ESPAÇO ABERTO
Imposto de renda: hora de acertar as contas
Está chegando a hora! Dia 29 deste mês é a data final para acertar as contas com o ''leão'' (Receita Federal), período para concluir e entregar aquela que se entitula declaração do imposto de renda. Falando em acerto de contas, fica um tanto desproporcional, para não dizer injusto, de um lado o contribuinte, e de outro o animal mais temido do reino selvagem, como se nos encontrássemos em meio a uma arena de gladiadores, palco do filme vencedor do Oscar. Diante da robusta legislação que rege a matéria, aliada aos mecanismos disponibilizados pelos meios eletrônicos, cruzamento de informações, não podemos vacilar na hora de fornecer os subsídios para uma futuro confronto com o ''recheado banco de dados'' da Receita Federal.
O leão anda mais faminto do que nunca, com as garras afiadas, nunca é demais lembrar que os pesados investimentos efetuados pela Receita Federal, através da implantação de programas que possibilitem cruzar informações com compra e venda de bens, instituições financeiras, rendimentos, a terrível e famigerada CPMF (diga-se de passagem, de provisória só o nome). Observem que nos informes de rendimentos repassados pelos bancos, consta a movimentação financeira anual, e a respectiva contribuição provisória. Conclui-se que, temos que realmente fatiar o bolo, pois torna-se arriscado e pouco aconselhável omitir, ou mesmo prestar informações incorretas, sob pena de termos que encarar o leão de frente.
Meu saudoso pai já dizia, é melhor prevenir do que remediar, se analisarmos friamente a farta legislação atrelada aos avanços tecnológicos, verificar-se-à num futuro bem próximo, praticamente este acerto de contas deixará de existir, todo nosso dia-a-dia chega aos ouvidos dos agentes fiscalizadores, a ponto de recebermos em casa a notificação para simplesmente efetuar o recolhimento do imposto devido. Será a inversão do ônus da prova.
Outro detalhe que não pode fica omisso é a legislação que trata dos crimes de sonegação fiscal (Lei 8.137/90). Qualquer deslize pode ser caracterizado como tal e objeto de transtornos significativos junto a Justiça Federal. Quem não conhece o velho ditado que diz que o ''crime não compensa''.
Diante de tudo isto, ainda pode-se afirmar, que é menos ruim admitir a soberania deste sedento felino, e caprichar ao máximo na prestação de contas, pois sem que se perceba ele está mais próximo de nós do que imaginamos.
JOÃO LUIZ GIONA é empresário contábil em Terra Boa (PR)
Que ícone é o papa?
Quando a diocese de São Paulo foi dividida em quatro partes, dom Evaristo Arns recebeu a notícia como uma punhalada nas costas. Em recente entrevista na TV o jubilado cardeal afirmou ter ido certa vez a Roma no intuito de manifestar ao Papa o seu descontentamento com a arquitetada manobra e, segundo ele, ouviu deste a seguinte palavra: ''Ao voltar ao Brasil diga que o Papa não concorda com a divisão''. Porém, aqui chegando recebeu a notícia de que a cisão havia ocorrido. E tendo passado tamanha decepção, ele, agora sem nenhuma ilusão quanto à figura do pontífice deixou escapar o que todo Brasil ouviu: ''Então quem é que manda? Mas por que trazer à tona tais desafetos em momentos como este?
O fato é que a grande comoção causada pela morte do carismático líder João Paulo II, tem levado muitos, que antes nas suas preces pediam por ele, a pensar que agora podem pedir a ele. ''Santo Súbito'' (canonização já), dizia o cartaz na cerimônia de sepultamento. E, infelizmente, este tem sido um triste hábito dos que sem nenhuma base bíblica crêem na intercessão daqueles que julgam santos e que aliás precisam ser daqui da terra colocados ou não em cadeiras de santidade lá no céu.
Mas será que o cristão pode se deixar embalar pelo calor da emoção momentânea e ignorar a palavra do Cristo? ''E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus'' (Mateus 23:9). O apóstolo Paulo escreveu: ''Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem'' (1 Timóteo 2:5). Não se precisa de mais um intercessor quando se tem a certeza de ter um todo suficiente, misericordioso, amoroso e fiel advogado (''Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo''. 1 João 2:1).
