ESPAÇO ABERTO
Sem namoro, não existe desejo
-Moacir Costa
Até alguns anos atrás, o namoro era um compromisso afetivo assumido entre duas pessoas, onde se supunha um verdadeiro envolvimento amoroso, e muitas vezes, também sexual.
Atualmente, esse compromisso existe com regras menos rígidas e com uma liberdade maior. As pessoas já não sentem aquelas cobranças e obrigações que havia no passado. O namoro hoje está mais relacionado ao ato de ''experimentar, conhecer, para ver onde vai dar''. O respeito à individualidade é muito maior.
Nos dias atuais, o ficar e outras manifestações afetivas são pré-requisitos para o namoro. Antigamente muitas pessoas se casavam pela intensa pressão social e familiar, sem se dar conta que estavam se vinculando mais ao status do casamento e menos ao parceiro (a).
É importante assinalar que muitos casamentos após 10, 20 ou mais anos, mostram-se inapetentes, e o cansaço e a monotonia tomam conta do relacionamento; o mesmo ocorre com a sexualidade.
As mulheres se queixam bastante. Nos consultórios dos ginecologistas e psicoterapeutas é comum a repetição dessa cantilena. Os homens não gostam de namorar, às vezes preferem fazer sexo.
É natural que nesses casamentos ''mornos'' o namoro seja visto como um comportamento tipicamente adolescente. Cada um se preocupa mais com os seus projetos ou problemas pessoais, e o contato físico praticamente não existe. O sexo nessas circunstâncias é ocasional (quanto acontece). As falhas de ereção no homem passam a ser mais comuns. Felizmente com o Viagra e os novos medicamentos tem sido possível devolver a potência desses homens e a vibração pelo sexo.
A conquista, o namoro e a paixão, apesar dos desencontros, ainda acendem o erotismo principalmente entre os jovens. Infelizmente em muitos adultos, a aposentadoria afetiva e amorosa chega muito cedo e o desejo sexual entra em queda livre.
Fazer reposição hormonal aos 45, 50 anos sem fazer uma reposição afetiva, não é suficiente para melhorar a qualidade de vida do casal.
Prestar mais atenção na parceira, serem solícitos e tolerantes entre si, abusarem um pouco mais do contato físico e fazerem coisas juntos, são os ingredientes necessários para tornar o namoro uma verdadeira vivência amorosa e com muito prazer.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
- caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2 a 6, das 10h às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br
A cruz e a espada da mídia
-Gleisi Hoffmann
Ultimamente, a mídia vem dedicando importante espaço para debater o tema nepotismo. Apesar de ainda não existir uma lei federal para definir e, quando for o caso, punir claramente a prática do nepotismo, sou uma incentivadora da discussão do assunto em todas as esferas do poder público. Mas é preciso estipular pesos e medidas sempre que o assunto for abordado.
Refiro-me principalmente à reportagem escrita por José Antônio Pedriali para a agência de notícias e distribuída a vários jornais, incluindo a Folha de Londrina. O material, cuja manchete foi Executiva de Itaipu ganha R$ 16 mil/mês é um conjunto de análises tendenciosas de minha carreira que buscam denegrir-me pessoal e profissionalmente. Além disso, peca (e muito) por ferir dois dos princípios básicos de qualquer escola de jornalismo em países democráticos: ouvir sempre todos os lados envolvidos no assunto e, primordialmente, conceder amplo direito de defesa.
Há um componente ainda mais comprometedor. Trata-se de uma aparente estratégia para esvaziar eventual resposta com alto teor de complexidade. Explico: a Superintendência de Comunicação da Itaipu Binacional foi procurada, no dia 15 de abril no final da tarde. O repórter fez uma série de perguntas sobre as finanças da empresa, mas praticamente não se manifestou a respeito das informações que viriam a ilustrar as referências pessoais da reportagem, como, por exemplo, o valor de salários. Em nenhum momento o que parece ser um erro primário o repórter pediu o meu telefone para me entrevistar. Ora! Seria o mínimo que qualquer jornalista faria. Não elegi a servidão pública apenas como profissão. Optei pela carreira por vocação e com a certeza de estar capacitada a interferir positivamente na vida das pessoas. Escolhi o serviço público porque, como militante do Partido dos Trabalhadores (PT), sempre convivi com a classe menos favorecida e lutei pelas conquistas que pareciam mais dispendiosas.
Há 17 anos dedico, no mínimo, de 12 a 16 horas diárias às questões pertinentes à sociedade, seja no plano teórico ou prático. Foi assim desde o início de minha trajetória: como assessora parlamentar na Assembléia Legislativa (PR) e na Câmara Municipal (Curitiba); como assessora parlamentar na Câmara Federal; à frente da Secretaria de Reestruturação Administrativa e da Junta Financeira do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul; como integrante da comissão de transição econômica do governo Lula; e, finalmente, dirigindo a Financeira da maior hidrelétrica do mundo, a Itaipu Binacional, cargo que assumi dois anos e três meses antes da nomeação de meu marido, Paulo Bernardo, para o Ministério do Planejamento.
Quero esclarecer ao leitor que minha opção profissional antecedeu, e muito, a relação pessoal que veio a unir Bernardo a mim, há cerca de oito anos. A abordagem da matéria faz com que o leitor conclua que as conquistas profissionais dependeram e se sustentam da minha relação pessoal, o que não é legítimo. Bastasse ao repórter fazer perguntas menos especulativas e mais técnicas para que soubesse de que forma conduzo a minha rotina profissional. Cargos públicos expõem os profissionais, e eu nunca tive receio de responder às dúvidas desde que tenham profundidade e sejam pertinentes à minha conduta profissional.
GLEISI HOFFMANN é diretora Financeira da Itaipu Binacional
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