ESPAÇO ABERTO
Por que marcha este povo
-Frei Ildo Perondi
Amanhã, 1º de maio, em Goiânia, partirá uma grande Marcha Nacional. Milhares de trabalhadores sem-terra deixarão suas casas, seus barracos, suas terras, seu trabalho e suas famílias para caminhar a pé rumo a Brasília. É certo que ninguém se põe na estrada para caminhar durante mais de duas semanas, somente porque não tem outra coisa á fazer. Então, por que será que caminha este povo?
Os trabalhadores vão marchar para chamar a atenção das autoridades sobre o problema da reforma agrária no Brasil. Desde que aqui chegaram os portugueses, em 1500, que a posse da terra brasileira se tornou um problema. A propriedade da terra ficou em mãos de pouca gente. Na década de 80, durante a elaboração da nossa atual Constituição, logo após a ditadura militar, a proposta popular para a reforma agrária foi a que mais teve assinaturas. Até hoje, no entanto, a reforma agrária anda devagar e continua sendo promessa em tempo de campanhas eleitorais.
O povo cansado de esperar, vai marchar. Homens e mulheres caminharão clamando às autoridades que ouçam este grito que vem do chão da terra. Querem mostrar que existem pessoas que possuem um sonho de um Brasil melhor e mais justo.
É inútil afirmar, como fez o senador Alvaro Dias, que não existe mais terra para a reforma agrária. O Brasil possui terra suficiente, e de sobra, para assentar todos os sem-terra. Precisamos discutir a forma como a terra é distribuída Brasil. A própria Constituição Federal diz que a terra precisa cumprir a sua função social e que, portanto, áreas improdutivas ou que não respeitem os direitos trabalhistas ou onde há crimes ambientais devem ser desapropriadas.
O atual governo afirma que não há recursos para fazer a reforma agrária. Nem isso é verdade. Fazer a reforma agrária é ainda hoje o meio mais barato de gerar empregos.
Os trabalhadores e trabalhadoras marcham porque querem discutir o modelo de agricultura que está sendo implantado no país. O modelo do agronegócio expulsa as pessoas da terra, além de utilizar em alta quantidade agrotóxicos e agora as sementes transgênicas. Nós queremos um modelo que inclua as pessoas; que contemple a pequena propriedade rural; que produza também alimentos de qualidade e com segurança alimentar para o nosso povo.
Estes trabalhadores marcham porque sonham, querem justiça e um Brasil onde haja espaço para o seu povo. Afinal, quem não quer ver este país ser uma terra de paz e felicidade?
FREI ILDO PERONDI é da ordem dos frades menores capuchinhos em Londrina
Intercâmbio: marco na formação pessoal
-José Carlos Hauer Santos Júnior
O intercâmbio sempre representou um processo fundamental na preparação dos jovens para o mercado de trabalho e nas relações sociais que eles acumulam ao longo da vida. De uns anos para cá, tal pensamento ganhou força e essa atividade cada vez mais é procurada. Anualmente, embarcamos mais de 10 mil pessoas dispostas a passar uma temporada no Exterior para aperfeiçoar a fluência em algum idioma, fazer o colegial, estender sua formação universitária ou atuar em um programa de trabalho remunerado.
Ao viver semanas ou meses em terras estrangeiras, o intercambista acumulará conhecimentos, além de aprender a conviver, respeitar e - bem provavelmente - admirar culturas que desconhecia. Não é à toa que constatamos, no início deste ano, um incremento de 30% nas vendas de cursos no Exterior. Felizmente, operadoras com know-how e tradição vêm executando muito bem a tarefa de oferecer um serviço de qualidade com diversidade a esse público.
A integração entre os povos também é favorecida pela grande quantidade de programas. O mercado apresenta opções para adolescentes, executivos e terceira idade. Em meio a essa diversidade, os cursos de línguas despontam com 88,8% da preferência do viajante, de acordo com pesquisas do setor. Outra estatística importante é o crescimento de 40% na procura por programas de trabalho remunerado.
A América do Norte continua sendo o grande centro para realização de cursos de idioma. De cada 100 pessoas que viajam para o Exterior, 25 escolhem o Canadá e 23 optam pelo território norte-americano. Os Estados Unidos, inclusive, por meio de seus consulados, desburocratizaram e agilizaram o processo de entrevistas para concessão do visto. Um sinal claro do fortalecimento do setor, cada vez mais resistente às crises mundiais.
Voltando à área de cursos, o Reino Unido continua uma referência, com 22%. E para melhorar, outros locais também ganham mercado. Austrália e Nova Zelândia, juntas, já atraem 21% das viagens a estudo ou trabalho, número extremamente expressivo para um continente geograficamente distante dos brasileiros. E a perspectiva é que a procura cresça ainda mais nesses próximos três anos. De acordo com levantamento divulgado no final do ano passado pela ALTO - Association of Language Travel Organizations, o setor tende a crescer em 15% ao ano neste triênio.
Naturalmente, viajar sempre é agradável. Entretanto, para um jovem ou adulto que participa de um programa de intercâmbio, essa atividade assume um caráter de extrema importância, por se tornar uma forte referência em seu currículo profissional e marcar sua vida para sempre.
JOSÉ CARLOS HAUER SANTOS JÚNIOR é diretor-presidente do Student Travel Bureau (STB) e membro do conselho executivo da International Student Travel Confederation (ISTC)
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