Violência em Londrina: uma questão de ordem
-Mari Nilza Ferrari Barros e Vera Lucia Tieko Suguihiro

  A audiência pública realizada na Câmara Municipal em Londrina no último dia 15 sobre a violência urbana foi marcada mais por questões de ordem, que só adiaram a discussão e reduziram sobremaneira o tempo do debate e das pessoas inscritas.
  É preciso que toda a sociedade, órgãos públicos, secretarias municipais e instituições privadas se mobilizem para dar visibilidade ao fenômeno e discutir estratégias de combate e prevenção da violência urbana. Adiar o debate serve para instalar suspeitas de que se quer evitar conhecer a realidade da cidade.
  A denúncia é uma etapa importante do processo, tanto quanto a discussão sobre as políticas sociais públicas existentes no município destinadas a proteção de crianças e adolescentes. Abordamos especialmente essa parcela da população posto que este foi o enfoque dado à exposição da Secretaria de Assistência Social, Secretaria de Saúde e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - CMDCA, ainda que as informações prestadas pelos mesmos privilegiasse números e dados estatísticos.
  O conteúdo sobre políticas sociais públicas, projetos e programas sociais parece não ser prioridade das secretarias municipais. É lamentável que isso ocorra em um momento em que o debate deveria servir para estimular o envolvimento, compromisso e participação de todos os que ali estavam.
  A audiência pública é um espaço plural de pensamento o que significa respeito à diversidade e à diferença. O exercício da denúncia é um ato de participação que exige coragem, respeito e reflexão. Neste sentido o resultado deve traduzir ações conseqüentes sem qualquer censura ou sanção por parte daqueles que detêm o poder ou estão revestidos de autoridade.
  O jogo político, a luta por espaços e poder exacerbado servem para demonstrar a dificuldade dos órgãos públicos para agir e agir, como lembra Hanna Arendt em concerto, isto sim, expressa o sentido legítimo de autoridade. Por favor, essa é uma questão de ordem!
MARI NILZA FERRARI BARROS e VERA LUCIA TIEKO SUGUIHIRO são coordenadoras do Projeto Ação Interdisciplinar no Combate à Violência contra crianças e adolescentes no município de Londrina da Universidade Estadual de Londrina



Mudar o mundo a partir de cada um
-Walmor Macarini

  O mundo só mudará para melhor na medida em que cada indivíduo também se melhorar. Mas a maioria imagina que o mal está nos outros. Quando uma pessoa opera uma mudança em si mesma, o mundo imediatamente absorve e somatiza essa porção. Uma forma de cada um mudar-se, no sentido do melhor, é seguir a própria intuição, que se manifesta freqüentemente mas nem sempre é percebida e obedecida. A intuição nunca se equivoca. Quando, um apenas que seja, movimenta-se para tornar-se melhor, cria em torno de si uma força e atrai os circunstantes. Porque cada indivíduo compõe a consciência coletiva.
  Num ambiente de pessoas boas, mesmo as más tendem a ficar boas, e não propriamente pelo exemplo mas pela força da indução. O mesmo que se dá em lugar de maledicentes e pessimistas, tendendo a induzir para essa corrente aqueles que não o são. Essas ondas espraiam-se, podendo atingir uma cidade inteira, um país, o mundo. Uma boa idéia de uma só pessoa e um bom sentimento – que às vezes nem precisam manifestar-se por palavras – podem influenciar e mudar os rumos da humanidade inteira. Não existe acaso e nem ‘‘vontade de Deus’’ quando um bem ou um mal acontecem.
  Guerras, tempestades, tsunamis, terremotos, raios que caem, crimes, acidentes, são explosões de energia negativa acumulada que as mentes humanas foram produzindo, por via de seus ódios, invejas, ciúmes, ganâncias, maledicências, arrogâncias, maldades, negativismos. Os pontos mais vulneráveis (pessoas, lugares, situações) qual pára-raios, atraem essas vibrações. Por outro lado, a propensão a atrair males pode ter origem kármica – aquilo que se viveu e ficou pendente de solução em existências anteriores.
  Povos que não cessam de brigar são os mesmos (entenda-se as mesmas pessoas) que brigavam nos tempos bíblicos, ou antes, ou depois, e que nunca desejaram reconciliar-se, por isso vêm arrastando essa carga. Se um apenas perdoar o outro, mesmo em forma de sentimento, esse outro captará essa emissão e tenderá a perdoar um também, e isso irá se propagando até que ninguém odeie ninguém. Esquecer, deixar pra lá como se diz, não é perdoar. Se não houver plena conscientização do perdão e real sentimento, o tumor permanece.
  Formas-pensamento positivas – algo que qualquer pessoa pode cultivar – irão granjeando paz ao redor e podem circundar o globo terrestre, envolvendo todas as pessoas. Pensamento positivo é uma forma de oração, com imenso poder, porque penetra a matéria e não conhece distâncias. As pessoas oram pedindo a Deus, mas conservam iras contra os desafetos, revoltam-se com as coisas desagradáveis, maldizem os denominados maus, selecionam perdões (tudo, menos isso, costumam dizer), e assim desfazem as preces que haviam feito e, muito pior, deixam um rastro de densidade cinzenta que contamina a atmosfera e vai formando bolsões de acumulação. Que em dado momento explodem, contra a própria pessoa ou contra outras. Se alguém quer contribuir para melhorar o mundo, tem de converter-se, individualmente, ao modelo de mundo que deseja.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


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