A perda de um ente querido muitas vezes faz ressaltar a incerteza de se ter uma relação resolvida com o Eterno, e desperta para a necessidade de se estabelecer uma ponte segura para a eternidade e quanto a isso cabe lembrar que Jesus afirmou: ''Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim'' (João 14:6). Para que você tivesse o perdão, a salvação de Deus, Jesus, por te amar, pagou na cruz pelos teus pecados e se você hoje ouvindo a sua voz não endurecer o coração, mas colocar nele a sua fé, será eternamente salvo.
Então, crendo na suficiência do sacrifício de Jesus, não precisará de outros mediadores e poderá se regozijar com as palavras do escritor aos hebreus: ''Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno''(Hebreus 4:14-16).
JOSÉ SOARES FILHO é pastor em Jandaia do Sul
A cruz e a espada da mídia
Ultimamente, a mídia vem dedicando importante espaço para debater o tema nepotismo. Apesar de ainda não existir uma lei federal para definir e, quando for o caso, punir claramente a prática do nepotismo, sou uma incentivadora da discussão do assunto em todas as esferas do poder público. Mas é preciso estipular pesos e medidas sempre que o assunto for abordado.
Refiro-me principalmente à reportagem escrita por José Antônio Pedriali para a agência de notícias e distribuída a vários jornais, incluindo a Folha de Londrina. O material, cuja manchete foi ''Executiva de Itaipu ganha R$ 16 mil/mês'' é um conjunto de análises tendenciosas de minha carreira que buscam denegrir-me pessoal e profissionalmente. Além disso, peca (e muito) por ferir dois dos princípios básicos de qualquer escola de jornalismo em países democráticos: ouvir sempre todos os lados envolvidos no assunto e, primordialmente, conceder amplo direito de defesa.
Há um componente ainda mais comprometedor. Trata-se de uma aparente estratégia para ''esvaziar'' eventual resposta com alto teor de complexidade. Explico: a Superintendência de Comunicação da Itaipu Binacional foi procurada, no dia 15 de abril no final da tarde. O repórter fez uma série de perguntas sobre as finanças da empresa, mas praticamente não se manifestou a respeito das informações que viriam a ilustrar as referências pessoais da reportagem, como, por exemplo, o valor de salários. Em nenhum momento o que parece ser um erro primário o repórter pediu o meu telefone para me entrevistar. Ora! Seria o mínimo que qualquer jornalista faria.
Não elegi a servidão pública apenas como profissão. Optei pela carreira por vocação e com a certeza de estar capacitada a interferir positivamente na vida das pessoas. Escolhi o serviço público porque, como militante do Partido dos Trabalhadores (PT), sempre convivi com a classe menos favorecida e lutei pelas conquistas que pareciam mais dispendiosas.
Há 17 anos dedico, no mínimo, de 12 a 16 horas diárias às questões pertinentes à sociedade, seja no plano teórico ou prático. Foi assim desde o início de minha trajetória: como assessora parlamentar na Assembléia Legislativa (PR) e na Câmara Municipal (Curitiba); como assessora parlamentar na Câmara Federal; à frente da Secretaria de Reestruturação Administrativa e da Junta Financeira do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul; como integrante da comissão de transição econômica do governo Lula; e, finalmente, dirigindo a Financeira da maior hidrelétrica do mundo, a Itaipu Binacional, cargo que assumi dois anos e três meses antes da nomeação de meu marido, Paulo Bernardo, para o Ministério do Planejamento.
Quero esclarecer ao leitor que minha opção profissional antecedeu, e muito, a relação pessoal que veio a unir Bernardo a mim, há cerca de oito anos. A abordagem da matéria faz com que o leitor conclua que as conquistas profissionais dependeram e se sustentam da minha relação pessoal, o que não é legítimo. Bastasse ao repórter fazer perguntas menos especulativas e mais técnicas para que soubesse de que forma conduzo a minha rotina profissional. Cargos públicos expõem os profissionais, e eu nunca tive receio de responder às dúvidas desde que tenham profundidade e sejam pertinentes à minha conduta profissional.
GLEISI HOFFMANN é diretora Financeira da Itaipu Binacional
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