ESPAÇO ABERTO
O Bento brasileiro
O que faz diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin, Aécio Neves, César Maia e Anthony Garotinho, nomes que abrem o palco pré-eleitoral, senão o tom de voz, o jeito de expressar o pensamento, um perfil mais dionisíaco ou apolíneo e as atitudes no trato com as pessoas? Não é efetivamente o discurso que faz a diferença entre eles. Até porque, nos últimos tempos, o socialismo do PT mergulhou nas águas profundas da social-democracia tucana, depois de se alimentar no prato econômico do liberalismo mais ortodoxo, que deixa o velho PFL chorando de inveja.
Todos eles exprimem idéias próximas ou semelhantes para combater a violência, acabar com o desemprego e diminuir impostos. Se César Maia quer vender a imagem de bom administrador, com posições claras e fortes sobre a realidade nacional, a partir do combate à violência pelo Exército nas ruas, conforme propaga no espaço do PFL na mídia, Lula também admite a solução, até porque já a usou no Rio de Janeiro. Se Aécio Neves diz que fez o mais sólido ajuste nas contas de Minas Gerais, Estado falido que encontrou para governar, Lula acaba de fixar o teto de 16% do PIB para a carga tributária, entre 2006 e 2008, aproveitando, ainda, para definir em 17% do PIB o máximo de despesas em custeio da máquina administrativa e pagamento de pessoal.
Garotinho nele impresso o governo da mulher, Rosinha aparece como vítima do governo petista, mas não possui referência maior no plano administrativo, a não ser o domínio sobre um grupo entre 20 a 25 deputados do PMDB e a intenção, algo vago, de oferecer um programa ao País. Geraldo Alckmin também se vangloria de realizar uma administração positiva, amparada em rigor técnico, porém é o mais contido dos atuais pré-candidatos, seja pelo uso de uma linguagem comedida, pausada e educada, seja pela convicção de que os fatos têm hora para acontecer. O governador paulista crê que uma campanha para qualquer cargo nasce, cresce e é ganha dentro do espaço eleitoral. Um erro.
Não se identifica em nenhum pré-candidato, pelo menos até o momento, um feixe central de idéias, um propósito claro, uma intenção forte. É demasiado cedo para abrir o processo eleitoral, diz-se. Certo. Mas nunca é cedo para um político, de qualquer esfera, proclamar, a todo o momento, seu ideário. O cardeal Ratzinger chega ao papado, com o nome de Bento XVI, pela contundência com que defende os dogmas da Igreja Católica Apostólica Romana. Político fosse no Brasil, estaria esperando o ciclo eleitoral para dizer o que as pesquisas de opinião pública apontassem como discurso do momento.
Os atuais pré-candidatos, todos de olhos orientais muito parecidos , terão, necessariamente, de ocidentalizar suas diferenças e, sobretudo, correr o País para mostrar a cara. Lula tem grande vantagem: porta a chave do cofre maior e possui a força de pontifex maximus. Mas está longe de ser papa. Em Bento XVI, a profunda convicção a força do compromisso foi mais importante que o conservadorismo. O Bento brasileiro de 2006 carecerá, sobretudo, da força da credibilidade.
GAUDÊNCIO TORQUATO é jornalista, professor da Universidade de São Paulo e consultor político
A comunicação interna das organizações
Temos visto surgir estratégias e modelos gerenciais prometendo revolucionar a gestão das empresas. Muitos desses modelos pressupõem mudanças significativas nas organizações seria este o caminho?
Sabemos que o sucesso de uma organização não depende única e exclusivamente de mudança na sua estrutura, mas fundamentalmente de mudança nas atitudes das pessoas no ato e na disposição de se comunicar e de se relacionar.
Para mim, estas são as duas palavras que definem a postura de comunicação de todo e qualquer empreendimento. As ações da empresa devem ter sentido para as pessoas sendo necessário que encontrem no processo de comunicação da empresa as justificativas para o seu posicionamento e comprometimento. Uma extraordinária mudança de visão, pois as habilidades técnicas passaram a ser substituídas pelas habilidades humanas.
Por outro lado, somos conhecedores de que a cultura organizacional dita o que realmente uma organização é, e certos modelos administrativos às vezes não se encaixam. Em uma organização social completa, na qual padrões e valores surgem e se desenvolvem, a evolução social e cultural depende da compreensão, da cooperação dos indivíduos, da interação social de um grupo na forma com que estabelecem e praticam as políticas e valores de uma organização para conquista da credibilidade.
Cultura organizacional é essencialmente um fenômeno interativo a partir do momento que os indivíduos observam e interagem com o mundo ao redor deles. Por meio deste processo, um indivíduo pode simbolizar e atribuir significado para eventos e objetos.
Portanto, afirmo que grande parte das situações tidas como problema em uma empresa, tem no gerenciamento da comunicação e da cultura sua solução. A maneira de se planejar o trabalho pode ter duas vertentes: catalisadora ou bloqueadora das ações.
Ao determinar o caminho é fundamental que se considere o auto-conhecimento empresarial e a construção de significados que tenham sentido para as pessoas que fazem parte de uma vida organizacional afinal são elas que tornam reais as intenções. Um ponto básico e que sustenta os relacionamentos entre funcionários e lideranças: discurso igual à ação.
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MARLENE MARCHIORI é consultora e professora da Universidade Estadual de Londrina





