiência para ensinar-lhe que não se pode dar o cano no mundo e sair por aí assoviando, como se tudo estivesse resolvido. O tango está apenas começando...
ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PP-SP
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